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31 de dez. de 2011

2011, um ano bom :)

Olá a todos :)

Estou em SP desde o dia 29/12/2011 , visitando meus queridos da Confraria de Miados e Latidos :)

2011 foi o ano de sonhos realizados :)

Fui ao Canadá, onde pude testar e comprovar a qualidade do meu inglês.

Toronto 
Quando retornei, apesar do sentimento de não pertencer a São Luís ainda continuar, foi um ano tranquilo em casa e no trabalho. Também terminei minha ultima cadeira da faculdade de Letras, agora é esperar janeiro para pedir meu diploma :)

Me distanciei de pessoas que em nada mais adicionavam em minha vida. Me distanciei de pessoas que optaram por ser socialmente irresponsáveis com os animais que deveriam cuidar. Não foi fácil, mas foi necessário. 

2011 também foi o ano que mais ganhei, também no quesito amizades. Pessoas maravilhosas, queridas, integras, que compartilham comigo o amor e respeito a cães e gatos carentes, que, assim como eu, desejam para eles um futuro melhor. 


meus queridos da Confraria de Miados e Latidos, picnic de 30/12


E, o mais importante de 2011, o que espero ser o meu legado, não por mim, mas pelos animais que consegui ajudar, o projeto Felinos Urbanos. 

46 gatinhos esterilizados, com a ajuda de pessoas dos mais diferentes lugares. 46 gatinhos que pouparam milhares de filhotes do sofrimento de um futuro incerto. 


gatinho #46 

2011 foi marcado pelas pessoas que cruzaram meu caminho. Que me ajudaram com o TOC - que se tornou extremamente brando - que me ajudaram a focar no que realmente é importante e em tudo que sou capaz de fazer, mesmo sozinha em uma cidade tão difícil. 

Pessoas que acreditaram em mim, acreditaram no Felinos Urbanos, mandando doações e palavras de apoio, sempre. 

Pela primeira vez vou terminar/começar um ano sem o Arthur por perto, mas ele está bem, seguro e feliz com os avós. Ligo duas vezes ao dia para saber se está tudo bem e já fui na Cobasi comprar uns presentinhos hehehehe

Neste ano em que meu filho completou 5 anos, foi também um dos melhores anos da minha vida. E eu sei que nada teria acontecido sem ele ao meu lado. 



Muito obrigada a cada um de vocês, por acompanharem o blog e todo o carinho por mim e pelo Arthur :)

Desejamos que 2012 seja repleto de saúde, felicidade e alegrias! :)

Um abraço apertado a todos vocês! 


19 de set. de 2011

Gilda ~ amor tricolor que se espalha e multiplica

Lembram da Capitu, ilustríssima Amor Tricolor #1 ?

Sua mãe, a Jackie, conheceu a Gilda em nossa visita/viagem a SP para as comemorações do aniversário da Confraria

Quem é mãe de gato, na maioria das vezes, entende a dor do outro que também, como nossos filhos, sofreram abandono. E quem é mãe de tricolor, que o amor vai além do que simples olhos podem ver, carrega dentro de si um amor reluzente, como as pinceladas douradas de suas filhas, que se espalham no meio da escuridão.

A Jackie oficialmente se tornou madrinha da Gilda, mostrando que quando carregamos compaixão e bem-querer em nosso peito, a distância é um mero detalhe.

Por favor, nos ajudem a divulgar essa doçura e fazer com que ela encontra uma família DE VERDADE, que a ame para todo o sempre.

Boa Sorte, Gilda :)


2 de set. de 2011

Milla foi para casa + prestação de contas

Ontem a Milla foi para casa. Depois de três longos meses ela foi adotada pela senhora que trabalha conosco a mais de 20 anos e a pouco tempo havia perdido seu cão, já idoso. Ela havia me pedido uma filhotinha - ela já possui 2 gatas, castradas, vacinadas e que somente comem ração - mas diante da impossibilidade de levá-la para o sitio no interior já castrada, acabou adiando a decisão.

Semana passada, com a devolução da Milla, ela pediu para adotá-la.

Não preciso dizer o tamanho do alivio sobre meus ombros quando ouvi essa frase. Mesmo com meu compromisso vitalicio com cada um dos resgatados, mesmo pegando-os de volta se algo der errado e acompanhá-los esporadicamente, de longe, raramente entrego algum resgatado para pessoas proximas pois sempre fica em mim o sentimento de vigilia, em uma potencia muito mais forte.

