31 de mar de 2011

2º Entrevista :)

Desculpem o sumiço, mas foi uma semana atarefada e a inspiração havia sumido de mim por completo. Mas, felizmente, semana que vem teremos um post novo e muito especial para mim :)

Para terminar a minha rápida visita à realidade da veterinária para gatos em São Luís, tenho o prazer de apresentar a entrevista do Dr.Jairo Ferreira.

1- A quanto tempo exerce medicina veterinária?

Recebi meu diploma em 2009, porém, vivo a veterinária desde o 7º período da faculdade, quase um rato de hospital, na Universidade Estadual do Maranhão.

2- Qual sua área de atuação e por que a escolheu?

Atendo pequenos animais (clínica médica e cirúrgica de caninos e felinos), com muito foco em anestesiologia. A escolha, na verdade, foi um processo natural. Sempre gostei de cães, daí, para querer tratá-los, é uma linha tênue. A anestesiologia foi pelo interesse em controle da dor , processos ligados ao sono entre outras coisas.

3- Em média, qual seria o seu percentual de pacientes felinos mensalmente? Em sua maioria são animais de raça pura ou SRD’S?

É muito variável, mas atendo um número baixo de felinos, em média de 8/mês. Maioria SRD.

4- Quantos desses gatos possuem donos que praticam a guarda responsável? ( Animais castrados, que recebem ração de qualidade, atendimento veterinário periodico e criação indoor? )
Na verdade nem todos seguem esses parâmetros à risca, mas diria que em torno de 40% dos proprietarios os criam de maneira adequada.

5- Para aqueles donos que ainda não praticam a guarda responsável, quais são os seus métodos para a conscientização ( principalmente quanto à castração, que possui maiores índices de rejeição e preconceito ) ?

Muitas vezes falta conhecimento às pessoas. Procuro saber a razão de certas medidas não serem tomadas e tento tirar as dúvidas dos proprietários em relação a elas. Isso tranqüiliza muitos proprietários. Porém, também mostro o lado negativo ligado a muitos mitos que a sociedade criou em relação aos gatos e à castração.

6- Tem conseguido resultados positivos com sua abordagem? Quantos donos, em média, já conseguiu conscientizar?

Sim, vários clientes já levaram seus animais para a cirurgia depois de uma boa conversa. Não sei precisar o número.

7- Os brasileiros tem uma grande rejeição quanto a cuidados médicos preventivos. Na sua opinião, os donos de gatos também possuem esse comportamento?

Sim. Pouquíssimos se importam em saber um pouco mais sobre os seus animais - e em parte, nós veterinários somos responsáveis por isso. Entretanto, isso está mudando lentamente. Já atendi muita gente que levou seu cão porque queria saber o que deveria fazer para tê-lo sempre saudável - perdi o número de consultas desse tipo na residência.

8- Entre os gatos de raça pura e os SRD’s, a qual grupo é dado maiores investimentos veterinários por parte dos donos?

Se levar em conta a proporção entre SRD e gatos de raça, fica tendencioso, porém, não vejo muita diferença em relação a isso. Proprietário de gato é um cliente diferente, é mais exigente e, por isso, não tem muito da idéia de que se o animal for de raça valha mais a pena, quer saber é que seu animal receba o tratamento adequado.

9- Quais seus principais casos clínicos e cirúrgicos em felinos? Desses casos, quantos são de gatos que os donos não praticam guarda responsável ?

Nos casos clínicos se destacam os do trato urinário inferior, os renais, intoxicações, brigas e atropelamentos, além dos problemas dermatológicos. Para cirurgia, muita cesariana e animais com fraturas em decorrência de queda ou atroplemanto.

10- Qual o caso mais bem sucedido, envolvendo gatos, que já atendeu?

Um que eu gosto muito de lembrar é o da gata atropelada e que levei para a cirurgia pois ela estava com hérnia diafragmática, eventração em região inguinal e que estava prenhe, daí na cirurgia descobri que ela também tinha ruptura uterina. Depois de 3h de cirurgia, ele saiu bem (graças ao apoio da equipe – Dra. Tarsila e Dra. Jackeline) e está há aproximadamente a um ano e meio como se nada tivesse acontecido.

11- E qual o óbito que mais lhe marcou?

Recentemente foi o do Rico ( que passou por um longo tratamento ). Mas teve um gato que e é como o gato de Schrödinger para mim, o Romário, um mestiço de siamês de 13 anos com um tumor envolvendo baço, fígado e estômago. A proprietária nunca deu retorno.

12- Qual sua reação diante de um dono que, mesmo pondo a vida de um animal em risco, recusa-se a custear o tratamento?

Fico com muita raiva (na verdade a palavra é outra!)
Eu tento avaliar quem realmente quer fazer alguma coisa e tento facilitar para esses. Aos que não se encaixam nesse grupo, chamo a atenção e faço críticas e teve gente que não gostou, mas não ligo!

13- Já denunciou ou quis denunciar algum dono por maus-tratos a seu animal? Qual a ocasião?

Todos os que chegam com miíase (bicheira) sempre me deixam com extrema raiva. Não lembro bem do caso, mas durante minha residência houve uma pessoa que abandonou seu animal na porta do hospital e eu anotei placa de carro e mandei bloquear a saída no portão da UEMA.

14- Como foi sua preparação durante os anos de faculdade para lidar com felinos? Os professores foram satisfatórios em repassar conhecimentos específicos para o trato de gatos?

Não foi das melhores. É uma das coisas que precisam melhorar no nosso curso!

15- Várias pesquisas já apontaram que o Brasil está seguindo a tendência de países como o Japão e Inglaterra, onde os gatos são maioria em numero de animais de estimação e clinicas somente para gatos já é uma realidade em nosso país, assim como uma classe médica especializada para estes pacientes. Na sua opinião, a classe médica veterinária de São Luís é preparada para prestar atendimento de qualidade aos felinos ( levando em consideração suas particularidades e seus proprietários ) ?

Só conheço uma clínica com ambiente específico para felinos. Porém, acredito que se deva ao fato de que a rotina para felinos seja muito pouca.

16- Qual sua opinião quanto aos protetores? Em média, quantos animais resgatados e para adoção atende por mês?

Acho interessante a ação dos protetores, entretanto existe um problema com a maioria deles: impor a responsabilidade por um animal que ele recolheu às outras pessoas, especialmente os veterinários.
Não consigo dizer com precisão quantos animais resgatados atendo por mês, mas, somando cães e gatos, não chega a 15% - e não tem uma diferença muito grande entre os números de cães e gatos.

17- Oferece seus serviços e conhecimento para a causa de proteção animal? De que forma?

Já participei de campanhas, procuro ajudar animais de resgate que chegam até mim com custo mínimo.

18- Em sua opinião, quais as principais vantagens de adotar um gato de um protetor?

Se for um protetor realmente consciente, são inúmeras: animais castrados, vacinados, vermifugados, com orientações passadas pelo protetor e auxílio do veterinário de confiança.

19- Deixe uma mensagem para uma pessoa que deseja adotar seu primeiro gatinho.

Antes de adotar, tenha certeza de que é realmente isso que você quer e que outras pessoas que dividem o mesmo espaço com você estejam de acordo. Tenha a consciência de que o animal precisa ter qualidade de vida. No mais, toda a alegria, carinho e dedicação dispensados pelo animal, valem a pena qualquer esforço!

Dr.Jairo e Michaela - minha primeira resgatinha de 2011
( fico devendo a estoria dessa bebê linda para vocês! )


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