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27 de abr. de 2012

Quando os gatos caem

Praticamente todo santo dia ouço ou leio a historia de um gatinho que sofreu uma queda de apartamento ou local alto.

E, geralmente, é a mesma ladainha, pessoa tinha gatos, mas não tinha telas, "isso nunca tinha acontecido antes", etc. E lá vem os amigos do irresponsável passar a mão na cabeça, dizendo que vai ficar tudo bem, que o gato perdeu uma vida mas tem as outras, que a culpa não foi da pessoa.

Assim que o Arthur chegou no nosso apartamento não tínhamos absolutamente NADA preparado para ele. A caixa de areia - em tamanho errado - só foi comprada na manhã seguinte. E uma das coisas que tivemos que aprender a conviver foi com as janelas fechadas e atenção redobrada toda vez que ele ia para a varanda.

Minha mãe possui sindrome do panico. Ela não anda em elevadores, não viaja, não consegue passar muito tempo dentro de locais fechados. A simples ideia de uma tela no apartamento lhe trazia extremo desconforto pelo bloqueio visual.

Ao mesmo tempo, ela, ainda hoje, é a pessoa mais preocupada com a segurança do Arthur. No ano passado, com muita conversa, consegui convencê-la de começar a telar o apartamento. Eu sei que cada tela representa uma batalha mental e agradeço IMENSAMENTE o carinho que ela possui em relação ao nosso gatinho para também querer protegê-lo.



Nossas janelas são grandes e passam bastante iluminação. Mas mesmo assim, foram 4 anos de janelas TRANCADAS. A janela do meu quarto estava travada de tal forma que quase não abria mais quando colocamos as telas. E por que isso tudo?

No meu prédio a gata se jogou do terceiro andar para a área da piscina, batendo o corpo numa pilastra de concreto. Só não saiu correndo e fugiu porque, por um golpe de sorte, eu estava na area no momento. E no prédio ao lado, uma outra gata se jogou do 7º andar, os donos gastaram uma fortuna para remendar os ossos quebrados e quando ela teve alta do hospital, a levaram novamente para o apartamento, sem telas. Pouco depois a gatinha se jogou e morreu.

"Ah, mas os gatos caem de pé" - Verdade... porque cair da altura de sua estante enquanto estão dormindo é a mesma coisa de cair da janela ou da sacada em direção a rua, certo?

Gatos se machucam quando caem. Os ferimentos diferem de acordo com a altura, mas nem por isso deixam de ser doloridos e sérios.

Os andares mais baixos não permitem que eles se preparem para a queda e os andares mais altos causam rupturas de orgãos, hernias, fraturas e até a morte dos mesmos.

A hernia mais comum permite que o estomago e outras vísceras invadam a cavidade do tórax, comprimindo pulmões e coração, tornando cada respiração extremamente dolorosa, até que os orgãos, com pressão extra, começam a entrar em colapso.

Agora, imaginem um gato já com o trauma físico de uma queda, apavorado no térreo deste prédio, sem saber o que aconteceu. No minimo, ele irá se arrastar para algum lugar escondido, senão sair correndo para as ruas com seus ferimentos. E possivelmente irá morrer sozinho.

Telar as janelas e a sacada de um apartamento é algo barato. É importante lembrar que, para gatos, o espaço entre os ganchos deve ser bem menor do que o que seria para uma criança. A tela deve estar bem esticada e firme ao ser empurrada. Boas empresas também oferecem manutenção periódica, pois alguns gatinhos tem a mania de roer as cordas.

Felizmente, nas grandes cidades, a conscientização em prol do bem estar dos felinos já está crescendo em números, mas ainda existem pessoas que dão chance ao azar e até questionam quando um protetor exige a proteção das telas para o animal que será doado.

Mas, permitam que alguem que ainda vive com a varanda travada e que até hoje não deixa o gato sozinho em casa, mesmo com as janelas teladas, lhes dê um conselho: Do mesmo jeito que se algo acontecesse com o Arthur, a culpa seria completamente nossa, se o seu gato cai da sua janela não telada, sim, a culpa é sua, toda sua.



Ninguém é obrigado a adotar um gato, mas se vai fazê-lo, o minimo é oferecer um lar com amor, cuidados e SEGURANÇA. O seu gato sentirá dor ou poderá até morrer por causa de uma queda que deveria ter sido evitada. E você continuará com seu dia-a-dia e mesmo que sinta remorso, seu gatinho permanecerá machucado ou com a vida perdida por sua culpa.


