24 de ago de 2010

Alexandre, o amor que caiu do céu



Existem gatos que, devido ao abandono, acabam retornado ao estado selvagem de seus ancestrais.

A mãe do Alexandre foi uma delas. A primeira vez que a vi, ela estava caçando morcegos da casa ao lado, com a habilidade de uma leoa nas planices africanas e esmagava os crânios deles ruidosamente, antes de sumir por dentro das telhas.

Aquilo me horrorizou imensamente, pois nunca havia visto uma gata fazer algo assim. Pensei no quanto ela estaria faminta e desesperada para ter que se alimentar daquele jeito e comeceia levar ração para ela.

Foi quando percebi que não estava sozinha. À noite escutavamos miados de filhotes, miados altos e doídos, chamando pela mãe.

Até que uma noite, quando fui pegar um suco na geladeira, o encontrei.

Um gatinho minusculo, extremamente sujo e com o nariz ferido, ficou preso dentro da copa e tentava subir as paredes ao me ver. Nunca havia visto pessoas. E havia algo estranho com seus olhos.

Pedi ajuda para a outra professora e para a secretária, uma toalha ou pano para enrolá-lo e poder levá-lo para casa. Ninguem me ajudou e ainda ficaram dizendo que eu estava louca de tentar ajudar um bicho daqueles.

Infelizmente tive que soltá-lo, mas aquela não seria a ultima vez que nos veríamos.

Alguns dias depois o encontrei correndo sem rumo pelo quintal, batendo a cabeça nas paredes.
E confirmei que havia algo de muito errado ali.

Consegui agarrá-lo e o embrulhei na blusa que usava. O levei para o petshop proximo, onde ele tomou um bom banho e finalmente foi capaz de comer algo.

A veterinária o examinou. Ele havia sofrido algum tipo de trauma e não enxergava direito. Como a mãe ainda estava no telhado, acredito que tenha o rejeitado e por isso ele estava definhando.


Era um bebê de aproximadamente 4 meses, branquinho e com o rabo tigrado e belos olhos azuis.

Falei com minha amiga e ela disse que podia abrigá-lo por alguns dias, até que ele ficasse um pouco mais forte. O batizei de Alexandre, o nome mais forte e poderoso que consegui pensar, pois ele precisava de toda a sorte o possivel para reverter aquele quadro.

Demos vermifugo e compramos uma royal canin filhotes ( a melhor ração para recuperar gatinhos desnutridos ) e leite de soja, que ele devorou.


Por causa de seu problema de visão, ele sempre rosnava para nós, mas no final daquele mesmo dia, ja conseguia destinguir nosso cheiro e até começou a ronronar!


Já havia começado a campanha para arrumar um lar para ele. Apesar da beleza, era um gatinho assustado e ainda estava feio. Fiquei imaginando quem iria ter a paciencia de colocá-lo no colo, apesar dos rosnados e fazê-lo confiar nas pessoas, assim como eu.


Uma pessoa do grupo que eu faço parte se interessou por ele, no segundo dia e após trocarmos emails e conversarmos ao telefone, veio buscá-lo.

O vacinei contra raiva, repeti o vermifugo e dei mais um banho. Coloquei uma coleirinha. Ele já estava bem mais sociavel, se compararmos com a ferinha selvagem que eu havia conhecido 48hrs atrás e até sua aparencia já estava bem melhor.


Combinei de castrá-lo assim que estivesse mais forte e o rapaz veio aqui buscá-lo.

Um mês depois, em uma troca de emails, o rapaz me pede ajuda para duas gatas que havia pego, pois ja tinha outros animais e nao poderia ficar com elas se estivessem prenhas.

Consegui cirurgias mais em conta com veterinários amigos e até paguei de uma das gatas, mas ele teria que pagar a cirurgia de Alexandre na epoca ideal.

Duas semanas depois, ele me encontra e diz, na maior naturalidade, que Alexandre havia subido em uma arvore, caido do outro lado da rua e desaparecido. Fiquei desesperada e imaginando um gato cego perdido. Ele estava forte e gordinho, mas mesmo assim, ainda possuia uma deficiencia, além do medo de estar fora de sua casa.

Pedi fotos recentes para o rapaz, mas ele nunca as enviou.
Telefonei querendo marcar uma busca pelas ruas, espalhar cartazes, mas ele nunca me atendeu.
Fui até a rua da casa dele e vi que não havia possibilidade de Alexandre ter subido na pequena arvore e ter acertado uma saída pelo muro alto. Rodei pelas ruas, mas sem sucesso.
Quando o coloquei contra a parede, ele me tratou mal, dizendo para não procurá-lo mais, que não queria mais falar sobre PORCARIA de gato algum.

O fiz devolver o dinheiro para ajudar uma cadela necessitada, mas nunca realmente soube o que aconteceu com Alexandre.

Fico pensando o que leva uma pessoa a fazer parte de um grupo de proteção de animais ( que ele foi afastado pelo ocorrido ) , pedir para adotar um animal e agir dessa maneira.

Ele me tirou uma criança indefesa, dos meus braços, para um destino incerto, por pura irresponsabilidade.

Além de Alexandre, ainda consegui resgatar duas de suas 3 irmãzinhas. Elas fizeram um ano em julho de 2010. Ele tambem o faria.

Ele sobreviveu a um nascimento em condições precárias, se alimentar de morcegos, uma queda de telhado e à fome, antes de eu encontrá-lo.

Sei que é mais um consolo pra mim mesma e que é uma possibilidade remota, mas espero que ele esteja bem e que tenha encontrado uma pessoa que realmente zele por ele e o proteja dos perigos do mundo.

Um comentário:

  1. ai q coisa foofa o Alexandre, que olhinhos mais pidões!!!*__*

    ihh baby que nada, as fotos do Na Vitrine são todas do celular, por isso a qualidade não é tão boa, não tenho coragem de andar por aí com a máquina não!heheheh

    O spray de brilho da ecologie vc acha fácil fácil no shopping dos cosméticos da cohama ou então na farmácia são patrício, é maravilhoso!!!!=***********

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