A Milla foi para um lugar enorme, com arvores, galinhas e patos para ela pastorear – estão seguros em um galinheiro – com crianças para brincar e com certeza os dias dela serão bem interessantes, sempre.

Mais importante, são pessoas que eu TENHO CERTEZA de que nunca irão desistir dela. São o tipo de pessoa que adotam animais que foram recolhidos doentes da rua, animais negligenciados e idosos, animais que ninguem mais queria e que com essa familia, acharam um lar digno. Que aprenderam, junto comigo, sobre castração e Guarda Responsável e que agem de acordo, mesmo com condições financeiras modestas em relãção a pessoas que eu conheço e que exploram economicamente seus animais, negligenciam ao menor sinal de doença ( apesar de ainda levarem toda semana ao petshop para banho e tosa ) ou deixam morrer, lentamente, nos fundos de granito da casa ou apartamento.

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Infelizmente a adoção da Milla dessa forma não criou nenhum outro novo link na corrente do bem que cresce toda vez que alguem adota um animal. A pessoa que opta por adotar está valorizando aquele animal, escolhendo salvar uma vida ao invés de alimentar o nojento comércio de criação de fundo de quintal e reprodução irresponsável que impera em minha cidade. Está aceitando os conhecimentos sobre Guarda Responsável que o protetor repassa e, com certeza, outras pessoas ao redor daquele adotante não ficarão mais alheias aos resultados do abandono e em como atos simples podem salvar uma vida.

Mas, ao menos, não haverá mais incertezas. Não haverá mais stress de procurar um adotante, encontrar e passar as horas imaginando quando o celular irá tocar com a noticia de mais uma devolução. Não haverá mais a preocupação constante em imaginar como a ração dela e as diárias serão custeadas por mais e mais semanas. Não haverá o sentimento de inutilidade para com as pessoas que fizeram doações e acreditaram na gente e no nosso desejo de dar a ela um bom lar, seguidas vezes.

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Infelizmente os cuidados com a Milla custaram dezenas de reais para o projeto do C.E.D. É a realidade. Nesses 3 meses que cuidamos dela, poderiamos ter utilizado esse capital para a castração de gatos de rua, resultado em um melhoria significativa para a vida desses animais, a curto, médio e longo prazo.

O mais importante que aprendi com a Milla, é também, provavelmente, a lição mais importante desse ano. Depois da Melissa, não irei mais resgatar nenhum animal a menos que seja um caso desesperador, como o dela. Todos os demais serão para o C.E.D.

Em uma cidade como a nossa, onde impera a ignorancia e egoismo, onde pouquissimas pessoas são realmente responsáveis pelos animais que possuem, não podemos mais nos dar ao luxo de resgatarmos e colocarmos para adoção, enquanto centenas de animais nascem e são abandonados, todos os dias apenas para sofrer nas ruas de São Luís. E é justamente daí que nossos resgates surgem. E mesmo com todo os sentimentos bons que uma adoção bem sucedida nos traz, o C.E.D será nossa prioridade.

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Não posso deixar de agradecer novamente a todos que colaboraram e acompanharam a Milla no decorrer desses longos dias.

Sem a ajuda de vocês, com doações e palavras de apoio e carinho, não teriamos conseguido.

PRESTAÇÃO DE CONTAS

Vou colocar aqui os gastos da Milla na semana anterior a sua adoção frustrada, até o dia 1, quando foi adotada novamente.

milla - comprovante transporte

Comprovante de transporte, ida e volta, no dia que conheceu a porcaria da adotante :P

milla - diárias - ultimas semanas

Comprovante das ultimas diárias dela, até o dia 19/08

milla - transporte

Comprovante de transporte para trazê-la do LT no dia 31/08

digitalizar0028

Ração que comprei para ela e a Melissa no dia 31/08

milla & melissa

Com o pagamento das diárias, transporte e ração, hoje no cofrinho há somente R$9.87

Faltam aí o transporte no dia que ela voltou para o Lar Temporário no dia 26/08 e o transporte de R$40 daqui para a casa nova que tirei do meu bolso, para garantir a ração delas, em um total de R$390 de despesas desde o dia 13/08/2011.

E segunda-feira a Melissa castra… ainda vou ver como iremos custear isso.

