11 de set de 2010

Alexis, o amor do sol e céu :)

Depois que Alexandre desapareceu por causa de um dono irresponsável, minha vontade de dar aos outros gatinhos da ninhada da gata comedora de morcegos uma vida digna se tornou ainda mais forte.Por vários dias deixava ração e agua para eles no pátio da escola e na laje, esperando que eles se acostumassem com minha presença e se aproximassem.

E, em um dia qualquer, acordei com um aperto no coração, algo me dizia que eu TINHA que passar no meu trabalho. Me arrumei depressa e fui para lá ( meu ex-emprego fica a alguns metros de minha casa ) . Mal cheguei e a faxineira se aproximou, surpresa - Como você adivinhou?! Já estava com o telefone pra te ligar!

Ela havia avistado um dos gatinhos correndo assustado pelo jardim e quis me chamar para pegá-lo. Procuramos pelos arbustos e vi aquele par de olhos unicos, um azul e o outro dourado, observando a gente com pavor. Imediatamente identifiquei que era uma femeazinha, branca encardida e muito braba. Quando tentei me aproximar ela saiu correndo e bateu ferozmente a cabeça contra a porta de vidro, antes de se confinar no banheiro.

Todos ficaram impressionados com a ferocidade daquela coisinha, mas era obvio que ela estava simplesmente com medo. Pedi um pano grosso e entrei no banheiro. Ela soltou vários grunidos e FSSS antes que eu a envolvesse com o pano e a enrolasse como um bebê, para tranquilizá-la.

Atravessei a rua e a levei para o petshop próximo. Pedi que dessem um banho e ração. A veterinária a achou linda, apesar da sujeira de meses acumulada no pêlo.

Telefonei para minha amiga de lar temporário e avisei que havia pego a irmãzinha do Alexandre. Fui organizar as coisas para recebê-la e quando retornei, a pequena selvagem havia se transformado em um floquinho branco, apesar do ainda insistente mau humor.


Não me lembro se ela foi batizada ainda no petshop ou no lar temporário, mas Alexis foi a unica coisa que veio a minha mente ao vê-la, desde a primeira vez. Um nome forte, mas com uma beleza especial, como seus olhos..

Como Alexis nunca tinha visto humanos, uma casa e cães antes, o estranhamento com tudo era natural. Então, ela encarou as duas cadelas de minha amiga como algo novo e não houve muito stress. Pelo contrário, a Bebelzinha ( também resgatada, salva de uma situação de maus-tratos ) a adotou como sua filhinha. A cheirava, lambia, tentava fazê-la se sentir confortável e ficava de olho, como uma verdadeira mamãe. Era muito gostoso de ver :)


Ela estava em um estado bem melhor do que Alexandre, mas ainda magrinha e acredito que, ao se separar da mãe, passou pelo menos umas 24hrs sem comer. Ela até mesmo mordeu minha amiga, sem querer, quando oferecemos ração :D

Dois dias depois de ter sido resgatada, levamos Alexis para castrar. Ela tinha aproximadamente 4 meses de idade.

Quando retornou estava enjoadinha e não queria usar a caixinha de areia. Foi com aí que aprendemos um truque infalivel para recuperar gatinhos magros e ariscos: ração umida de lata misturada com leite de soja.

Depois do primeiro prato, Alexis começou a ronronar! E depois se aproximou de nós pedindo carinho! Parecia uma criança que provava sorvete pela primeira vez e agradecia aos pais. Quase chorei de emoção :)


Durante os dias que se passaram de recuperação da cirurgia, Alexis tornou-se cada vez mais brincalhona e carinhosa. Não parecia em nada a gatinha selvagem de antes.


Ela já sabia brincar e implorar por cafuné e com a vermifugação e alimentação adequada, ficava cada vez mais bonita :) Na verdade, a beleza de Alexis, assim como a de Alexandre, foi o
que atraiu pessoas futeis a eles, infelizmente.


Uma moça, irmã de uma ex-membro do grupo que participo ( de novo! ) quis adotá-la. Escabriada com o que havia acontecido com Alexandre, peguei o telefone e conversei durante horas, contei o que havia ocorrido com ele, perguntei diversas vezes se ela tinha condições para cuidar dela, se a casa era segura e ela, claro, respondeu tudo satisfatoriamente. Como a irmã dela era um membro e sabia o quanto a estoria com Alexandre havia me magoado, tambem reforçou as boas credenciais da irmã.

Eu não tenho carro e apesar de ter conseguido carona para entregar os gatinhos pessoalmente na maioria das vezes, infelizmente não pude fazer o mesmo por Alexis.

A moça veio aqui buscá-la. Ela estava com quase 1.5kg a mais do que quando chegou, os pontos da cirurgia já cicatrizados, vacinada, vermifugada e totalmente socializada. A ex-membro e sua sobrinha vieram buscá-la. Passei quase uma hora revisando todos os cuidados, afirmando que se algo desse errado, poderia me telefonar, pedi que mandasse noticias. Tudo concordado e acertado, parecia uma adoção certa.

