25 de ago de 2011

O que deu errado na adoção da Milla


Bom, gente, a Milla foi devolvida para nós hoje e depois de mensagens de celular e emails longos e estupidos, vou relatar as coisas que deram errado na adoção dela.

Primeiro, gostaria de frisar que a Milla não é um cão perfeito. Ela não gosta de ficar sozinha, roí as coisas se estiver entediada e até pouco tempo atrás, não sabia um comando sequer, como "FICA" e "NÃO". Ela nem ao menos sabia andar na coleira logo que nos conhecemos, puxando que nem uma desesperada.

A Milla também foge. Se ela olhar um portão aberto ela irá correr sem se importar quem está chamando. No Lar Temporário ela deu vários sustos na moça que cuida dela, mas logo ela retornava para a frente da casa, sentadinha, com o rabicó balançando, esperando que alguém abrisse a porta.

A moça que a adotou sabia disso. Sabia que ela havia sido adotada e devolvida por alguém que havia prometido dar atenção que ela precisava e acabou deixando-a sozinha no quintal por todo o dia, fazendo-a chorar desesperadamente, roer objetos e fugir. Além de varios emails trocados falando de como a Milla era, assim como faço com todos os meus animais, no dia da entrega conversarmos sobre o que ela poderia fazer para melhorar o comportamento dela e que estariamos a disposição para qualquer ajuda.


Essa mesma moça, em emails anteriores, demostrou sua total ignorancia em relação a castração e seus beneficios e disse, mesmo com explicações, que a mãe estava preocupada por causa do cio. Repeti diversas vezes que a castração havia removido o utero e ovários da Milla, que ela não teria cio, não atrairia cachorros ou teria filhotes, coisa que, sinceramente, até hoje ela não deve ter entendido/acreditado.

No dia que a Milla conheceu essa moça, pagamos o transporte de taxi de R$60 de ida e volta do Lar Temporário. Foi tudo otimo, o veterinário que a acompanhou até hoje estava lá, para qualquer esclarecimento. A moça falou que estava com alguns cupins em seu quintal, mas que provavelmente não teria nenhum problema pois era uma area que podia ser isolada. Marcamos a visita na casa dele na tarde anterior, para conhecer o local e a familia, mas ela já havia nos dado certeza de que TODOS queriam a cadela, que adoravam cães, já tinham tido muitos, etc

Alguns minutos depois voltei para a casa e já havia a primeira desmarcação. Os motivos eram a aplicação de um remedio de cupim - para que ela se certifica-se com a empresa que era seguro ter um animal em casa - e "o problema do cio". Expliquei que não havia problema em esperarmos, não tinhamos nenhum interesse em arriscar uma intoxicação e expliquei sobre a castração.

No dia seguinte ela me manda um email falando que vão ser necessárias mais duas aplicações do produto e que a mãe estava preocupada quanto ao "sangramento" da Milla. Novamente disse que nosso unico intuito era que ela fosse para uma boa casa e que não importava se houvesse que esperar e que a cadela NÃO IRIA TER SANGRAMENTO OU CIO. Vou copiar aqui o que falei para ela sobre a questão CASTRAÇÃO = SEM UTERO, SEM OVÁRIOS, SEM CIO, SEM FILHOTES.

Por algum motivo nesse email ela respondeu como se eu não quisesse doar a cadela para ela e estivesse duvidando de sua capacidade de cuidar bem da Milla. Respondi que ela havia se enganado, apenas estava zelando pelo bem estar da cachorra e não iria levá-la para lá, com o problema dos cupins, apenas para pegá-la novamente, pois isso custava dinheiro e tempo.

Finalmente ela marcou um dia e horário disponíveis e, aproveitando que também estávamos próximos do Lar Temporário, resolvemos levar a Milla para conhecer a casa e a família, já com a documentação e se estivesse tudo bem, ela seria adotada. Chegamos lá, a Milla rodou pela casa, conheceu a irmã dela que gostou da cachorra, foi até o quintal gigantesco, enquanto eu e minha amiga conversávamos com a adotante sobre a estória dela e os cuidados. O pai da moça apareceu e nos tratou de uma maneira fria, mas ela havia dito que ele estava adoentado. Tudo parecia bem.

