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31 de mai. de 2010

Sabrina, amor e doçura

Meu estado possui 2 estações do ano bem definidas. Verão, com temperaturas altissimas, sol escaldante e ventos secos e ardidos e o inverno, com seis meses de chuvas - tempestades - que, ao darem tregua, estabelecem uma umidade abafada.

Quando as tempestades chegam, com ventos fortes, trovões e relampagos, podem durar poucas horas até o dia inteiro.

E, durante o intervalo em um dos meus dias de estágio em uma escola pública, em uma manhã extremamente fria e chuvosa, eu encontrei Sabrina.

Sentada do outro lado do pátio, vi aquela bolinha preta toda encolhida no canto e disse para minha colega de classe - não acredito. será que é um gatinho? não é possivel!

Me aproximei vagarosamente, esperando que fosse apenas minha imaginação. Quando chamei - gatinho? - ela retirou a cabeça do meio das patinhas e miou para mim, como se eu fosse uma antiga conhecida. Um bebê, no máximo 4 meses de idade, magrinha e completamente molhada, tentava se aquecer, sem sucesso, em um pano velho.

Com o coração já retorcendo fui até a cantina e comprei uma salgado para ela, que comeu com extremo desespero. Imaginei aquela pequena no meio de tantas crianças peraltas e, infelizmente, malvadas, pois assim que me viram com ela no braço, enquanto eu ia embora, a chamaram de feia, nojenta, entre outras coisas que não deveriam vir da boca ou do coração de uma criança.

Sabrina veio em meu colo, serenamente, como se sempre houvesse deitado ali. Foi levada para o pet shop e todo o protocolo de banho, ração e muito muito carinho se seguiu.

Escaminha, negra com pinceladas de dourado, para mim, era a gatinha mais linda do mundo naquele momento. Olhos dourados, um ronronado incansável e um miado gentil.

Levei Sabrina para castrar. O veterinário tentou fazer com que eu pensasse duas vezes, afinal era muito pequena, mas eu sabia que era a unica maneira de aumentar suas chances de adoção. Ninguem nunca quer fêmeas. Ainda mais escaminhas.

Ela fez a cirurgia e tudo correu bem. Ficou na clinica durante o pós-operátorio e eu ia visitá-la sempre que possivel, para dar e receber amor. Vermifugada, vacinada, gordinha. E ninguém a queria...

A moça daqui de casa possui um sitio em um interior proximo e disse que queria adotar um gatinho para fazer companhia para a bisneta, uma garotinha de 5 anos.

Dentre os gatinhos para adoção que eu conhecia, escolheu uma branca, muito bonitinha.

Infelizmente a gatinha fora resgatada por minha amiga em um estado devastador de sarna, inanição e maus tratos. E depois de meses em lar temporário, ainda não confiava nas pessoas.

Ofereci Sabrina, que ela aceitou sem muito acreditar que iria se afeiçoar a ela.

Hoje, mais de um ano depois, Sabrina é o amor da vida de toda a familia. Gordinha, bem tratada, ficou parecendo uma gata persa. A moça diz que nunca havia conhecido uma gatinha tão amorosa, incapaz de mostrar unhas ou garras.
A gentileza dela se estendeu para a outra gatinha que eles adotaram esse ano, Dalila, que ela cuida como se fosse sua cria.

A bisneta chama Sabrina de "minha neném, minha filhinha".
E eu não poderia pedir um final mais doce.