19 de fev de 2011

Gatos e Pitbulls

Na minha opinião, um Pitbull é um gato reencarnado, onde o espirito forte e encantador combinam com um exterior imponente.

Eu tive o prazer de conhecer Pitbulls maravilhosos. Cães equilibrados, felizes e gentis, que vinham correndo até mim, querendo carinho e atenção, se apoiando em meus pés, tão sutis quanto um Nelore em fuga.

Do mesmo jeito que a maioria das pessoas não entende como eu posso amar tanto gatos, julgados como seres falsos, egoístas e traiçoeiros, paro na rua e acaricio Pitbulls sob o olhar satisfeito dos donos e das outras pessoas ao redor, que não acreditam na "louca fazendo festa para uma fera."


Infelizmente o preconceito também é um ponto em comum entre gatos e Pitbulls.

Essa semana o Animal Planet apresentou um documentário do diretor Bobby J. Brown chamado BRIGA DE CÃES, relatando as rinhas de Pitbull, os abusos cometidos contra os cães e o preconceito com a raça.

É verdade que os Pitbulls foram criados com o intuito de subjulgar touros na arena, mas com o passar dos seculos e evolução do pensamento humano, as lutas com touros foram extintas e ele transformou-se em um querido animal de estimação e a escolha de muitos como cães de família.

Eles tiveram seu período de glória, assim como as gatos que já foram reverenciados como Deuses. Infelizmente, a sorte do gato mudou na Idade Média e alguns preconceitos perduram até hoje. Essa mesma "caça às bruxas" atinge o Pitbull e tanto eles quanto os gatos sofrem com a ignorância humana que ameaça seu bem estar.

Hoje em dia os Pitbulls são associados à criminosos, como membros de gangues e traficantes. Mesmo já sendo cientificamente provado que pessoas que maltratam ou se divertem com o sofrimento dos animais possuem distúrbios psicológicos e uma grande chance de se tornarem serial killers, ainda há um grande número de pessoas que acreditam que ter um cão de briga passa uma imagem máscula, representa status, inflando um ego deturpado, principalmente se seu Pitbull for um campeão de rinhas, matando e dilacerando outros para o bolso dos donos.

O documentário apresenta um criminoso e sua rotina para "treinar sua cadela e transformá-la em campeã". O preparo se dá com condicionamento físico, uso de esteróides e modificação das presas, anestesiando a cadela e afiando seus dentes com uma lixa para que ela possa fazer mais estragos ao oponente.

Os marginais utilizam da lealdade do cão para submetê-lo a essas sessões de tortura. Tanto é errônea a idéia de que o Pitbull é um cão naturalmente agressivo que muitos deles foram mostrados tentando fugir dos oponentes e do ringue. E, infelizmente, a esses animais o fim se encontra em pauladas, fogueiras ou morte por inanição. Não são permitidos fracos ou covardes nesta atividade doentia que valida com quantias milionárias os donos dos cães sobreviventes.

E o que acontece quando a policia descobre um ponto de rinha e prende seus responsáveis e apreende os cães? Apesar da doçura que demonstram às pessoas mesmo com os corpos cobertos de cicatrizes, as autoridades não arriscam colocar para adoção um cão com esse tipo de histórico e encaminham para eutanásia os animais confiscados.

Os danos causados pelas rinhas são tão extensos que prejudicam a reputação da raça como um todo, afetando até mesmo os donos responsáveis e os animais equilibrados criados adequadamente. Nos E.U.A. em locais onde a criação do Pitbull foi proibida, os cães são recolhidos, os proprietários são multados e se escolherem permanecer com seus cães, são obrigados a se mudarem para outro estado ou cidade. E aqueles que estão em abrigos, esperam eternamente por uma família, sem nunca serem escolhidos diante do estigma criado ao redor deles.

De acordo com BRIGA DE CÃES, anualmente, para cada Pitbull que é adotado, 600 são postos para dormir e somente na Georgia, são sacrificados 1000 Pitbulls. Inúmeras vidas inocentes que terminam cedo demais, sem experimentar dignidade, por nossa causa.

Tragicamente o número de gatos está próximo a esta marca, já que bons lares e famílias responsáveis não são tão numerosos quanto os gatinhos que nascem por causa da irresponsabilidade de pessoas que não castram seus animais e daqueles que são covardemente abandonados.

Assim como os gatos, Pitbulls necessitam de um certo tipo de humano.

Não são todas as pessoas que conseguem compreender a natureza felina e para ter um Pitbull também é necessário a consciência do cão poderoso que está sob nossa tutela. Os Pitbulls não entram em um ringue, massacram seu semelhante e se tornam desequilibrados por opção. Ou melhor, qualquer cão pode se tornar um perigo para as pessoas ao encontrar um tutor medíocre e ele nem precisa participar de rinhas. E, não importa seu porte ou raça, no final, a verdadeira vitima é sempre o animal. Como é dito no documentário: Por que culpar a arma? Culpe o dono da arma. Uma arma só é perigosa quando o dono da arma puxa o gatilho.

Felizmente, apesar do grave quadro em relação à raça, assim com os gatos, Pitbulls também contam com pessoas devotadas, que os criam com outros cães, com seus filhos pequenos, plenamente socializados e integrados à vida domestica e à sociedade. Donos, Ongs de resgate, treinadores especializados em reabilitação de animais negligenciados, abandonados e até aqueles que foram agredidos e mutilados por humanos ignorantes.

Os amantes de Pitbulls que aparecem no documentário defendem a idéia da obrigatoriedade de uma licença para a criação de qualquer animal, argumentando que as pessoas têm o dever de conhecer as particularidades e principais cuidados da vida pela qual desejam ser responsáveis, evitando assim futuros abusos e abandonos e com condenações mais severas para estes crimes.


