11 de abr de 2012

Amor Tricolor #10 - Carniça


A escaminha sobrevivente de hoje é a Carniça, muito amada pela Manuela Muguruza :)

No dia 10 de setembro de 2009, fiz meu primeiro resgate. Já tinha 4 gatas, todas adotadas de grupos de proteção em Brasília, e estava aos poucos entrando em contato com esses grupos e conhecendo o trabalho deles. Também tinha me mudado há pouco tempo, e já tinha notado uma colonia grande em minha nova vizinhança. Já tinha conversado com a senhora que alimentava esses gatos, me colocado à disposição se precisassem, e dado meu telefone.

Daí, na hora do almoço do dia 10, ela me liga e diz que um dos filhotes mais recentes da colônia estava muito doente, perguntou se eu não podia ajudar. Estava saindo para o estágio, desci com uma caixa de transporte e sem a menor idéia de como ia fazer pra pegar esse filhote. A senhora que alimenta essa colônia não tem a menor idéia de como lidar com os gatos, apesar de gostar muito deles. Ela tem medo de pegar os bichinhos, mesmo que eles sejam até bem mansos.

Desci e ela me apontou onde estava o filhote. Vi uma escaminha pequena, ofegante, deitada na sombra de uma árvore. Tentei chegar perto, sem a menor noção de como me aproximar de um gato de rua. A gata, obviamente, correu pra debaixo de um carro. Conseguimos espantar ela do carro e fazer ela se encolher perto de um arbusto, cheguei por trás e consegui agarrar a bichinha pelo cangote. Ela retalhou a minha mão e braço, mas eu não soltei. Me orgulho disso até hoje, hehe. Enfiei a mocinha selvagem dentro da caixa de transporte, lavei os arranhões em uma torneira do jardim, e fui direto pra veterinária, ligando do caminho e pedindo pelamordedeus um encaixe. Vale dizer que só dei conta de pegar ela desse jeito tosco porque ela estava muito fraquinha. Se estivesse normal nunca teria conseguido.

Chegando na veterinária, a conversa foi desanimadora. Ao examinar a mocinha, a vet viu que ela estava com a boca e garganta muito inchadas. Tinha uma bola de pus na garganta. Ela tinha cheiro de bicho morto, de carniça.

A vet achou que aquilo podia ser por causa de um chute, ou algo similar. Isso sem falar na desidratação e fraqueza, já que a gatinha não conseguia comer naquele estado. A vet me disse que ia ficar com ela internada pelo menos naquela noite, pra ver como ela se comportava, mas me disse pra não me animar muito, já que ela estava muito mal. Quando foi fazer a ficha e me perguntou que nome eu queria dar pra gatinha, eu não soube responder. Não queria dar um nome pra ela, pensando que ela poderia não sobreviver. O processo de nomear um bicho é meio significativo pra mim. Daí a vet sugeriu mini Vitória, já que ela tem uma escaminha gorda e grande como recepcionista do consultório. Aceitei. A vet disse que ela tinha cerca de 4 meses.

Fui pro estágio, e a noite liguei pra saber como estava a minha escaminha. A vet disse que ela já estava melhor. Tinha comigo a/d, tinha sido medicada, e a vet tinha colhido sangue pra fazer os exames de praxe. No outro dia a minha resgatinha já estava melhor e foi liberada. Trouxe pra casa, junto com uma pilha de antibióticos e outros remédios, e a recomendação da vet de que se ela não comesse sozinha, eu teria que alimentá-la forçada, com uma seringa. E foi isso que tive que fazer. Antes de dormir, forcei a/d na bichinha, com a ajuda do namorido, só pra ver ela vomitar tudo depois. A essa altura, o namorido já tinha começado a chamar ela de Carniça. Na manhã seguinte não tive coragem de ir ver a gata. Fiquei com medo de encontrar ela morta. Mandei o namorido, que gritou do quartinho "Tá viva e comeu a ração do potinho!".



Depois do período de quarentena, de receber o resultado de todos os exames e terminar o período de medicação, a Carniça (já era, ninguém chamava ela de outra coisa) foi solta na casa, e aos poucos foi se habituando aos outros gatos e às pessoas. No primeiro mês não deixava fazer carinho e nem chegava perto, mas aos poucos foi se "civilizando".




Daí começamos à divulgar a moça, e comecei a frequentar as feirinhas de adoção do "Salvando Vidas Protetoras Independentes", grupo de quem eu tinha adotado a minha última gata, a Mafalda. Elas me apoiaram sempre, e me ajudaram a lidar com o processo de adoção. Hoje faço parte do grupo, e continuo resgatando e fazendo lar temporário.