21 de dez. de 2010

Chuva


Em meu estado chove muito. Nosso inverno é caracterizado por 6 meses de chuva que podem variar entre uma pancada passageira para amenizar o calor da tarde até tempestades de horas a fio, com raios e trovões cruzando a cidade, fazendo com que falte energia, água transbordando nas ruas, invadindo casas e estabelecimentos, causando acidentes no transito e fazendo da vida de todo mundo um inferno.

Se para os seres humanos, com pensamento racional para nos protegermos deste clima, é um suplicio, imagine como os animais, aqueles nascidos e abandonados nas ruas, enfrentam essa situação.

Nossa primeira gata foi encontrada em um dia de chuva. Meu irmão estava saindo do treino de natação com meu pai quando a viram perto do carro, toda encolhinha e molhada, tremendo de frio. Eles se entreolharam e a levaram para casa e durante quase um ano, Zazá ficou protegida contra a chuva que a trouxe para nós, acomodada em nosso sofá, dormindo tranquilamente. Por uma piada de mau gosto do destino também estava chovendo quando ela faleceu.

2010 começou para mim com o resgate do Isaac. No final daquele dia de janeiro emocionalmente estressante para mim e ele, rezei agradecendo, com uma breve chuva própria em meus olhos, no silêncio e escuro do meu quarto, quando vi a tempestade caindo e que iria vitimá-lo se ele não tivesse me encontrado e escolhido.

Quando o Arthur morava lá embaixo a primeira chuva que enfrentou, estava encostadinho na porta do meu prédio, as patinhas debaixo do corpo para aquecer-se, até que comecei a colocá-lo para dentro do salão de festas enquanto esperava a chuva passar para ele voltar ao jardim. E hoje em dia, sempre que chove, eu agradeço por ele estar são e salvo, debaixo de meu teto e das minhas asas, minha cama e carinho sempre a disposição para aquecê-lo.

Infelizmente nossa alegria por alguns se transforma em tristeza pelos outros que não tiveram a mesma sorte e continuam sob a chuva, cansados, famintos, nascendo e morrendo na tempestade e escuridão do abandono e desprezo. Infelizmente a taxa de natalidade e abandono aumenta na época das chuvas, demonstrando a crueldade crescente do ser humano. Não basta não castrar, também é necessário abandonar os animais sob a fúria de uma tempestade.

Eu gostaria de possuir um cobertor bem grande para acolher e abraçar todos aqueles que precisam para que a chuva fosse apenas um som agradável na hora do cochilo, mas infelizmente é impossível. Agradeço por aqueles que através de mim encontraram um lar amoroso e que não mais sentem o pêlo molhado e frio e por seus filhotes não-nascidos que nunca irão experimentar o fechar de olhos e coração das pessoas.

Desejo que em 2011 a chuva nos traga paz. Lave embora a crueldade humana e o sofrimento daqueles que não tem voz. Que as ruas se tornem vazias e que a agua que cai não faça vitimas. Quando as nuvens se dispersarem neste novo ano, flores de bondade não somente para os animais, mas para todos, possam desabrochar e trazer esperança de que, após um caminho de dificuldades, há um arco-íris esperando.

Para meus queridos resgatos ( e aqueles que ajudei de alguma forma ) de 2010, um beijo no coração que sempre pertencerá a eles :)

Isaac ( janeiro ) , Léo e Clara ( fevereiro ) Layla e seus 4 bebês ( março ) , Dalila ( abril ), Chuva e Steve ( agosto ) , Ulisses ( setembro/outubro ) , Victor ( setembro – novembro ) e Amélie ( dezembro )



ame wa itsuka tomu no deshou ka zuibun nagai dakimatsu metai
ame wa doushite boku wo erabu no nige ba nonai boku wo erabu no

Será que essa chuva irá parar algum dia? Estou congelando por tanto tempo...
Por que essa chuva me escolheu? Por que escolheu a mim, alguém que não tem para onde escapar?

kako wo shiri tagaranai hitomi arai nagashi tekureru yubi
yasashii ho haba de iyasu kizuato todoki soude todoka nai kyori

Olhos que não querem lembrar do passado e dedos que conseguem enxugá-lo
As cicatrizes saram lentamente, em uma distancia inatingível que parece estar mais próxima

ame wa tomu kotowo shirazu ni kyou mo ori tsuzuku keredo
sotto sashi dashi ta kasa no naka de atatamo rini yori soi nagara

Hoje a chuva cai novamente, sem sinal de cessar
Enquanto quietamente nos aconchegamos no calor um do outro sob o guarda-chuva que estou segurando

( trechos de RAIN cantada por Sid )