18 de jan de 2013

49 gatos no apartamento - o depoimento de uma mãe


Hoje vamos trazer a experiencia da C. , que possui uma extensa família felina. 

Ao contrário das histórias que vemos por aí, essa situação não foi forçada por ninguém a ela. Não foram deixados na porta de sua casa ou foram resultados da chantagem alheia. E, também indo contra o rotulo da "louca dos gatos", com animais subnutridos, doentes, se reproduzindo continuamente e sem atenção, em uma casa suja onde a responsável não pode sequer cuidar de si mesma, os gatos da C. são todos vacinados, castrados e saudáveis  comendo ração super premium e tendo todos os cuidados necessários. 

A C. não possui um abrigo. Ela trabalha, tem vida social, amigos, enfim, uma pessoa comum, que simplesmente escolheu ter todos esses gatinhos. 
E sabe muito bem toda a responsabilidade que essa escolha exige.



1-      Quantos gatos você possui hoje em dia?

49. Já foram 66.

 2-      Quando e como você conseguiu este numero?


Comecei como a maioria das pessoas - resgatando uma gatinha. Ela foi filha única por alguns meses, e, depois da morte de um virinha (que adotamos como companhia para ela) ainda muito bebê, compramos uma persa, na ilusão de ter garantia de saúde. No ano seguinte, compramos outro persa, para "namorar" com ela, o que obviamente não aconteceu. Castramos ambos. O ano era 1999.

Depois disso, comecei a conhecer outros gateiros, e a ter contato com a realidade dos milhões de abandonados. Conheci protetores e muitas outras pessoas que não o eram. Fiz uma grande amizade, uma pessoa muito, muito especial, que todos amavam. Mas minha amiga (que tinha muitos gatos também) ficou doente, e eu penso que foi para compensar a ajuda que não podia dar a ela que comecei a resgatar um gato após o outro. E assim foi... Minha amiga morreu no final de 2003, mas continuei fazendo isso por um tempo, embora diminuísse muito a minha "atividade" depois que ela morreu. Já havia praticamente parado quando minha irmã morreu, mas assumi os dela e depois disso alguns outros.

Proteção animal e crises existenciais não combinam. Em momentos de fragilidade emocional, o certo é se afastar. Mas... eu não havia me dado conta disso.

3-      Há animais de idades muito diferentes?

A maioria tem de 9 anos para cima, corresponde aos anos de 2002 a 2004, principalmente. Há alguns mais novos, mas poucos. A mais velha tem 19 anos, e a mais nova 10 meses.

 4-      Qual o manejo para os doentes e idosos?

Não tenho um manejo específico para os mais idosos, apenas procuro acompanhar a saúde e a alimentação deles. Mantenho vigilância sempre. Corro para o vet a qualquer sinal de alerta.
Sempre que aparece algum doente, ele passa a receber cuidados especiais, pelo tempo que for preciso, toda a medicação, alimentação reforçada e atenção dobrada.
Quanto aos doentes crônicos, procuro manter sempre com acompanhamento veterinário, e fazem exames regulares (menos os que tem CGEF - complexo gengivite-estomatite-faringite - pois o tratamento não muda, quando em crise tomam corticóide). 
No momento tenho, com doenças crônicas:
- uma idosa de 14 anos, com hipertiroidismo, cardiopatia e doença inflamatória intestinal
- uma renal
- uma cardiopata (cardiopatia leve)
- um com problema de pele crônico (já fez duas biópsias, mas dá causa inespecífica, possivelmente alergia alimentar, mas nada conclusivo - no entanto, é ocasional, e vive super bem, inclusive é gorducho)
- cinco com CGEF (incluindo a renal e um que também tem pênfigo).

5-      Você continua a adotar?

Passei todos esses anos apenas com os meus. No entanto, esse ano, no dia do meu aniversário, fui seguida por uma gatinha (que foi abandonada no meio de uma colônia FeLV+) e acabei pegando. Normalmente não faria isso, até porque tive alguns casos de FeLV aqui, e certamente ainda tenho portadores. 

6-      Qual a porcentagem de seu salario é investido nos gatos?

Num mês "bom", sem ocorrências, cerca de 1/3. A proporção é mais ou menos essa: 1/3 para as minhas contas, 1/3 para eles, 1/3 para os empréstimos, rs... (felizmente acabam todos esse ano).
Compro ração e A/D direto no distribuidor e remédios em farmácias mais baratas. Também aproveito ofertas pela internet.

7- Seus vizinhos sabem do número de animais que você possui? Já teve algum problema em relação a eles?

Meus vizinhos não sabem. Pode até parecer inacreditável, mas os gatos são muito silenciosos. A unica coisa que os vizinhos olham são os sacos de ração e areia quando faço compras, mas ninguem nunca me indagou quanto a isso. 

8- Quais são os seus maiores medos em relação ao futuro e a seus gatos?

Apenas morrer antes deles. De resto, encaro qualquer coisa. 
Já perdi muitos, perdas não me assustam. Gostaria que não houvessem doenças e sofrimento por conta delas, mas isso é utopia. 
Gastos também não me metem medo, já enfrentei épocas bem ruins e sobrevivi. 

9-      Há alguém que assumiria estes animais caso algo acontecesse com você?

Não, não há UMA pessoa digamos, "designada" para isso. Mas tenho alguns amigos que assumiriam alguns deles, e que ajudariam a doar os outros. No entanto, estou vendo um seguro de vida, para que, em caso de morte minha (bate na madeira) eles possam ser alimentados e cuidados até conseguirem adoção. 

9-      Se você pudesse escolher, quantos animais teria?

Se eu pudesse ter uma outra vida, teria no máximo, estourando, cinco. De preferência menos. É o que pretendo ter no futuro (muito embora eu pense em ficar algum tempo sem bicho nenhum).
Não digo "se pudesse escolher" porque escolha eu tive. Tenho essa quantidade porque quis, não fui forçada nem abandonaram na minha porta. Nunca cedi à chantagem de ninguém também. 

10-   Quais são as decisões mais importantes antes de optar por adotar mais de um animal? 

Eu sou adepta de se adotar dois. Acho legal para eles ter uma companhia da mesma espécie. Mas acho que antes de adotar UM animal, a pessoa tem que estar disposta a cuidar dele até o fim, com tudo que tem direito. E isso, para mim, inclui uma casa segura, cuidados veterinários decentes, ração de boa qualidade.

É saber que aquele animal não é um brinquedo, e sim um compromisso para a vida toda. Se ficar doente, tem que ser cuidado. Se estiver precisando de você, de atenção especial, tem que abrir mão da balada, da viagem, e até, dependendo do caso, dos luxos a que a gente se acostuma. É uma vida que depende de você para tudo.   

Não recomendo a ninguém esta experiência, não por causa dos animais, mas pelo peso que isso acarreta para uma pessoa e não são todas elas que podem assumir tantos bichinhos e mantê-los em condições dignas, tanto para eles quanto para a própria pessoa.

2 comentários:

  1. Nossa, que raro alguém com essa quantidade de animais e que cuide tão bem.
    Muito bacana :)

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