O meu contato com a fotografia aconteceu de uma forma bem atrasada. Por anos eu sequer toquei em uma câmera, até que comecei a juntar dinheiro para comprar minha primeira CANON A420 pelo MercadoLivre, que demorou quase um mÊs para chegar durante uma greve dos correios.
Na época eu fazia hipismo e foi com os cavalos que aprendi as coisas mais básicas da fotografia como enquadramento, como melhor capturar luz natural e, é claro, a captura de movimento, sem falhas. Logicamente que nessa época eu me valia do modo de imagem estabilizada para capturar os saltos durante treinos e competições, mas mesmo assim, com o passar do tempo, meus colegas de esporte sempre me pediam para tirar fotos deles durante as pistas e alguns diziam que minhas fotos eram melhores do que a do fotografo profissional que era contratado durante as pistas. Enquanto eu conseguia 10-15 fotos de uma só pista, ele geralmente apresentava 5 clicks decentes.
2006
Com a chegada do Arthur minhas fotos se dividiam entre cavalos e o gatinho. Devo admitir que as primeiras fotos do Arthur eram um meio de mantê-lo por perto quando eu subia para o apartamento e tinha que deixá-lo lá embaixo. Também era uma forma de nunca esquecê-lo, pois eu sempre acordava no outro dia temendo não encontrá-lo. Uma das coisas que me marcou quando nos mudamos e tive que me separar dos meus gatos foi não possuir nenhuma foto deles. E com o passar do tempo prometi a mim mesma que, mesmo aquele gatinho não-oficialmente meu, teria o maior número de fotos possível.
A quase 5 anos fotografar o Arthur é o melhor dos meus hobbies. Desde pequeno ele me apresentou poses e olhares encantadores e minha mãe já naquela época, dizia que ele adorava se mostrar.
As coisas ficaram mais fáceis quando ele aprendeu o comando “sentar” e “ficar” , mas mesmo enquanto brincava, mesmo apenas se espreguiçando ou fazendo charminho no chão, - e correndo total risco de parecer uma mãe babona - as fotos dele sempre foram maravilhosas.
Arthur com 9 meses de idade ( 2007 )
Na verdade, o Arthur foi o meu grande professor. Assim que comecei a colocar as fotos dele em meu Orkut e em comunidades sobre gatos, mais e mais pessoas apareciam elogiando não só o modelo, mas os elementos da foto também. Sem perceber eu me via capaz de envolvê-lo assim como a atmosfera ao redor, tudo se mesclando ao meu olhar. Não me entendam mal, eu não sou uma fotografa profissional e ainda estou longe de ser uma fotografa decente. Somente a aproximadamente 1 ano aprendi a usar um editor para trabalhar melhor as cores ( eu ainda não sei usar Photoshop ) e com o passar dos anos investi em câmeras melhores, mas justamente por minhas incapacidades, nenhuma profissional.
A dois anos tenho a CANON XS210 IS e não penso em trocá-la tão cedo, além da comodidade de deixá-la somente no modo simples na maior parte do tempo e ter fotos adoráveis, adoro o fato de ser uma câmera que cabe no bolso, para todas as ocasiões :)
Ainda tenho muito o que aprender, mas com o Arthur e os diversos resgatinhos, tenho noções do que fazer ao fotografar gatos, especialmente aqueles que estão na fila de adoção. Uma boa foto pode fazer toda a diferença.
1- Não use flash
Por mais difícil que seja capturar um gato em movimento, o flash do modo de estabilizador de imagem pode estragar não só a foto, mas a experiencia para o animal. Primeiramente, nem mesmo os nossos olhos ficam confortáveis com aquela explosão branca, imagine os olhos de um gato, muito mais sensíveis do que os nossos. O flash nos olhos de um gato pode irritá-lo de tal maneira que ele nunca irá aceitar uma câmera em sua frente ( recebo muitas reclamações de gatos que até fogem o_O ) . E mesmo quando o gato permanece na pose, não existe coisa mais horrível do que o flash refletindo nas retinas, resultando em olhos vermelhos e um aspecto fantasmagórico.