Deixamos a Milla com sua carteirinha de vacinação, brinquedos e um saco de Royal Canin e fomos para casa.

O final de semana passou, a adotante recebia os elogios e votos de felicidade dos meus amigos no facebook e agradecia, prometendo que a Milla seria muito amada lá.

Depois de 3 dias ela me manda um email dizendo que a Milla não fazia festa para todos na casa e que estava preocupada com os problemas que a castração poderia trazer para ela. Explicamos que cada animal tem seu ritmo para se apegar, que mesmo animais criados desde filhotes tinham seus favoritos em uma família e NOVAMENTE explicamos sobre a castração,até mesmo mandei um vídeo a respeito.

Logo depois uma msg pelo celular - Vou ter que devolver a Milla.

A essa altura do campeonato tudo o que eu respondi foi - Ok, vc pode trazê-la amanhã?

Ela disse que não, mas que poderia hoje então combinamos o horário. Depois por um email mandado a minha amiga, ela discorreu longamente o quanto a Milla foi bem tratada na casa dela, mas que as pessoas deixavam a porta aberta e ela fugia ( que atrevimento, não? um cão que era deixado vagando nas ruas, recém-chegado fugir de uma casa que ele não conhece, só pq a porta estava aberta! ) e que na verdade o pai dela NUNCA QUIS adotar a Milla.

A questão das fugas poderia ter sido resolvida colocando um portãozinho sequer e liberando a Milla apenas quando o entra-e-sai terminasse pelo dia. Com alguns dias, do mesmo jeito que ela aprendeu a não ir embora do Lar Temporário, ela iria aprender a permanecer na casa.

A questão do cio.... meu Deus, não consigo até hoje entender como uma pessoa NÃO COMPREENDE isso e ainda fica batendo na mesma tecla. Talvez eu devesse guardar dentro de um pote de maionese com formol os testículos, útero e ovários dos próximos animais que forem castrados como prova?

Acho que o pior foi a questão do pai. Como se adota um animal sem a família inteira estar de acordo?! Ela mentiu na minha cara, na cara de minha amiga, tenho a mentira dela por escrito no Termo de Responsabilidade que ela preencheu! O que ela imaginou? Que a Milla ia "conquistar" o pai na marra depois de estar ali? Será que ela nem sequer pensou o que poderia acontecer se o brilhante plano não desse certo?! Que foi o NOSSO TEMPO, NOSSO DINHEIRO e principalmente, a NOSSA esperança, minha, da Milla e de todos os envolvidos, nessa imbecilidade?!

Faltaram muitas coisas para que essa segunda adoção da Milla desse certo. Faltou responsabilidade, inteligencia e amor. A Milla não é um monstro. Perto de tantos outros cães que eu conheço, extremamente problemáticos, que odeiam e mordem outros cães e pessoas, que matam gatos, que são neuróticos, latindo o tempo inteiro, fazendo as necessidades nas camas dos donos, a Milla, que apenas não quer ser deixada sozinha, nunca teve alguém que realmente zelasse por ela.

Até hoje os donos originais nunca foram procurá-la.

A Milla já custa mais do que QUALQUER ANIMAL que eu já tenha cuidado em toda a minha vida.

Apesar dela ter me seguido para o petshop, ninguém me obrigou a resgatá-la. Em uma visão bem racional, colocar a Milla na rua hoje em dia seria tocar fogo em todo o dinheiro investido nela até hoje e ignorar a preocupação de todas as pessoas, daqui e de longe, que se envolveram com o caso dela. Só que a Milla não é o unico animal que eu ajudo. Melissa ainda está em tratamento e hoje, em vez de eu estar no C.E.D, estou aqui. Não há dinheiro para castrar nenhum gato essa semana e o único que eu tinha em casa paguei o transporte da Milla de volta para o Lar Temporário hoje, já que não pude ir ao banco debaixo do sol quente por causa de um inicio de gripe.

Mesmo se eu a colocasse de volta na rua, minha consciência estaria LIMPISSIMA. Fiz por essa cadela - com a ajuda de várias pessoas que se sensibilizaram, mandando doações e carinho - mais do que muita gente faz por seus parentes, imagine por seus animais. Passei duas semanas brigando com o BB para que meu acesso e transações online funcionassem adequadamente para que nada faltasse a ela enquanto eu estava em Toronto, divulgo os cartazes dela em todo os locais possíveis, estou sempre sondando um novo e bom lar onde ela poderia ir.

