16 de abr de 2011

Amor Tricolor :) #1

Tricolores são minha paixão.

São as únicas gatas que eu escolheria, apontaria o dedo e falaria – quero essa!

Tricolores, como o próprio nome diz, são gatas de três cores, acompanhadas ou não com mais misturas de pelagem, podendo apresentar um casaco branco com manchas pretas e douradas. Também existem as escamas de tartarugas “torties” com o fundo negro salpicado de dourado.

Mas não por causa exclusivamente do belíssimo pêlo. O que mais me encanta nessas gatinhas é sua personalidade. Durante todos os anos ao redor de gatos nunca encontrei uma gata tricolor que não tenha sido um exemplo de carinho, amabilidade e alegria.

Minhas primeiras duas gatas eram tricolores, sendo Sortuda a melhor representante da pelagem. Corpo completamente branco e o dorso preenchido por manchas douradas e pretas que iam da ponta do rabo aos olhos, em uma mascara envolvendo as pequenas pedras douradas dos olhos.

No Japão os gatos tricolores são os mais apreciados por causa da lenda do Maneki-neko que trouxe sorte e salvou um nobre de ser morto por um raio. Não é raro vermos esses gatos ou estatuas em templos com a patinha levantada, distribuindo charme e sorte aos visitantes.

Infelizmente aqui no Brasil o preconceito com os gatos ainda é muito disseminado. Há preconceito contra gatos em geral, contra os pretos, contra gatos adultos, há preconceito contra gatos chamados “comuns”, como os preto-e-brancos e tigrados, mesmo que nós saibamos que não existe algo como um “gato comum”, já que todos esses felinos são seres extraordinários.

Então por que as tricolores e escamas de tartaruga com suas pelagens e personalidades maravilhosas infelizmente se inserem nesse grupo que sofre preconceito?

Aqui o problema é ainda mais fútil. As escaminhas e tricolores são rejeitadas por aqueles não conseguem enxergar além de uma beleza superficial, por aqueles que atribuem a um animal um “valor” estetico pelo que apresentam, ignorando o que são.

Gatinhas escamas de tartaruga ou tricolores são uma roleta russa de cores. Elas podem vir nas mais variadas padronagens e, infelizmente, a maioria delas não é muito aceita, especialmente aquelas que possuem o rosto inteiramente preto ou com pinceladas distribuídas erraticamente. O comentário que mais escutamos, principalmente com as escamas de tartarugas e suas lindas luzes no casaco negro é: - Meu Deus! Ela tá doente? É sarna?

E lá temos que buscar paciência e educação para explicar e muitas vezes a gatinha em nosso colo ainda recebe um olhar constante de asco.

Mas, ainda bem que existem dois lados da mesma moeda. E eu agradeço pelas pessoas do lado de cá. Pessoas que amam suas tricolores e escaminhas do mesmo jeito que eu, que conseguem ver a beleza única que TODOS os animais. E é com prazer que inicio a uma curta série de estórias de Amor Tricolor a essas meninas maravilhosas :)

Amor #1 - Jackie & Capitu

Uma gatinha estava presa em um bueiro, e, exercitando os pequenos pulmões em um dia de chuva, conseguiu chamar a atenção daquela minha colega, gateira assumida que não conseguiu virar as costas pra um gatinho em apuros, mesmo quando não conseguiu a ajuda dos bombeiros para abrir um bueiro com tampa de concreto.

Vizinhos se compadeceram do choro da garota e a ajudaram. Um filhote, com pouco mais de um mês, faminto, encharcado e com pulgas foi resgatado.

A garota tratou do bebê, banhou, aplicou anti-pulgas, alimentou, e começou a educá-lo para uma vida doméstica. Porém, a garota que o resgatou estava com viagem marcada e mudança definitiva para outro estado. Sabendo que eu buscava um gato para adotar, me ofereceu o filhote.


Capitu em sua primeira noite em casa

Meu coração me fez dizer sim quando ela me propôs a adoção. Eu não quis nem ver a gatinha. Simplesmente disse sim. Desisti de pegar um outro filhote que já estava “encomendado” pra mim, aguardando desmame. Aquele tinha mãe do lado, tinha uma casa pra ficar. A pequena do bueiro não tinha isso. Quando vi aquela coisa pititica, pensei duas coisas: “Como eu vou dar conta de cuidar de algo tão pequeno e frágil? Eu nem sei segurar isso!”

O outro pensamento foi: “Que raio de cor esquisita tem esse gato! Será que essa cor manchada é normal ou ela está doente?”

Depois da despedida, ela veio pra minha casa. Instalei suas coisinhas num banheiro não utilizado do apê e a soltei da caixa de transporte. Ela foi direto para a caixa de areia, estava perfeitamente educada, ao ponto de não fazer xixi na caixa de transporte.