Em novembro apareceu uma moça que se apaixonou pela Carniça, e disse que queria adotar minha escaminha, mas estava de mudança, reformando o apartamento novo. Pareceu uma boa adotante, disposta a seguir todas as exigências do grupo. Disse pra ela que não tinha problema, eu ficaria com a gata até ela poder levá-la pra casa nova. Então a Carniça já era parte da minha casa. Já era ronronenta e a amassadora de pãozinho compulsiva que é hoje. Já tinha conquistado seu nicho dentro da hierarquia felina daqui. Tinha inclusive adotado a Mafalda, que tinha suas dificuldades, já que acabamos descobrindo que tem diabetes e é meio cega.

Mas eu havia me proposto a doar a Carniça. Se eu ficasse com o meu primeiro resgate, não ia ter coragem de fazer lar temporário. A proposta inicial não era ficar com ela, e eu repetia isso todo dia pra mim mesma. Era como um mantra.

Só que essa novela da reforma da adotante da Carniça se estendeu por meses. O tal apartamento só ficou pronto em julho de 2010! Quando a moça me ligou pra avisar que finalmente ia se mudar eu comecei a chorar no telefone. Eu sabia que ela ia embora eventualmente. A adotante vinha visitar ela sempre. Pagou todas as vacinas, comprava brinquedo. Não era ausente. Mas ainda assim foi horrível. E nesses 9 meses (!) de enrolação, eu já tinha feito lar temporário e doado outros 6 gatos, hehe. Mas enfim, fui entregar a Carniça com o coração na mão, me convencendo de que ela estaria melhor em uma casa só dela e todo esse discurso que os protetores tem que ter decorado pra repetir sempre, hehe.

E qual foi o tamanho da minha surpresa quando uma semana depois a moça me liga dizendo que vai ter que devolver a Carniça, porque a mãe dela achou que ela era muito barulhenta! Fui buscar no mesmo dia, e resolvi que ela não saia mais da minha casa! Depois a faxineira daqui de casa veio muito sem graça me dizer que antes da Carniça ir embora tinha dito pra ela que era pra ela fazer bagunça na casa nova, pra ser devolvida.
Achei ótimo!

A Carniça é minha agora, se chama Carniça mesmo, e é mega companheira, linda e tem uma obsessão por amassar pãozinho na minha bexigai! A Carniça ronca mais alto que o namorido, dorme com a gente todo dia, tem um rabão de esquilo, e é linda!


"Um pequeno grau de esperança é necessário para causar o nascimento do amor."
Stendhall

3 comentários:

  1. E ela é uma das gatas mais legais da sua casa. Depois da Meg linda, claro!

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  2. Tu me fizeste ir ás lagrimas, muié! Que prosa lindaaaa!Cada vez gosto mais de bicho, e admiro gente de qualidade feito vc, viu. To com uma resgatadinha aqui(minha 1ª)que estou cuidando de infecção, e vermifugando, marquei castração pra proxima semana, e fico me dizendo que ela vai pra adoção. Mas ja dei nome (Bonita) e até usa coleirinha com plaquinha de identificação (c/meu tel). Ela se da mega bem com os meus 3 outros gatinhos amados (Victor&Leo, e a Nenê). Sei não se vou conseguir doar, sei não...
    Dia 9/11 minha vizinha(que tem alergia) me ligou no serviço, tinha uma filhotica de uns 40 dias, miando no telhado dela, na maior chuva. Falei pra ela recolher e levar pro banheiro da minha casa(meu 2º resgate). Pois bem, vermifuguei a danadinha, coloquei coleira antipulgas, alimentei, dei carinho, fiz bolinha de papel pra gente brincar (ela adorou). E ficou amiga dos outros cats da casa, mas ai dia 17/11,apenas 8 dias apos tanto chamego, a moça do pet shop que sabia q eu estava c/ um filhotico me apresentou uma senhora que queria adotar um filhotico pra filha dela (adulta). E la se foi ela, levando bolinha com pena, bolinha com guizo, e as bolinhas de papel que a gente brincava... Chorei tarde toda. Meu coração tinha saido de mim. Até os cats da casa ficaram procurando a Pequenininha. Que bom que vai ter uma casa so pra ela, que vai ser cuidada. Mas que falta q faz aqui! Não sei se terei estrutura pra me separa da Bonita, não. ai, Ai, ai meldels!!! É bom ajuda-los, mas é tao ruim quando vão embora. Fica um aperto no coração, sabe. Eita!!! ;´-/. Felicidades pra vc e pra Carniça, viu! <3

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