Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens

17 de mai. de 2012

Filhote, branco dos olhos azuis


Não foi a primeira vez que vi essa exigencia para uma pessoa adotar um animal.
E provavelmente não será a ultima.
Pessoas que brigam pelo amarelinho da ninhada, pelo cãozinho peludo de olhos dourados, o "cianês", o cinza que todos desejam...

Mas seria bom um dia em que a aparencia não fosse necessária para que um bichinho seja escolhido, para que ele tenha a chance de ser amado. Do mesmo jeito que desejo isso para todas as crianças esperando em abrigos e orfanatos.


"todos me querem, mas será que me merecem?"

Não consigo olhar para uma pessoa que expõe esse tipo de querer sem pensar em como deve ser dificil para ela se olhar todos os dias no espelho e não ver os olhos azuis e pele branca que deseja tanto em um bichinho. Como deve ser triste pensar que somente isso lhe dará algum valor. 


"espelho espelho meu, por que não consigo ver beleza neste meu eu?"


Uma coisa é escolher uma raça de um gato ou cão por causa de seu porte e comportamento, mas cor? Quais os méritos? Ainda mais falando de um animal que sofreu abandono, maus-tratos, fome. Que está em uma roleta russa pelos pêlos e olhos que nem sequer teve a chance de escolher - e que para ele não faz diferença alguma.


"ah, eu sou preto? nem sabia..."


Sendo negra em uma familia de medicos brancos, crescendo ao meio de crianças e adolescentes brancos e crueis, simplesmente não consigo ver uma raça como merito, se nada além de podridão houver por dentro. E isso vale para negros, brancos, asiaticos, indigenas, etc. As pessoas são o que são por suas indoles. Não há raça melhor ou pior, há apenas a raça humana.


somos todos lindos, não importa o que eles dizem :)

Antes de escolher um animal lembre-se que, nos olhos dele, você que dará amor, cuidado e segurança é a criatura mais bela de todas, a mais especial, aquela que ele devotará todas as emoções de sua vida. Até mesmo em seus piores momentos, aquele bichinho estará ao seu lado querendo apenas te fazer feliz. Pode ser o branquinho, o pretinho idoso, o amarelo adulto ou a escaminha dengosa. 

nada além de nobreza neste olhar :)


O Arthur é um gato vira-lata comum. Muita gente já me perguntou qual a "raça" dele e eu várias vezes apenas sorrio, respondendo que ele veio da lixeira.

E algumas pessoas acham um absurdo o jeito que ele é tratado, já me disseram que esses gastos deveriam ser feitos com um gato de raça, que, na mente pequena e coração seco deles, seria mais merecedor, mas se esquecem que o que há entre nós é algo muito mais forte do que qualquer pedigree, qualquer padrão e muitos reais poderiam comprar.

Achar que mesmo um animal só pode ser amado por ter uma raça é ignorar tantos pais e mães de cães e gatos de raça pura que são devotados um ao outro.

O filhote branco - adotado ou comprado - peludo e de olhos azuis pode acabar odiando sua presença, destruindo sua casa, ser um pesadelo.

Mas o meu vira-lata tirado da lixeira, salvo de pedradas, continuará aqui, lindo e amoroso e, acima de tudo muito amado. 
E esse sentimento é tudo de mais belo que preciso em minha vida. 




15 de fev. de 2012

Gatos adultos, apaixonantes :)

Apesar de conhecer o Arthur desde que ele tinha 3 meses de idade e morava na lixeira do meu prédio, foi somente com quase 1 ano que ele se tornou oficialmente meu e também se tornou um gato de apartamento.

Eu adoro filhotes, já criei vários, mas depois de tanto tempo lidando com adultos adoráveis e que sofreram abandono, tenho que admitir que criei preferências, principalmente pelo preconceito que os gatos mais velhos - mesmo que um gato só se torne realmente adulto aos 3.5 anos de idade - sofrem na hora da adoção.

idade dos gatos, em relação à nossa :)

Gatos adultos são maravilhosos. Como a maioria já foi domiciliado antes do abandono, geralmente são animais muito carinhosos e brincalhões, ao mesmo tempo em que são mais delicados durante brincadeiras, tomando cuidado para não derrubar objetos ou morder com força, ao contrário dos filhotes.