A Nakira foi um exemplo desta raça para mim, foi a razão de eu amar tanto Pitbulls hoje em dia. Uma cadela maravilhosa. Sabia dosar suas horas de proteção ao seu lar e docilidade ao irmos passear, balançando alegremente seu rabo ao morder um galho, rolar na terra ou ficando ao meu lado, enquanto eu visitava e cuidava dos resgatos internados na clinica veterinária onde ela morava.

Nakira foi assassinada com chumbinho jogado pelo muro de sua casa. Seu dono era um veterinário e ele não conseguiu salvá-la. Quando o Ulisses estava prestes a ter alta da clinica , visitei o quintal que a Nakira costumava brincar e senti minha garganta apertada pela ausência daquela cadela tão nobre que somente havia me dado momentos alegres.

Faço minhas as palavras das pessoas decentes e dignas do documentário, que me fazem acreditar que há esperança de um futuro melhor não somente para os Pitbulls ou gatos, mas para todos os animais:

"Temos que voltar ao tempo em que tínhamos um cão ou um gato e nossos filhos amavam e cuidavam deles.

Precisamos criar crianças boas para o futuro.

Possuir um animal é um privilégio."


7 comentários:

  1. errados são os humanos que tentam ensinar a violência aos animais! os bichos são da paz!

    ResponderExcluir
  2. Me parte o coração ver seres tão especiais expostos a brutalidade e imbecilidade humanas.
    Até quando?... me pergunto sempre.
    Em pleno século 21 admitir que pessoas se divirtam nessas abominações é algo que não consigo absorver... uma pena, um lamento...
    Beijos querida, linda semana para todos vocês.

    ResponderExcluir
  3. Oi adorei o post e concordo plenamente. Inclusive no meu blog entrelivrosegatos.blogspot.com mostro a história de uma Pitbull chamada Morphina que amamentou uma gatinha filhote resgata pelo seu dono.

    ResponderExcluir
  4. Olá amiga, também amo os animais.

    Possuo uma pitbull, linda, alregre, carinhosa, mas ela não se da nada bem com os gatos que tenho.

    Tudo começou quando ela atacou uma cadela velha que tinha. Rasgou sua nuca, mas sobreviveu. Depois disso não deixamos mais ela junto com outros animais (cadela velha e 4 gatos), com medo que ela fizesse o mesmo.

    Como nao podemos controlar os gatos sempre, eles iam ao local onde a pitbull tem acesso. Ela já atacou algumas vezes os gatos, mas não chegou a mata-los.

    Hoje tenho a pitbull e 2 gatos (um sumiu e outro morreu de infecção). E hoje minha mãe me deu a triste noticia que ela havia matado um gato que aparecia por casa, provavelmente de um vizinho proximo. Ela disse que o pobre gato não teve chance: ela rasgou sua barriga e mastigou sua cabeça.

    Não sabemos o que fazer... Amamos demais a pitbull, não queremos nos desfazer dela nem dos gatos, mas sabemos que se deixar algum gato junto com ela, ela ataca.

    Dá um aperto no coração de pensar na possibilidade de ter que sacrificá-la.

    Por favor, dê-me conselhos do que fazer ;(

    ResponderExcluir
  5. Franco, se sua cadela tem esse problema pq vc ainda a mantém em um local em que ela possa ter acesso aos gatos? Não tem como construir um canil ou telar a casa para que os gatos não saiam? Cães e gatos somente toleram um ao outro e formam laços de bando se forem criados desde pequenos. Sua cadela não deve ter tido esse tipo de socialização e já que ela tirou a vida de gatos acho dificil ela parar com esse comportamento. E quem tem que evitar que isso aconteça somos nós, já que somos os seres pensantes da estória.

    E outra... gatos que tem acesso à rua não somem. Eles morrem dolorosamente nas ruas, de fome, doenças, crueldade humana ou atropelamentos. E como o gato do seu vizinho, saiu e morreu nos dentes de um cão.

    Mantenha seus animais castrados e dentro de casa, somente assim eles estarão seguros, você tendo uma pitbull ou não, afinal as mazelas do mundo não se limitam a um cachorro.

    Não há pq sacrificar a cadela se pararmos para pensar em dezenas de outras alternativas mais simples e que já podiam ter sido tomadas a muito mais tempo.

    Espero que eu tenha ajudado e que as mortes por aí tenham um fim.

    ResponderExcluir
  6. Oi, pois então, pegamos a pitbull para criar desde filhote, e sempre esteve junto com os gatos, ela cresceu junto a eles e a outra cadela, até o dia que ela a atacou.

    E justamente como você falou, o gato que sumiu era o unico que nao era castrado :/

    Bem, irei pensar no que fazer, mas nao irei sacrifica-la.

    Obrigado

    ResponderExcluir
  7. Então, Franco o problema vem da linhagem de sua cadela. Você conheceu os pais? Sabe se eles tinham algum problema comportamental?

    Infelizmente hj em dia é muito raro vermos um animal plenamente representando o que a raça deve ser, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Muita gente estupida cruza seus cães de companhia por puro capricho ou para explorá-los economicamente e se esquecem que isso é um trabalho de PROFISSIONAIS, criadores sérios e comprometidos com a raça e que ESTUDAM durante anos e anos para produzir melhores exemplares, de saude emocional e fisica integras.

    Eu não sou adestradora e não conheço plenamente sua cadela ou o historico e dia-a-dia dela, mas me diga onde você mora e posso tentar encontrar bons profissionais e indicá-los a você :)

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.