Cada vida do Arthur é muito importante para mim. 
Eu viveria o resto dos meus dias com janelas fechadas e em frestas ou eventiladores para mantê-lo a salvo.

17 de dez. de 2011

Revoluções de sofá e mouses indignados


Nos últimos meses vejo nas redes sociais movimentos de indignação por parte de seus usuários, em relação a inúmeros casos de maus-tratos à animais ao redor do Brasil.

Não que estes casos apenas começaram a acontecer recentemente. Para quem está na proteção animal, que lidamos com isso diariamente, colocando literalmente nossas mãos em animais sangrando, esqueléticos e doentes, resultados direto da negligencia humana, esses casos, apesar de sempre revoltantes, não são novidade.

Mas, parece que somente agora, a crueldade contra animais se tornou realidade para os demais brasileiros e como tudo que se populariza, também tenho algumas ressalvas em relação a este ativismo internetico.

Coloco como exemplo o caso dessa semana, um cãozinho yorkshire que foi espancado e veio a óbito pelas mãos de sua dona, que o torturou na rente de uma criança de 3 anos.

O crime foi gravado pela vizinha do andar de cima, como forma de denuncia pois os atos de violência não eram incomuns. O que não se previa era que justamente nesta noite a loucura da mulher iria matar o animal.

E então começaram as chover os compartilhamentos, as frases prontas e cheias de raiva. Pessoas querendo matar a mulher, a pessoa que filmou, desejando mal a toda a família, expondo fotos de cães de raças grandes e já encobertas de preconceito, como vingadores e matadores de aluguel para atacar a mulher, entre outras barbaridades que um crime bárbaro provoca.

No entanto, a indignação que nas redes sociais é tão intensa, se cala diariamente para tantos outros animais que morrem nas ruas, atropelados, envenenados, surrados e, por não terem ninguém para filmar suas dores, seus sofrimentos são despercebidos e ignorados propositalmente.

De tantas pessoas que se indignaram pelo caso do cãozinho, quantas já pararam na rua para colocar água ou comida para um vira-lata doente? Quantas já bateram o pé ou espantaram um gato de rua que se esfrega implorando comida ou até jogaram água quente em algum animal perturbando em suas proximidades?

Clamar justiça por um animal mas esquecer todos aqueles ao seu redor, aí mesmo, na sua vizinhança.

E quantas dessas pessoas que culpam a mulher, xingando-a e desejando sua morte, divulgando seus dados, etc, já colocaram seus próprios yorkshires ou cães de outra raça para reproduzir indiscriminadamente? A grande grande maioria, com certeza. E essa sua irresponsabilidade pode ser o que causou a morte desse animal.

Você, que reproduziu seu macho ou fêmea para obter um trocado, pode ter sido quem colocou essa vitima nas mãos da “enfermeira do diabo”. Estatisticas não mentem, 9 entre cada 10 filhotes que você coloca no mundo por ganância nunca encontrarão um bom lar. Aquele filhote que você vendeu pro primeiro que apareceu abrindo a carteira pode ter acabado nas ruas, estar acorrentado passando fome no quintal de alguem e ser mais uma vitima, como o yorkshire filmado. Já pararam para pensar nisso também?

Por ultimo deixo o recado de que nada adianta colocar fotos de pitbulls, rottweillers e outras raças grandes para se encontrarem com a enfermeira, pois estes animais são tão vitimas quanto qualquer cão pequeno diante da crueldade humana. O cão Lobo, que também encontrou uma morte estúpida e sofrida nas mãos de seu dono, era um rottweiller. Pitbulls são espancados e mortos cruelmente todos os dias. São colocados para brigar e se estraçalharem em rinhas, por nossa sede de dinheiro em cima do sangue alheio. Essas imagens apenas aumentam o medo ignorante em relação a essas raças.

Vamos mais longe... souberam dos 49 animais selvagens que foram mortos a tiros em uma fuga de zoológico particular nos E.U.A? Tigres e leões, os reis da selva, criaturas majestosas e mortais, que foram abatidas tão facilmente com armas de fogo.

Nenhum animal, grande ou pequeno, está a salvo de nossa loucura.

