3 de mai de 2011

O meu espaço - e inferno - particular

"Nada no mundo é mais perigoso do que a ignorância e a estupidez consciente." ~ Martin Luther King, Jr.

Desde que comecei a ter animais, eu estudei. Comprei livros, assistia documentários e lia revistas na banca. Com a internet comecei a pesquisar mais e mais. Comprei e ganhei mais livros. Aprendi sobre Guarda Responsável e assim tive mais sucesso nos meus resgates e adoções. Desde que comecei a praticar, divulgar e exigir GR somente tive 2 adoções realmente mal sucedidas.

Nunca me neguei a ajudar uma pessoa repassando informações. Criei álbuns e meu blog para divulgar a maneira correta de resgatar e cuidar de animais, sejam eles para doação ou não. Hoje em dia desenvolvo meus próprios textos e vídeos para tentar educar outros e isso é algo que levo muito a sério e que me dedico bastante.

E entre essas atividades, tenho minhas alegrias, tristezas, minha faculdade e meu emprego. Tenho as pessoas ao meu redor, tenho o meu próprio animal para cuidar, minhas horas de lazer. Assim como todo mundo, eu tenho o meu céu e meu inferno particular.

Então, acho que não custa nada ser respeitoso. As pessoas chegam até mim, ignorando todas as informações à disposição na internet, além das postadas em minhas redes sociais, perguntando o que fazer com um animal que encontraram, o que fazer com os filhotes encontrados, se existe “um local” para deixá-los.

E lá vou eu gastar meus dedos para responder e dar todas as informações necessárias, mais uma vez divulgando a Guarda Responsável e principalmente a castração – já que sem ela tudo o que se faz a um animal vai por água a baixo - e em 98% das vezes a pessoa SEQUER me dá um retorno. Poxa! Se veio até mim e gastou o meu tempo e meu teclado, por que não pode me dizer que agiu CORRETAMENTE com aquele animal, que minha atenção dispensada a você deu resultado?

Sei que a maioria das pessoas quer se livrar o mais rapidamente do problema.

Posso contar nos dedos às vezes em que realmente alguém foi humano com um animal que encontrou em minha cidade e o doou de forma adequada, sem se preocupar com o dinheiro gasto e por essas pessoas eu fico feliz. Mas a cada 10 que me mandam email, que me mandam mensagens e que só vem falar comigo para que eu dê uma solução mágica para problemas que eu NÃO criei – afinal, o MEU gato está castrado e dentro de casa, o animal que você encontrou não é filho dele e os filhotes da SUA gata não são dele, portando a culpa NÃO É MINHA - 95% somem misteriosamente quando mostro que temos que agir com responsabilidade pelo animal encontrado e não me dão o fim da estória.

Já faz algum tempo que diminui o número de meus resgates. Ano passado foram 13 animais ajudados, praticamente 1 por mês, em parceria. Até agora em 2011 só houve a Michaela e a abençoada adoção pela Carol e seu marido.

Eu adoro cuidar, cada um dos meus resgates é tratado como se fosse o Arthur, mas hoje em dia prefiro usar meu dinheiro para castrar o animal de uma pessoa carente, castrar um animal de rua e apadrinhar um animal enquanto este não é adotado.

Sempre digo que resgatar e doar um animal cria um senso de responsabilidade social e conscientização maior do que nós mesmos. Uma pessoa que adota um animal vê que alguém se importou, cuidou e gastou dinheiro com uma vida além da sua, repassa a informação e exemplo e várias outras ao seu redor começam a praticar a Guarda Responsável e podem ajudar outros animais no futuro.

Se eu simplesmente vou lá e recolho o animal que OUTRA pessoa viu, onde está a educação? Onde está o senso de responsabilidade?

E sabe o que acontece? Daqui a pouco a pessoa vê outro animal e o que faz? Tenta ajudar sozinha? Claro que não! Irá novamente tentar repassar o problema e por muitas vezes usando de chantagem emocional – uma coisa qu acho abominável.

Então, por favor, antes de perguntar o que fazer com um animal que encontrou na rua, ou o que fazer com os filhotes que VOCÊ e sua irresponsabilidade deixaram vir ao mundo, pense duas, três ou quatro vezes, quantas for o necessário antes de vir falar comigo. Lembre-se que todos os seus problemas poderiam ter sido evitados com a castração, então comece por aí.

Tenho muito orgulho de entregar animais castrados, vacinados e vermifugados, visitando a casa da pessoa, com termo de responsabilidade e uma conversa franca e pego meus animais de volta se as coisas não forem como eles merecem. Então não admito trabalho porco, não admito saber que mesmo com as informações na mão, a pessoa decide “repassar” um animal, - pior ainda - sem nem ao menos tê-lo castrado, contribuindo ainda mais para o crescente numero de abandonos que existe nessa cidade.

Não sou mais inteligente do que ninguém, não tenho tempo ou dinheiro disponível ao contrário do que muita gente pensa. Não saio por aí catando animais de rua, pois isso não é resgatar, seria Colecionismo e isso é uma doença séria. Mas eu tenho verdadeiro PAVOR à inutilidade. Ser responsável gasta dinheiro? Gasta. Gasta tempo? Gasta. E o pior é o desgaste em nosso coração ao ver o quanto o ser humano pôde ser tão displicente e mesquinho.

Se você não quiser fazer nada, está no seu direito. Mas respeite o MEU espaço e inferno particular e me mantenha ignorante à situação que você se deparou e resolveu cruzar os braços. Se VOCÊ que está vendo não fez nada, não venha até mim dizendo que ficou “com peninha”, porque sua pena para esses animais que morrerão à míngua não significa nada.




3 comentários:

  1. Belíssimo - e franco - texto, parabéns. Concordo em gênero, número e grau!

    ResponderExcluir
  2. Até uma pessoa não está disposta de assumir a responsabilidade e inverter carinho, tempo e dinheiro em um animalzinho, esta pessoa não tem a madurez de adotar um animal.
    Ter responsabilidade, respeito e compaixão e necessário para deixar atrás mal hábitos herdados e um baixo grado de consciência.
    O modo como tratamos e respeitamos todos os outros seres vivos mostra claramente nosso nível de consciência.

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.