Gatos adultos são altamente adaptáveis a uma nova situação e familia. O Arthur, com quase 1 ano de rua, soube usar imediatamente a caixinha de areia, aprendeu rapidamente o que podia ou não fazer aqui em casa e nunca teve comportamentos como arranhar moveis e tentar roubar comida da mesa.

Logicamente que grande parte desse bom comportamento dele foi resultado da castração aos 6 meses de idade, enquanto ainda morava nos jardins do prédio.

Animais mais velhos doados por protetores sérios, além de castrados, estarão com todo o esquema vacinal feito, vermifugados e sadios, o que acaba tornando-o mais "em conta" do que um filhote no momento da adoção, que ainda  irá precisar de mais uma dose da vacina multipla e ração de filhotes até um ano de idade, que costuma ser um pouco mais cara do que a ração de adultos.





Se você mesmo tirou o gatinho da rua, leve-o ao veterinário para um check-up geral e providencie logo a castração para uma melhor adaptação ao novo lar :) 

Outra coisa a considerar de um adulto é a personalidade. Um filhote adorável pode mudar enquanto cresce e você, que gosta de afofar o seu pet, pode acabar com um que fica arredio à colo e não gosta de ficar perto das pessoas.  O adulto é exatamente aquilo que se mostra :)

Adultos são mais tranquilos, se adaptam bem aos horários e rotina da casa, não se importam com horas de solidão enquanto você trabalha, mas estão sempre dispostos nas horas de brincadeiras :)

E o mais importante, gatos adultos, infelizmente, são deixados para trás, não somente pela idade, mas também por sua pelagem. A maioria das pessoas preferem filhotes branquinhos de olhos azuis e parecem que se esquecem que aquele bebê também irá crescer.

Como mãe de um "tigrado comum" que veio a ser meu com 1 ano de idade, falo com segurança que ele é o gato mais perfeito que existe e nem mesmo um filhote escolhido a dedo seria tão "nosso" quanto o Arthur é  :)

Adotando um gato de 1, 4, 5, 9 anos, ele ainda terá vários anos a frente para devolver o amor pela chance que você deu a ele. Vale muito a pena! :)

E, para finalizar, o primeiro panfleto de conscientização em que o Arthur aparece, pois, sem modéstia por parte dessa mãe apaixonada, não teria um modelo melhor :)



19 de fev. de 2011

Gatos e Pitbulls

Na minha opinião, um Pitbull é um gato reencarnado, onde o espirito forte e encantador combinam com um exterior imponente.

Eu tive o prazer de conhecer Pitbulls maravilhosos. Cães equilibrados, felizes e gentis, que vinham correndo até mim, querendo carinho e atenção, se apoiando em meus pés, tão sutis quanto um Nelore em fuga.

Do mesmo jeito que a maioria das pessoas não entende como eu posso amar tanto gatos, julgados como seres falsos, egoístas e traiçoeiros, paro na rua e acaricio Pitbulls sob o olhar satisfeito dos donos e das outras pessoas ao redor, que não acreditam na "louca fazendo festa para uma fera."


Infelizmente o preconceito também é um ponto em comum entre gatos e Pitbulls.

Essa semana o Animal Planet apresentou um documentário do diretor Bobby J. Brown chamado BRIGA DE CÃES, relatando as rinhas de Pitbull, os abusos cometidos contra os cães e o preconceito com a raça.

É verdade que os Pitbulls foram criados com o intuito de subjulgar touros na arena, mas com o passar dos seculos e evolução do pensamento humano, as lutas com touros foram extintas e ele transformou-se em um querido animal de estimação e a escolha de muitos como cães de família.

Eles tiveram seu período de glória, assim como as gatos que já foram reverenciados como Deuses. Infelizmente, a sorte do gato mudou na Idade Média e alguns preconceitos perduram até hoje. Essa mesma "caça às bruxas" atinge o Pitbull e tanto eles quanto os gatos sofrem com a ignorância humana que ameaça seu bem estar.