Passei a noite acordada olhando o bichinho. Estava muito assustada. Eu olhava aquela coisinha, que parecia de brinquedo, se mexendo sozinha, e amava mais a cada segundo.

Nos encaramos a noite toda. E eu pensava: que nome dar a esse tico de gato? E aqueles olhos imensos continuavam a me olhar. Na manhã de sábado, assim que a clinica veterinária abriu, estávamos lá. A veterinária tinha sido escolhida depois de muita pesquisa. Ela examinou o bichinho e deu dicas preciosas para a mãe de primeira viagem.

Quando a tirei da caixa, logo perguntei: Esse gatinho está saudável? Essas manchas são normais?

A veterinária pegou um livro sobre gatos, abriu e me mostrou, explicando:

“É normal sim. Essas manchas são um padrão de cor, chamado “escama de tartaruga”. Ela é uma gatinha tricolor escama de tartaruga. Linda por sinal. Vai ficar uma gatona muito bela.”

Me contou que persas com esta cor são até mais caros, não que isso me importasse.

Eu, num primeiro momento, reagi como muitos diante de uma escaminha. “Que gato esquisito!”

Mas em nenhum momento meu coração deixou de ser dela. Passou a ser dela mesmo antes de vê-la, ao ouvir o relato de seu resgate.

O pinguinho de gato foi examinado, vacinado, vermifugado. Ao fazer a carteira de vacinação, a veterinária me cobrou o nome. Eu olhei bem a gata. Ela me olhou. E eu decidi: CAPITU.


Desde o dia 29 de outubro de 2010, ela é a minha grande companheira. Eu a vi crescer, passei sustinhos com cada situação do dia a dia. Nós duas nos entregamos uma pra outra. Ela se tornou meu tesouro, e me entregou sua confiança. No primeiro fim de semana em casa, já veio dormir no meu colo. É a gata mais doce do mundo. Me recebe todos os dias de barriga pra cima no pé da porta. Dorme do meu lado, me acompanha enquanto cozinho, assisto TV, estudo, e mesmo no banho, fica me esperando na porta do box do banheiro.

Chorei de desespero quando ela vomitou pela primeira vez. Fiquei agoniada quando a levei pra castrar,e chorei quando a entreguei pra veterinária. Morri de rir quando ela me acordou numa madrugada dessas, pra me entregar um louva-Deus que tinha caçado...

Me acorda com lambidas no nariz todos os dias. Me protege de mariposas e besouros que invadem nossa casa. Sim, nossa casa! Porque este lugar que antes era vazio e frio, se tornou um lar desde a chegada dela. Agora, quando me perguntam, eu não respondo que moro sozinha: moro com minha gata!

Muitas pessoas acham um exagero o tratamento que dou pra ela. Cheguei a ouvir que escolhi um “gato feio”. Que gatos branquinhos, amarelos, tigrados são mais bonitos. Que não se deve gastar tanto com um “vila-lata”.

Todos os autores destes comentários perderam espaço na minha vida. Minha Capitu é a princesa felina mais graciosa da face da terra. Horríveis e sem valor são as pessoas que desmerecem uma vida por uma aparência diferente.

Hoje, ela tem sete meses. Está aqui deitada do meu lado enquanto escrevo este texto. Em cinco meses de convivência, não consigo mais imaginar como era minha vida sem ela.

Eu não sei mais ser feliz sem receber um Ron Ron da gata mais valente ( pois gritou por sua vida! ) e mais carinhosa que conheço.

E o tiquinho de gato cresceu e chama a atenção de quem a vê, com seu pêlo lindo, com luzes naturais e seu focinho simetricamente dividido.

Esta tricolor me trouxe a alegria que andava meio ausente na minha vida."

“Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.”

( Machado de Assis - Dom Casmurro )


12 comentários:

  1. Mais um post perfeito, Otávia, parabéns! Eu também não consigo dizer que moro sozinha. Moro com meus cães e gatos e entendo perfeitamente o sentimento da Jackie. Capitu é uma gata de sorte e é linda!

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  2. Que lindo relato!
    Só quem tem uma escaminha sabe como elas são incríveis! Doces, amorosas, companheiras. A minha é a miss siompatia da casa!
    Parabéns Jackie e vida longa para a Capitu!
    Bjs
    Stela e Camille

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  3. Ai que fofo!!!!!
    Eu amo as escaminhas!!!!
    Um beijo

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  4. A personalidade das escaminhas eu conferi ao vivo no dia em que a Jabulani, lá da Confraria, saltou no colo do futuro dono pra não deixar dúvidas de que era ELA que ia pra casa com aquela família rs.rs. Mora hoje em uma casa com duas crianças, e pelo que eu vi dela brincando com a minha filha, aposto que não há melhor lugar pra ela.
    Escaminhas rules! :)
    (eu mesma não tenho nenhuma, mas pode anotar aí, no dia em que eu me mudar pra uma casa maior....)

