13 de mai de 2011

A castração e o alívio de tristezas


( o blogspot.com deu pau e deletou esse post - e comentários - no dia em que foi originalmente escrito 11/05 )

5:09 da manhã.

Eu acordei depois de ter ido dormir muito cedo – para meus padrões – às 21:30 da noite.

O motivo de ter ido para a cama tão cedo é a dor no corpo e nos meus joelhos – as rotulas dos dois saem do lugar sozinhos – devido a uma tentativa de resgate ontem à noite.

Estava eu no trabalho quando o pessoal me chama dizendo que havia um gato preso dentro do motor de um carro. Eu sou traumatizada com isso, pois minha amiga já resgatou um bebezinho que teve o braço dilacerado pela corrente do motor, o infeliz somente o pegou e o largou na calçada para morrer, antes que minha amiga o resgatasse. Infelizmente mesmo com os cuidados de emergência ele não sobreviveu.

O gatinho miava desesperadamente. Pegamos a chave do carro com o dono – que trabalhava em frente – e fiquei sabendo que fazia dois dias que o gatinho estava lá dentro. E é claro que logo começaram a chegar os comentários idiotas e ignorantes que eu rebati um a um, fora a minha cara, felicíssima com a situação. EU mudo totalmen te de feição quando vou resgatar um animal, fico muito focada e ODEIO quando as pessoas ficam dando opiniões toscas sobre o assunto.

Cutuca dali, mexe de lá, o dono do carro vem e liga o motor, finalmente o filhote desceu do carro e foi esconder-se debaixo de outro. Lá tentei atraí-la com comida – era uma escaminha de tartaruga, no máximo com 3 meses de idade, uma das patas totalmente sem pêlo, provavelmente queimada pelo calor do motor, extremamente assustada e miando muito. Minha aluna – que também adora animais – se prontificou a ir ao supermercado ao lado e trouxe sardinhas e uma lata de patê. A gatinha estava morrendo de fome e começou a comer os pequenos pedaços que jogávamos para ela, mas sem querer aproximação. Provavelmente além do susto do carro, ela deve ter sofrido algum tipo de maltrato anteriormente.

Ficamos quase 2 horas tentando resgatá-la. Ela corria de um lado para o outro, escondendo-se debaixo dos carros, chamei minha amiga para trazer a caixa de transporte mas ela novamente se escondeu dentro de um carro e não havia mais nada que pudéssemos fazer já que agora ela não tinha nenhuma motivação para sair, além de estar muito mais assustada. Ainda tentamos por algum tempo, mas desistimos.

Depois soube que uma colega de trabalho acabou “levando-a” para casa, dentro do carro e ao chegar à garagem a gatinha desceu e saiu correndo por lá. É mais uma na rua para morrer...

Nesse negócio de ajoelhar, sentar no chão, olhar por debaixo dos carros, além do stress da situação por mim e pela gata, fiquei esgotada. E o pior é a sensação de impotência, de não ter conseguido fazer nada e ainda confirmar o descaso e irresponsabilidade que as pessoas têm pelos animais. Custava terem ficado calados? Se eu estava ali, preocupada, tentando resolver uma situação que não foi causada por mim – a gata não é filha do Arthur e com certeza não fui eu que a joguei fora – custava terem respeitado e ficado em silêncio?

Nenhum animal ESCOLHE entrar em um carro, isso é motivado por medo.

Nenhum animal ESCOLHE estar na rua, isso é causado pela ignorância de não castrar e pela crueldade de ainda abandonar.

Neste mesmo dia, minha amiga pegou um bebezinho na faculdade dela, onde um professor decretou guerra aos gatos e manda matá-los com veneno ( os alunos estão revoltados e entrarão com medidas junto à reitoria ) e apesar de muita gente dizer que queria, ninguém podia levá-lo ( típico... ) e ainda deram leite comum para o coitado. Fui lá vê-lo, uma bolinha minúscula de não mais de 40, 45 dias, chamando pela mãe que lhe foi tirada. Demos NAN sem lactose misturado em patê, como uma papinha e ele comeu bastante, mas como ainda não foi ao banheiro, voltamos somente para o NAN para não forçar o intestino.

Filhotinhos ainda não possuem todos os movimentos para que o estômago e intestino funcionem corretamente sem a mãe por perto para estimulá-los com a língua, já perdemos um filhotinho por prisão de ventre e estamos muito preocupadas.

Pelo menos o Heitor está conosco, já temos experiência com filhotinhos, a salvo e quentinho, mas fico extremamente revoltada quando alguém tem a coragem de tirar um filhote da mãe, que junto a ela não dá trabalho nenhum até o desmame. Custa esperar o bichinho fazer 2 meses de idade e tentar uma adoção? Do que adianta fazer isso se a gata irá ficar no cio mais rapidamente sem os filhotes e, é claro, não castrada, colocará mais no mundo apenas para serem abandonados?

Você não quer filhotes, CASTRE SEU ANIMAL, muito simples.

E não seja covarde, abandonando um bebê indefeso à própria sorte, isso só demonstra falta de humanidade.

Depois dessas ultimas duas experiências de ontem, aviso que SIMPLESMENTE NÃO DÁ MAIS para conviver e aceitar pessoas que acham que não tem responsabilidade social com filhotes de seus bichos. A minha tolerância, que já era pouca, ESGOTOU-SE DE VEZ.

Eu não consigo mais conviver com alguém que não acredita em castração – mesmo com TODOS os benefícios – e pior, REPASSA animais sem o mínimo de conhecimento sobre Guarda e Doação Responsável, acreditando que longe dos olhos o sofrimento deles não é real.

Antes eu costumava defender a castração dizendo que era um ato de amor, mas infelizmente pouquíssimas pessoas realmente amam os animais.

O que mais vemos é bicho que é repassado, pois a pessoa perdeu o interesse, nasceu criança na família, apareceu uma alergia. Cães e gatos deixados para trás quando a família se muda. Animais fogem, se perdem nas ruas e acabam – se não morrerem – aumentando ainda mais os números do abandono, isso se não forem roubados e explorados comercialmente como reprodutores por criadores de fundo de quintal, então agora digo que gente INTELIGENTE e RESPONSÁVEL CASTRA SEUS BICHOS.

Além dos inúmeros benefícios para a saúde do animal, A CASTRAÇÃO É A ÚNICA MANEIRA DE ACABARMOS COM O ABANDONO.

Centenas de organizações e protetores independentes ao redor do mundo, se responsabilizando pela ignorância e estupidez alheia e o aperto em nosso coração não é NADA, se comparado a dor do abandono, fome e maus-tratos que esses animais sofreram até serem salvos.

Enquanto a sociedade como um todo ( governantes e cidadãos ) não se educarem, a cada Heitor que é ajudado, milhares de outros animais morrem sozinhos e a míngua, sem esperança.


"Lutei em diversas guerras. Algumas por território, outras por poder e algumas por glória. Mas lutar por amor faz mais sentido do que todo o resto."

TRÓIA

2 comentários:

  1. Querida, muita força!
    Para que ele consiga evacuar, molhe uma esponja macia com água morna e passe na barriguinha (de cima pra baixo, em direção aos órgãos genitais), imitando a lambida da mãe. Só assim eles conseguem fazer cocô nessa idade. Sem esse estímulo, não rola. Mas é rapidinho, faz efeito em poucos minutos.
    Beijos!

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  2. É complicado, mesmo! Eu também estou nessa fase de tolerância zero!!!!!!!!

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