Entregamos Alexis com o um misto de alegria e tristeza, como sempre, mas com a esperança de dever cumprido. Ela foi resgatada em 21/10/2009 e adotada em 30/10/2009. Durante dois meses telefonei e mandei emails, pedindo noticias e nada. A moça nunca estava em casa, a irmã sempre dizia que Alexis estava bem, mas nunca me mandava fotos. A gota d'agua foi quando liguei avisando que as vacinas dela deveriam ser reforçadas e ofereci o telefone da veterinária, mas ninguem me deu retorno, então comecei a ser ainda mais insistente.

Até que dia 24/12 a dona me telefonou, dizendo que não a queria mais, que era mal comportada e fazia as necessidades nas mobilias. Perguntei se ela estava bem, se algo havia mudado na rotina, se a saúde dela estava bem e por acaso toquei no assunto dos vermifugos e vacinas. Ela disse que não havia levado ela ao veterinario por não ter dinheiro. A dona nem ao menos foi capaz de levá-la para tomar a vacina anti-rabica em uma campanha gratuita semanas antes.

Tive que esperar longos quatro dias até conseguir uma carona para buscar minha menina. A casa da mulher, um casebre, dentro de um terreno de barro. Alexis estava deitada no chão, com o pêlo vermelho. Magra. As bochechas fofinhas haviam sumido. A moça ficou envergonhada e tentou arrumar justificativas idiotas para não ter me dado noticias e não ter cuidado dela como havia prometido. Diante da minha indignação, não falei nada, pois palavras indignadas iriam sair da minha boca. Tudo o que importava era tirar minha filha de lá. Nem ao menos a coleirinha havia sido ajustada ou lavada durante todo aquele tempo.

Quando cheguei em casa, demorei uma hora para tirar a sujeira do pêlo dela, com um bom banho e ofereci uma ração de qualidade. Parecia que ela não comia bem a dias, do mesmo jeito que a peguei meses atrás. Tirei fotos e enviei para o grupo de protetores e todos ficaram inconformados.


A irmã da mulher ficou com raiva e se sentiu ofendida com os relatos, dizendo que a gata era fresca e mimada e que não sabia porque eu insistia em acompanhamento veterinário, que a gata estava bem tratada e que a irmã, mesmo pobre, quis dar lar a um bichinho e que ela não queria fazer parte mais do grupo. A presidente ficou ao meu lado, pois acompanhou o resgate de Alexis e é uma pessoa muito sensata e justa e lamentou a conduta dela.

Alexis tomou as vacinas que faltavam e o vermifugo. Felizmente a negligencia não abalou a doçura de sua natureza. Mamãe Bebel ficou felicissima ao vê-la novamente.


De alguma forma, Alexis me parecia cansada. Ela suspirava fundo e me fitava com seus olhos de céu e sol, como se desejasse por algo. Como todos os animais que são rejeitados, ela não entendia o que havia acontecido e estava meio tristinha.

Minha amiga e eu demos a ela muito carinho e amor durante os poucos dias que ficou conosco para compensar o que havia passado.

Felizmente, o destino de Alexis fora traçado de uma maneira muito especial.

No começo de dezembro estava conversando com uma jovem que queria adotar uma gatinha. Na epoca, a irmã deles, que havia sido resgatada nesse meio tempo, já havia sido adotada e estavamos mantendo contato para outra adoção e ela iria viajar e só retornaria após o Natal.

Ela se apaixonou por Alexis.
E mais uma vez, eu e minha amiga a entregamos. A nova familia de Alexis parecia o lado bondoso do mundo bizarro que ela havia se livrado.

Uma pessoa não precisa ser milionária para cuidar de um animal. Quando há boa vontade e carinho, nem mesmo um orçamento mais apertado é desculpa para negligenciá-lo. Já vi pessoas que ganham um salário minimo que guardam dinheiro para castrar seus bichos, compram vermifugos e se interessam em procurar informações para cuidar deles.

Alexis não precisava de rações premium ou ir tomar banho no petshop mais caro da cidade. Ela só precisava de alguem que se importasse.

Hoje em dia ela está muito bem. Gordinha, feliz, bem cuidada e amada, por toda a familia, como sempre mereceu :) Nunca cometeu nenhum dos delitos que a ex-dona a acusou.

Alexis fez seu primeiro aniversário este ano, apertada pela mamãe.


Parabens para minha menina de olhos de esperança. Desejo muitos e muitos anos repletos de felicidade para você :)

2 comentários:

  1. Oi!!! Tem selinho pra voce lá no meu blog! Beijos, Elaine.

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  2. parabéns pelo seu amor aos animais! você é uma pessoa muito boa e será retribuída por Deus!

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