O pior é que todas essas pessoas que compartilharam o vídeo do cão, que xingaram a mulher, que clamam por justiça, apenas o fazem do conforto de suas casas, nunca sequer colocando suas palavras em ação. Revoluções de sofá e mouses indignados que não mudam nada.

A dona do cão SE sofrer alguma condenação será por expor a criança ao crime, não pelo animal. Não se engane achando que compartilhar esse vídeo monstruoso irá servir de alguma coisa.

Eu não assisti. Não preciso dessa tortura para saber ou lembrar das coisas que vivencio.

As coisas que me incomodam eu tento mudar com AÇÕES, com minhas próprias mãos, sem esperar nada dos outros, nadando contra uma maré de gente acomodada, em uma cidade que personifica o atraso e ignorância.


Se você se revolta com maus-tratos contra animais, ajude um animal de rua ou doe para um protetor ou ONG sérios.

Esse cão morreu por culpa de nossa irresponsabilidade, como sociedade, com os animais.
O criador de fundo de quintal de onde esse animal veio, o marido e familiares que com certeza já testemunharam outros abusos, os vizinhos que ficaram calados ouvindo o choro do cão e todos nós que observamos animais sofrendo, sem mover um dedo.

E essa de “ela estava com depressão” não cola.  É até um insulto para milhares de pessoas que sofrem ou já sofreram com a doença e nunca sequer levantaram a voz para seus animais de estimação.

Sinto muito por este e por todos os cães, gatos, cavalos e centenas de outros tipos de animais que, sem vídeos ou comoções na internet, são vitimas diariamente.

15 de nov. de 2011

Castração em gatos - FATOS

Sim, ainda hoje eu me impressiono com o nível de ignorância das pessoas em relação a castração. 
Não somente os preconceitos estúpidos, mas a falta de informação mais básicas.

Em parte culpo a própria pessoa que pretende ter um animal e não pesquisa sobre os mínimos cuidados. Ou ao menos os mais importantes. Quem nunca viu um bicho que vai toda semana banhar, fazer tosa e hidratação no petshop, mas come ração de combate, as vacinas estão atrasados e o dono não castra? Ou gente que diz que não tem dinheiro para castrar mas está sempre no facebook postando fotos de festas, saídas e outros itens supérfluos?

Em segundo, culpo alguns membros da classe veterinária. Ainda há uma grande parcela que não aborda o procedimento como necessário para o bem estar do bicho, perdendo assim uma excelente oportunidade de educar inumeros donos, evitar a reprodução indiscriminada e a criação de fundo de quintal, além dos problemas de saúde e comportamento que irão acometer o animal. 
( Leia - http://amoremiados.blogspot.com/2011/09/veterinarios-x-abandono.html )

Em terceiro, culpo o governo, que não investe em campanhas de conscientização em relação a guarda responsável, que não investe em centros de esterilização para promover multirões, especialmente para pessoas carentes e que ainda não assumiu seu papel para a diminuição dos números do abandono.

Então, vamos abordar a castração em fatos concretos e tentar conscientizar mais pessoas sobre este importante procedimento para o bem estar do animal

1- Gatos e gatas atingem a maturidade sexual com 6 meses de idade. Quando há animais não-castrados pela região isso poderá causar cio precoce nas fêmeas e elas podem emprenhar aos 5 meses de idade. Machos mais jovens também podem se tornar territoriais ( marcando a casa com urina, se tornando stressados e agressivos ) e fugir para reproduzir e brigar quando há outros machos inteiros ou fêmeas no cio.

2- Quanto mais cedo for castrado, melhor para o animal. 

Ao redor do mundo a castração de filhotes - castração pediátrica - é feita aos 2 meses de idade. Em São Paulo também. Isso diminui os riscos cirúrgicos, diminui o tempo de recuperação e os problemas de  saúde e comportamento que eles poderiam ter. Em animais para adoção, é imprescindível que sejam castrados antes de serem doados. Até o melhor e mais responsável dos donos pode acabar com uma fêmea prenhe por descuido ou um macho atropelado por fuga para reprodução.

Se em sua cidade não há profissionais capacitados para o procedimento, leve o gatinho para operar assim que completar seis meses e, no caso de animais doados antes, se comprometa com sua esterilização na idade adequada.

Nenhum protetor sério e com caráter doa animais não-castrados ou sem o compromisso de custear sua castração na idade adequada. 

