14 de mai de 2010

Apollo ~ o amor anjinho

No dia 31 de dezembro de 2008, um siamês lindo, gordo e carinhoso apareceu andando, ou melhor, mancando na rua da minha casa. Estava muito sujo. Aproveitando as ultimas horas de serviço daquele dia, o levei para o petshop e dei um banho nele. Apesar de não gostar da agua, para um gato completamente estranho, ele nem sequer tentou me arranhar.

Hoje ficou pensando de onde veio a coragem de simplesmente pegar um gato adulto na rua e levá-lo no colo.

Depois do banho tomado e barriga cheia, percebi que na verdade, ele estava com um problema sério nas pernas e o rabo dele não se mexia. E que toda a sujeira e o mal cheiro que eu havia sentido era de uma incontinencia urinária.

Pedi para a dona do pet autorizar a estadia de Apollo ( os olhos dele eram da cor de um céu ensolarado ) até o dia 2. Logicamente, eu pagaria hospedagem, mas somente ter a certeza de que ele não estaria a merce de bebados, carros desgovernados e não sentiria medo pelos fogos de artificio era o suficiente. A cada minuto que passei com ele era OBVIO que Apollo não pertencia às ruas, que até momentos atrás era um gato de casa, muito bem tratado e que havia recebido carinho.


Talvez tenha sofrido algum trauma e os donos não quiseram as despesas, talvez tenha fugido para cruzar e foi atropelado ou chutado... talvez, talvez....

Imediatamente minha campanha para a adoção de Apollo começou, mas o que eu iria fazer com um gato macho incontinente? A medida que os dias iam passando e os remedios, ração urinary e tratamentos não surtiam efeito eu ia ficando mais desesperada com a impossibilidade de sua adoção.

Então, um dia, pelo orkut, uma senhora aparece interessada no Apollo. Nas suas palavras, o queria muito, pois ele era lindo!

Mas ele não era só bonito, ele tinha um problema, provavelmente irreversivel e iria precisar de paciência e cuidados.

E mais uma vez eu joguei palavras aos ventos. Depois de uma semana conversando com a senhora, enquanto dava as vacinas nele, vermifugo, etc, ela apareceu no pet e o levou.

Parecia ter sido a adoção dos sonhos. O filho dela era totalmente apaixonado por ele.

No entanto, o sonho não durou muito.









Eu ainda estava enclausurada em casa quando a dona de Apollo começou a encher meu orkut de reclamações. Que ele fazia xixi por todos os lugares, que ele era mal educado, que ele pulava ( um gato que nem se segurava nas patas traseiras por muito tempo!!!! ) na mesa e roubava comida. Liguei para diversos veterinários sobre o que fazer e soube de um caso em que um gato foi atropelado e também ficou com incontinencia, mas que a dona o criava no jardim, devidamente protegido contra chuva, sol, etc e ele vivia bem.

Perguntei se ela não poderia fazer o mesmo, que eu até mesmo podia dar uma casinha de cachorro para ela por na area de sua casa, mas ela não o queria mais. Definitivamente.

E, infelizmente, tive que considerar o sacrificio dele, pois um mês havia se passado e ele ainda estava na casa da senhora, sem mais ser amado e sem nenhuma outra possibilidade de adoção.

Então, me foi apresentada uma pessoa que o queria. Uma pessoa humilde, morando em uma casa humilde. E que mesmo diante de todos os problemas que Apollo possuia, ela também o quis.

E ele foi muito bem cuidado e querido, morando em uma area de piso frio, como eu havia pedido para evitar acidentes, mas sem estar afastado do convivio de humanos, recebendo muito carinho.

Infelizmente, alguns meses depois de ter sido adotado, Apollo faleceu.

A pessoa que intermediou a adoção disse que ele não acordou um dia.

Eu não pedi por mais detalhes. Por alguma razão meu coração ficou tranquilo ao saber que ele havia partido dentro de uma casa, com uma familia que chorou por ele. Pelo menos ele pôde esquecer de quem virou as costas para ele por uma deficiencia fisica que não era culpa dele.







Um gigante gentil, com olhos de paz. Apollo, no céu, e em meu coração.

Um comentário:

  1. Otávia, que bom que mesmo diante de tanta dificuldade o Apolo consegui um lar e morreu acolhido. Isso é importante e faz toda a diferença.
    Um abraço e ron rons para o Arthur.
    Rose, Dom e Zazie.

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