Hoje em dia os Pitbulls são associados à criminosos, como membros de gangues e traficantes. Mesmo já sendo cientificamente provado que pessoas que maltratam ou se divertem com o sofrimento dos animais possuem distúrbios psicológicos e uma grande chance de se tornarem serial killers, ainda há um grande número de pessoas que acreditam que ter um cão de briga passa uma imagem máscula, representa status, inflando um ego deturpado, principalmente se seu Pitbull for um campeão de rinhas, matando e dilacerando outros para o bolso dos donos.

O documentário apresenta um criminoso e sua rotina para "treinar sua cadela e transformá-la em campeã". O preparo se dá com condicionamento físico, uso de esteróides e modificação das presas, anestesiando a cadela e afiando seus dentes com uma lixa para que ela possa fazer mais estragos ao oponente.

Os marginais utilizam da lealdade do cão para submetê-lo a essas sessões de tortura. Tanto é errônea a idéia de que o Pitbull é um cão naturalmente agressivo que muitos deles foram mostrados tentando fugir dos oponentes e do ringue. E, infelizmente, a esses animais o fim se encontra em pauladas, fogueiras ou morte por inanição. Não são permitidos fracos ou covardes nesta atividade doentia que valida com quantias milionárias os donos dos cães sobreviventes.

E o que acontece quando a policia descobre um ponto de rinha e prende seus responsáveis e apreende os cães? Apesar da doçura que demonstram às pessoas mesmo com os corpos cobertos de cicatrizes, as autoridades não arriscam colocar para adoção um cão com esse tipo de histórico e encaminham para eutanásia os animais confiscados.

Os danos causados pelas rinhas são tão extensos que prejudicam a reputação da raça como um todo, afetando até mesmo os donos responsáveis e os animais equilibrados criados adequadamente. Nos E.U.A. em locais onde a criação do Pitbull foi proibida, os cães são recolhidos, os proprietários são multados e se escolherem permanecer com seus cães, são obrigados a se mudarem para outro estado ou cidade. E aqueles que estão em abrigos, esperam eternamente por uma família, sem nunca serem escolhidos diante do estigma criado ao redor deles.

De acordo com BRIGA DE CÃES, anualmente, para cada Pitbull que é adotado, 600 são postos para dormir e somente na Georgia, são sacrificados 1000 Pitbulls. Inúmeras vidas inocentes que terminam cedo demais, sem experimentar dignidade, por nossa causa.

Tragicamente o número de gatos está próximo a esta marca, já que bons lares e famílias responsáveis não são tão numerosos quanto os gatinhos que nascem por causa da irresponsabilidade de pessoas que não castram seus animais e daqueles que são covardemente abandonados.

Assim como os gatos, Pitbulls necessitam de um certo tipo de humano.

Não são todas as pessoas que conseguem compreender a natureza felina e para ter um Pitbull também é necessário a consciência do cão poderoso que está sob nossa tutela. Os Pitbulls não entram em um ringue, massacram seu semelhante e se tornam desequilibrados por opção. Ou melhor, qualquer cão pode se tornar um perigo para as pessoas ao encontrar um tutor medíocre e ele nem precisa participar de rinhas. E, não importa seu porte ou raça, no final, a verdadeira vitima é sempre o animal. Como é dito no documentário: Por que culpar a arma? Culpe o dono da arma. Uma arma só é perigosa quando o dono da arma puxa o gatilho.

Felizmente, apesar do grave quadro em relação à raça, assim com os gatos, Pitbulls também contam com pessoas devotadas, que os criam com outros cães, com seus filhos pequenos, plenamente socializados e integrados à vida domestica e à sociedade. Donos, Ongs de resgate, treinadores especializados em reabilitação de animais negligenciados, abandonados e até aqueles que foram agredidos e mutilados por humanos ignorantes.

Os amantes de Pitbulls que aparecem no documentário defendem a idéia da obrigatoriedade de uma licença para a criação de qualquer animal, argumentando que as pessoas têm o dever de conhecer as particularidades e principais cuidados da vida pela qual desejam ser responsáveis, evitando assim futuros abusos e abandonos e com condenações mais severas para estes crimes.