3- A técnica de gancho é a mais bem-sucedida para castração em fêmeas. Faz-se uma pequena incisão, o útero e ovários são encontrados com o gancho cirúrgico e devidamente retirados. Geralmente não é necessário mais de 2 pontos de sutura. Evita-se assim o risco de hernia e infecções pela não exposição desnecessária das vísceras e diminui-se o tempo de recuperação.

Em alguns locais, já se utiliza apenas cola cirúrgica, pelo tamanho minimo da incisão. 
Quanto mais competente o veterinário, menor a incisão da cirurgia.

gata #17 do projeto Felinos Urbanos, castrada com cirurgia de gancho e fios absorvíveis
- apenas 2 pontos de sutura -

4- O animal não se tornará "lerdo", gordo ou dorminhoco pela castração. A responsabilidade para que ele se mantenha ativo e em forma é inteiramente do dono. 
( Leia - http://amoremiados.blogspot.com/2011/09/vida-indoor-e-enriquecimento-ambiental.html )

5- A castração não impede que o gato ou gata vá para as ruas. O argumento "meu gato foi castrado mas ainda foge" apenas deixa claro a sua irresponsabilidade ao permitir que ele tenha acesso à rua e seja vitima de atropelamentos, crueldade e doenças. 

Somente muros altos e janelas teladas, assim como outras barreiras físicas, impedem que um animal caçador, curioso e territorial como o gato se mantenha dentro de casa.



Nos tempos de hoje a castração deve-se tornar prioridade. São milhares de animais que nunca encontrarão um lar e alguém para zelar por eles. Seja você um dono, protetor ou veterinário, nós como sociedade não podemos mais permitir que tantos filhotes nasçam neste mundo que não cuida nem dos existentes.

Se centenas de pessoas ao redor do mundo gastam tempo e dinheiro para castrar inúmeros animais todos os dias, acredito que você possa agir corretamente com o único que possuí em casa :)

Para finalizar: 








14 de ago. de 2011

O que é o C.E.D?

Gostaria de OFICIALMENTE apresentar o nosso mais novo projeto que objetiva um maior bem-estar para os gatos de rua da minha cidade, seu conceito e razões para seu desenvolvimento, de acordo com o seminário que participei na Humane Society de Toronto – o C.E.D.

Mas o que é C.E.D?

É uma técnica utilizada em vários países desenvolvidos, como os E.U.A, Inglaterra, Canadá e já é realidade em algumas cidades brasileiras, através de projetos pioneiros como os GATOS ENCANTADOS ( RJ ), a CONFRARIA DE MIADOS E LATIDOS (São Paulo) e o CATS OF NECROPOLIS ( Santos ).

O principal objetivo é o controle da população de gatos abandonados ou nascidos nas ruas, através da captura, castração e devolução dos mesmos aos locais de origem.

Algumas pessoas podem achar natural avistarem gatos pelas ruas. Mas infelizmente isso é resultado de uma política inexistente ou ineficaz de controle populacional de animais domésticos, somado à ignorância e descaso humano.

Mesmo em países onde existe um controle de animais abandonados, verificavam-se várias falhas em sua execução, que se limitava ao recolhimento e eutanásia desses animais.

Somente em New Jersey 25% dos impostos era utilizado para a eutanásia dos gatos após sua captura.

Gatos são excelentes caçadores. E forçados pelo abandono a retornar a um estado feral se tornam predadores da vida selvagem, competindo com os predadores nativos.

Gatos ferais, apesar do medo de humanos, sempre rodam ou invadem propriedades em busca de abrigo e comida e incomodam os moradores do local. E mesmo quando recolhidos por algum agente de controle de pragas e levados para um local distante eles retornam ao local de origem, isso se não forem eutanasiados. E a grande maioria dos gatos ferais recolhidos são mortos com a justificativa de controle de zoonoses.

Existem pessoas que se compadecem com a situação dos gatos ferais e os alimentam, mas somente alimentá-los faz com que permaneçam no local, atrai novos animais para o local e eles se reproduzam com mais sucesso, trazendo malefícios a curto, médio e longo prazo. As colônias onde os gatos são alimentados por humanos apresentam um número dobrado e até triplicado em relação a áreas onde eles são forçados a encontrar seu próprio alimento.