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  5. Que dizer?

    Adoro exibir minha filha felina!!!rsrs

    Obrigada Otávia, por estar divulgando o valor dessas gatinhas tão mágicas!!!

    Eu, que nem conhecia gatos tricolores e pensava em um amarelo, hj não hesitaria a pegar muitas trikinhas!!!!

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  6. Linda história. Também fui transformada pela chegada de Ariel em minha vida, coisinha miúda que hj tem 5 anos. Ele trouxe o Romão, o Vitinho, a Vitória, o Davi... E mais os 60 abandonados em um parque... E mais os 400 da ONG Novelo de Lã que faço parte.
    Todos SRD lindos e amados. Apesar de todo o sofrimento, eles nos dão muito amor.

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  7. Preciosa gatinha com fios de ouro no pelo.
    Sou mãe de dois irmãs "calico cats" como se chamam aqui nos Estados Unidos.
    Em Alemanha o nome deles é "Glückskatzen", gatos que traem sorte.
    A Molly tem as cores bem definidos, a Tina tem um pelagem diluído, e posso confirmar que são super carinhosas e muito amáveis

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  8. Uau...linda história Jackie! Eu tb tenho uma, minha primeira gata, e com ela aprendi a amar os gatos. Ela é a rainha da casa, meu amorzinho, e não consigo imaginar um jeito melhor de começar a ter um gato!

    A sua Capitu (e eu AMEI o nome, porque sou apaixonada por essa história) é linda demais, uma lutadora!

    Beijos pra vc, pra Capitu, e pra Otávia!

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  9. MARAVILHOSO TEXTO!!!!
    AMAMOS SABER DAS TRICOLORES...AQUI EM CASA SÃO 4 AMADAS FILHINHAS.
    OBRIGADA OTAVIA POR ESTE TOPICO.
    FELICIDADES BLOGUEIRAS!!!!

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  10. Nossa, muito lindo, como eu não conheci esse blog antes? Sorte que acompanho o mãe de cachorro e tive o prazer de conhecer vocês!
    Minha hst foi diferente, eu nunca tinha visto uma tartaruguinha e quando vi foi amor a primeira vista! Era uma gata da dona da agropecuária, nunca vou esquecer, eu me encantei tanto por aquelas cores, era muita perfeição, eu nunca mais esqueci aquela gatinha..
    Anos depois babando num site de adoção, eu vejo a minha delícia e soube na hora que ela tinha que ser minha! Liguei correndo pra mulher, fiz o meu namorado na época passar lá e pegar a minha nova baby linda do outro lado da cidade!
    Meu bebê é a coisa mais delícia do mundo e realizou um outro sonho meu, ter um gato 'conversador'! Oiix meu baby adora uma conversinha e eu amo mais ainda x)
    Adorei a hst da capitu, e ela tem o narizinho que nem a minha linda, 'metadinhaa'!
    Beijoo

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  11. Que história linda! E bem escrita! <3

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  12. Resgatei uma ninhada abandonada onde divulgavam ser 4 filhotes com menos de um mês, antes de conseguir buscar, um foi pra rua e morreu atropelado, pobrezinho. Me apressei, era um dia frio e úmido, e a noite vinha chegando. Busquei-os e aí chegar em casa fiquei impressionada com três bebezinhos tão pequenos, achei que não passariam daquela noite, estavam com rinotraqueíte a ponto de não abrir os olhinhos. Eram dois sialatinhas e uma encaminha. A encaminha era a maiorzinha, mais fortinha e espertinho dos três. Entre os sialatinhas, o machinho estava aparentemente mais espertinho e a femiazinha era a mais debilitada entre eles. Providenciamos leite na seringa e uma cama quentinha para eles. Os dias foram se passando e os pequenos melhorando, exceto o machinho sialatinhas que teve uma recaída, rapidamente desenvolveu pneumonia e anemia profunda, internados, mas não teve jeito, perdemos o pequeno... Sofri, chorei, mas tinha que continuar... Já tinha em casa a Lola, uma gata preta resgatada da rua bem novinha tbm, a dois anos atrás, e até então ela se negava a aceitar os bebês... Passou uma semana sem descer de cima do guarda-roupas.
    Enfim, tudo isso pra contar que minha encaminha é a coisa mais gostosa que existe, é super apegada a sua irmãzinha sialatinha e tbm gosta da Lola, que acabou aceitando-as. O nome delas: Nutella (encaminha) e Bolacha (sialatinha). Amo de paixão essas coisinhas que até um tempo atrás eu não conhecia. Gatos são tudo de bom!!! (Ah, só a título de informação, temos aqui em casa tbm 3 cachorras e um casal de calopsitas).

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