Então, acho que dá pra entender o motivo da minha indignação quando alguém se coloca no meu caminho e no caminho da Milla, já tão longo, apenas para nos fazer de idiotas e trazer mais uma derrota em uma estória que parece estar tão longe de ter um final feliz.

Engana-se quem acha que protetor é uma pessoa boníssima, iluminada e com outras qualidades excepcionais e super-poderes, inclusive tempo e dinheiro à disposição.

Sou uma professora, com salário de professora, com inúmeros problemas e defeitos, com dividas e sem carro, que ainda mora com os pais, tentando fazer a diferença em uma cidade atrasada em mentalidade e recursos.

Não quero louros, não quero adjetivos e nem a admiração de ninguém.


Quero apenas que a Milla arrume uma casa de verdade, com pessoas decentes, onde ela possa ser feliz pelo resto de seus dias, para que eu possa seguir em frente tentando ajudar os animais que eu puder, dentro de minhas possibilidades.

5 comentários:

  1. Mas vc tem minha admiração!
    Não fique desanimada, não. Vc vai encontrar uma verdadeira casa para Milla, entretanto vamos ajudar com que pudermos.
    Será possível vc encontrar um voluntário que não cobrara nada e que pode oferecer todos os benefícios que o lar temporário oferece? Baixaria muito os gastos.
    Margret

    ResponderExcluir
  2. Otávia, entendo totalmente seu desabafo, mas eu só acho que essa "adotante" é uma pessoa ignorante e estúpida ! Não existe animal perfeito. Quando eu adotei a minha cachorrinha Luna tive que mudar muitas coisas na minha vida e a principal foi que eu nunca quis ter cachorros, sou uma gateira desde bebê ! Mas meu marido queria muito e a Luna já era adulta e vivia fugindo de casa, não ficava sozinha, era fedida...
    Para que ela parasse de fugir (ela passava pela grade do portão, mas depois engordou e não conseguiu mais passar) eu comecei a caminhar com ela. Eu a adotei em 2000 e todos os dias caminhamos pelo bairro, fiz amizades, sou conhecida como aquela da cachorrinha gordinha e velhinha...ela é praticamente minha sombra, aonde eu vou ela vai atrás, sempre digo que ainda vamos cair das escadas juntas. Infelizmente e apesar dos banhos frequentes ela continua fedida...
    Tem que ter muita paciência e boa vontade, e isso se aplica a cães comprados também pois eu tenho um labrador que é terrível ! Meus peludos já estão velhinhos, o labrador tem 12 anos e é o meu caçula, as duas gatas têm 14 e 12 anos, só posso dizer que sempre tive muito amor, alegrias e muito trabalho com esses peludos mas eu os amo muito.
    Ontem de manhã eu depositei R$30 na sua conta, espero que dê para comprar uma raçãozinha pra Mila. Estou torcendo para que ela ainda seja muito feliz.
    Beijos
    Laís

    ResponderExcluir
  3. Paciencia! Logo a Milla vai encontrar um lar cheio de pessoas que a ame e a faça feliz! Ainda existem pessas que se importam por ai... logo seus caminhos vão se cruzar.

    ResponderExcluir
  4. Olha, só hoje foram dois gatinhos devolvidos/rejeitados após as pessoas terem INUNDADO as caixas de emails das minhas amigas, prometendo amor e carinho a eles... e mais essa agora.. eu não creio mais na humanidade mesmo.
    =(
    Ela vai conseguir um lar onde será amada de verdade!

    ResponderExcluir
  5. Nossa eu te entendo perfeitamente. Acho que as pessoas tem que ter compromisso com suas escolhas. Adotar um animal é algo muito sério, pois eles não são brinquedos. Dão trabalho, mas também dão muito amor. Não me desfaço dos meus peludos por nada neste mundo. Espero que apareça alguém que de um lar para a Milla, alguém de confiança, alguém capaz de amar e respeitar um animal, sabendo seus defeitos e qualidades. Boa sorte. Beijos

    ResponderExcluir

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.