2- Aproveite-se da luz, mesmo à noite
A partir do momento que nos livramos do flash, abrimos um novo leque de possibilidades quanto à luz e situações. Minha preferência são fotos diurnas ( especialmente com sol ) e à tarde, também com as luzes do por-do-sol, se possível. As cores do pêlo e olhos do gato mudam com o passar do dia e é legal capturar essas variações.
Ao tirarmos fotos a noite temos que nos certificar que o comodo é bem iluminado, com luzes amarelas ou brancas, desde que fortes o suficiente para ficar nítido e que, mesmo com o gato se movimentando, manter o nível de tremor minimo possível.
Para quem mora em apartamento, até mesmo a luz que entra por uma janela com persianas pode render uma bela foto se soubermos o melhor angulo para aproveitar a iluminação e as sombras do momento.

Clarinha no dia que foi resgatada ( 2010 )
3- Estabilize a câmera
Depois de centenas de fotos nesses últimos anos ( mais de 500 delas somente do Arthur ), a firmeza em minhas mãos está 80%. Ainda é necessário uma duzia de fotos para que 6 se salve ( hehehe ) mas considerando como eu comecei, acredito que foi uma melhora. E não é necessariamente preciso um tripé para isso - nunca usei o da minha camera O_o - apenas um ponto firme para apoiar os cotovelos ou mesmo deitando no chão com a câmera no mesmo nível do animal, para que a unica preocupação seja divertir-se com o que há a sua frente :)
Alexis brincando ( 2009 )
4- Seja você um ponto focal
Uma das coisas mais legais sobre os gatos é que é muito fácil chamar a atenção deles. Ás vezes um simples som ( "pssss pssss" ), um brinquedinho ou até mesmo um petisco pode fazer com que eles olhem para onde queremos e façam diferentes poses.
Com o Arthur utilizo um canudo ou lápis ( ele é fanático por coisas cilíndricas ), digo o nome dele ou até a própria alça da câmera ajuda na maioria das vezes. Com os resgates, chamar o nome deles bem baixinho e de forma carinhosa ( minha amiga diz que tenho "voz de ursinho" heheheh ) também funciona e para gatos mais brincalhões, mexer os dedos no chão, eles se colocam em modo de caça e não há nada mais bonito do que capturar um gato e seu lado selvagem :)
Ulisses ( 2010 )
5- Capturando o olhar
O olhar e a expressão de um animal são as armas mais poderosas que um protetor possuí ao anunciá-lo e conseguir uma boa adoção. Já vi fotos sofríveis de gatos disponiveis e os responsáveis se lamentando a razão da falta de procura. Mesmo que o gatinho seja maravilhoso pessoalmente, é necessário que ao menos uma foto capture sua personalidade e elegância.
As vezes nos deparamos com animais belissimos que facilitam muito o trabalho, em outras vezes, são gatos considerados "comuns" mas que possuem um visual imponente e marcante se apenas soubemos como melhor traduzi-lo. Já vi fotografias lindíssimas de gatos pretos, escaminhas e tigrados, gatos que seriam ignorados a primeira vista, mas que encontraram alguém que sabia apreciar aquela beleza individual.
Nick, um branco e tigrado "comum" que teve mais de 10 interessados
:) ~ 2011
A maioria dos resgatos anunciados pela internet chamam a atenção de um adotante em potencial pelas fotos apresentadas.
Isaac ( 2010 )
Além disso, a feição e o olhar de um gato mudam durante sua vida e as situações em que ele se encontra. Outro dia estava percebendo que agora o Arthur, com 4 anos e 9 meses, tem uma feição total de adulto ( gatos se tornam adultos plenamente aos 3 anos e meio ) . O mesmo acontece com os resgatos. Geralmente os que chegam aqui demonstram certa tristeza em seu semblante, resultados do abandono, fome e doenças, mas em poucas semanas de cuidado é possivel perceber o que carinho e atenção podem fazer.