31 de mai de 2011

Esperança?

Depois de 3 hrs de desespero em minhas redes sociais, consegui um novo Lar Temporário para o Feijão, de uma moça que já o queria por definitivo, mas ainda precisa da aprovação unânime de todos na familia.

Ela se ofereceu para abrigá-lo por alguns dias e se tudo der certo, se tornará definitivo.

Eu fico feliz, mas ao mesmo tempo, recolho-me no meu direito de ficar com o pé atrás.

Sou uma pessoa que não me decepciono fácil, já que tento não esperar muito dos outros e ser o mais auto-suficiente possível. Para que eu tivesse coragem de pedir doações para o Nick e Feijão foi preciso a quebra de algo em minha alma e não estou exagerando.

E eu já me decepcionei muitas vezes. E apesar das cicatrizes eu sobrevivi a todas elas.

Mas não me decepcione em relação aos meus bichos. Não faça a eles nenhum mal ou traga nenhuma tristeza.

Essa é uma das coisas que não existe perdão nem explicação. Pois falhar com um animal é ter que deixá-lo em uma gaiola, é deixá-lo na rua, com frio e fome, é deixá-lo sem o direito de ser amado.

A ultima vez que cuidei de um cão, uma cadela, na verdade, eu a decepcionei.

Castração feita, lares sendo procurados, esquecemos de algo primordial - e cruel - para com os cães. O exame de Leishimaniose. E o dela veio positivo.

Ao levarmos para o veterinário ele notou as já presentes alterações e deterioração em seu organismo. Ela não possuía casa, não poderia voltar para o Lar Temporário e poderia ser tirada de nós se alguém denunciasse.

Minha cidade é um foco dessa doença maldita. Falta saneamento básico, as pessoas ignorantes teimam em ter animais quando não conseguem cuidar nem de si mesmas. Não mantém o mato baixo ou tem o minimo de cuidados de higiene para evitar o mosquito transmissor.

Não castram, não vacinam, deixam perambular nas ruas, abandonam.

E ela estava com essa doença.

E eu e minha amiga tivemos que levá-la para dormir. Toda contente em nos ver, ela balançou o rabo feliz até o ultimo momento. E eu estava ao seu lado, fazendo carinho e pedindo perdão.

E eu falhei com ela.

Um amigo meu disse hoje que eu provavelmente vou morrer desse jeito, me estressando depois de uma crise de stress.

Digamos que eu me sinta muito só aqui. E minhas reclamações, sorrisos e conversas são compartilhadas com pessoas que moram a kms de distância. Por algum motivo pessoas que não são daqui parecem me entender mais. E eu sempre tive a impressão, desde pequena, de não pertencer a este lugar.

Talvez na verdade eu não pertença a nenhum lugar. Talvez eu seja uma dessas pessoas que permanecerão continuamente sem raízes, conhecendo novas pessoas, trocando olás e adeus.

Mas por hora eu estou aqui. E eu quero ajudar o Feijão.

É um cachorrinho preto entre centenas de cãezinhos pretos no mundo que não possuem um lar. Não vai ser o primeiro, não será o ultimo.

Mas, "o inimigo do BOM é o OTIMO".
Por que me contentar se tudo ao meu alcance não foi usado?

E se eu não conseguir ajudar somente UM cãozinho, sinceramente, não sei se quero continuar.


A todas as pessoas queridas que me mandaram palavras gentis, muito obrigada.


3 comentários:

  1. Otávia,

    Durante muito tempo eu sentia que não criaria raízes em canto algum, também. Cresci numa cidade à qual não pertencia e nunca tive qualquer identidade com ela. Na primeira oportunidade, saí.

    Não voltei pra lá, a não ser a passeio.

    Foi depois de ter saído e de ter conhecido tantos outros lugares, tantos... E tantas pessoas, e outras línguas, e outros costumes, foi que entendi que eu não pertenço a lugar algum. Eu pertenço a mim, e pertenço às pessoas que eu amo.

    Sabe?

    "Where I lay my head is home".

    Quando - e se - isso acender no seu coração pode ser que seja mais fácil carregar esse fardo que é o mundo que colocamos nas nossas costas.

    A gente precisa seguir em frente e fazer o nosso melhor. Não importa se é suficiente ou não, mas o nosso melhor é geralmente melhor do que a média porque não sabemos fazer nada pela metade.

    Tô por aqui.

    Fique bem.

    Beijo.

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  2. Otávia, já tentei postar uma mensagem hj inúmeras vezes, mas estava dando erro. Mandei uma mensagem p o email do blog e tb para um número que a Vânia me deu como sendo seu (celular). Espero que vc receba algum. Tenho indicações de pessoas que querem adotar o Feijão. Mas preciso falar com vc antes. Preciso que vc as conheça e me diga quais os critérios exigidos. Entra em contato, por favor!!
    Carol

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  3. Otávia querida... que dó! Eu imagino como você sofreu naquela situação.
    Olha, eu sei que estou absurdamente longe fisicamente, mas saiba que estou perto pelo menos virtulamente e em coração.
    Somos muitos, que amam os animais como semelhantes e não como uma categoria mais baixa na hierarquia dos seres vivos. E acho que estamos espalhados por todos os cantos para que todo o mundo tenha a oportunidade de vivenciar a nossa experiência e aprender um pouco com o nosso imenso amor pelos queridos peludos!!!!
    Um beijo grande!

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