A Nakira foi um exemplo desta raça para mim, foi a razão de eu amar tanto Pitbulls hoje em dia. Uma cadela maravilhosa. Sabia dosar suas horas de proteção ao seu lar e docilidade ao irmos passear, balançando alegremente seu rabo ao morder um galho, rolar na terra ou ficando ao meu lado, enquanto eu visitava e cuidava dos resgatos internados na clinica veterinária onde ela morava.

Nakira foi assassinada com chumbinho jogado pelo muro de sua casa. Seu dono era um veterinário e ele não conseguiu salvá-la. Quando o Ulisses estava prestes a ter alta da clinica , visitei o quintal que a Nakira costumava brincar e senti minha garganta apertada pela ausência daquela cadela tão nobre que somente havia me dado momentos alegres.

Faço minhas as palavras das pessoas decentes e dignas do documentário, que me fazem acreditar que há esperança de um futuro melhor não somente para os Pitbulls ou gatos, mas para todos os animais:

"Temos que voltar ao tempo em que tínhamos um cão ou um gato e nossos filhos amavam e cuidavam deles.

Precisamos criar crianças boas para o futuro.

Possuir um animal é um privilégio."


25 de jan. de 2011

Amor, raça e sangue


Venho de uma família - por parte de mãe - pernambucana de descendência holandesa onde olhos verdes e azuis são comuns.

Eu, filha de mãe morena de olhos verdes, nasci negra de cabelos cacheados. E meu irmão branco do cabelo lisinho e loiro.

Não preciso dizer de quem as pessoas gostavam mais.

Também acho que não preciso dizer quem de nós dois sofreu com preconceito e com apelidos por boa parte da infância e adolescência.

Demorou bastante tempo para que eu entendesse que o problema não era meu, que o Brasil é um país de mestiços e que aquela garota branca e loira que me colocava apelidos possuía um ancestral negro como meu bisavô e meu avô que me deram a cor que carrego na pele.

Quando comecei a dividir a vida com animais, nenhum deles era de raça. Todos, até hoje, eram da rua sofridos e renegados. E eu, sem amigos na escola, passava meus dias com meus bichos que, com pelagens e personalidades mais variados, possuíam de mim o mesmo amor.

Muitas pessoas já me perguntaram qual a raça do Arthur. E duvidaram fortemente quando eu disse que "um gato tão lindo" veio da lixeira, sem raça alguma e penou bastante até ter um lar.

Infelizmente a verdade é que raça, pedigree e sangue azul não salvam ninguém de tristezas.

Basta olhar tantos animais de raça abandonados e negligenciados que esperam por uma família que os vejam como seres vivos e merecedores de dignidade. E diante desses números crescentes ainda existe aqueles que preferem COMPRAR a ADOTAR um animal.

Se analisarmos o quadro geral, não só de animais de raça, mas de animais como um todo, podemos observar a dificuldade que os protetores sérios ( aqueles que não entregam animais a granel , que se preocupam genuinamente em achar os melhores lares possíveis ) enfrentam para doar.

Além de terem resgatado, investido tempo, dinheiro e carinho, ainda precisam ATURAR pessoas que pedem bichos de raças especificas, gatos brancos de olhos azuis, cães cor de chocolate, animais jovens, peludos, entre outros requisitos estéticos que nada influenciam no apego que o animal terá e mostrará a você.

Os animais não estão para adoção para que as pessoas tenham maior variedade para escolher. Os animais estão para adoção porque alguém os maltratou, alguém foi irresponsável e não castrou os pais, alguém foi fútil e os comprou e depois, cruelmente os abandonou.

Cabe a nós darmos a eles dias mais justos e a oportunidade de acreditarem na raça humana novamente.

Nenhum pai ou mãe pode escolher com precisão como serão os filhos que saem do ventre. Por quê querer escolher um filho que deveria ser do coração?

Todos os animais, independentes da idade, raça, cor ou idade merecem tudo o que eu desejo para mim.

O sangue vermelho que corre nas veias é o mesmo em todos nós.



“Os animais do mundo existem por suas próprias razões. Não foram feitos para os humanos, assim como os negros não foram criados para servir aos brancos ou as mulheres para os homens.” ~ Alice Walker