Em seu primeiro ano de vida uma gata pode ter até 30 filhotes. Com 30 dias após o parto ela fica prenhe novamente. Esses filhotes se tornam sexualmente maduros aos 6 meses de idade.

Atualmente somente na área urbana de Toronto existem cerca de 100 mil gatos ferais.

E mesmo que se tornem capazes de sobreviver em situação de abandono os gatos ainda são animais domésticos e não deveriam precisar viver em situações precárias.

Por que o C.E.D funciona?

Os projetos de C.E.D dos E.U.A, Canadá e Inglaterra se tornaram bem sucedidos a partir do momento que a sociedade como um todo se deu conta de seu dever para com aqueles animais.

Em parceria com protetores independentes e abrigos como as SPCA’s e Humane Society, as autoridades criaram conselhos públicos sobre os gatos ferais ( em New York há o Neighborhood Cats http://www.neighborhoodcats.org/ ) e liberaram verbas para que os gatos recolhidos fossem tratados em hospitais bem equipados, com profissionais capacitados para a técnica de castração de gancho ( que reduz para 24hrs o tempo de recuperação para soltura das fêmeas ) e castração pediátrica a partir dos 2 meses de idade, além de promover a conscientização da população em relação à castração, ao abandono, maus-tratos, e crueldade contra animais domésticos e os gatos ferais das áreas.

Também recrutam e oferecerem treinamento para fiscais das colônias a serem incluídas ou que já estão no programa, ampliando ainda mais o senso de responsabilidade das pessoas em relação aos gatos da vizinhança.

A dedicação é tão grande que mesmo nas temperaturas baixíssimas do inverno existe um trabalho de proteção para os gatos ferais das colônias, feito com a instalação de abrigos.

No Brasil infelizmente os governantes ainda não se deram conta do real impacto das ações do C.E.D para o país e os projetos desenvolvidos – assim como o nosso – se mantém apenas com doações de seus voluntários e pessoas que se sensibilizam com a causa.

Além disso, somente a castração desses animais de nada adianta sem a conscientização da população em relação ao abandono, bem estar de seus animais e penas severas contra maus-tratos e negligência, aspectos infelizmente esquecidos nos discursos políticos e de maneira efetiva nas leis brasileiras.

O impacto positivo das ações de castração é claramente visível em uma área urbana apenas 6 meses após o inicio das atividades. Somente em Toronto no ano passado mais de 400 gatos foram auxiliados com o C.E.D.

Em San Diego houve uma redução de 50 a 73% no número de animais recolhidos e eutanasiados nos abrigos.

Somente em Santos o Cats of Necropolis já esterilzou mais de 116 gatos, os Gatos Encantados 67 e a Confraria de Miados e Latidos conta com 46 animais atendidos desde 2008.

Esses números resultam em menos de MILHARES de gatos sofrendo nas ruas brasileiras.

O que acontece com os gatos no C.E.D ?

Primeiramente eles são capturados. Por causa do comportamento feral da grande maioria deles é necessário saber como não os estressar em demasia. As capturas ocorrem no final da noite ou começo do dia, quando os gatos estão mais ativos. Após serem capturados nas gatoeiras são encaminhados para os veterinários e anestesiados para o manejo.

Em Toronto além de um exame físico completo, os gatos também recebem vacinas e vermífugos contra parasitas internos e externos.

Após a cirurgia eles recebem um pequeno corte na orelha, que é a sinalização universal para animais castrados e logo que estão recuperados da anestesia são soltos em seus locais de origem.

O C.E.D não somente é eficaz no controle dos animais, mas também na redução de gastos que protetores têm com eles, se compararmos com todo o processo de resgate até adoção.

Em cidades como SP e RJ que o CCZ já oferece castração gratuita os custos se tornam menores, mas ainda altos para pessoas que ajudam dezenas de animais durante todo o ano. O C.E.D é fazer o bem, de forma rápida, prática, com baixos custos e enorme impacto positivo.

No meu caso, cada gatinho custa uma média de 250 reais até ser adotado ( quando não é necessário nenhum tratamento veterinário ) E, sinceramente, prefiro ajudar dezenas com o C.E.D em poucos meses, do que poucos em um ano.

Faço das minhas as palavras da Tatiana da Confraria: “A esterilização é a única saída efetiva. A única ação que vai fazer mais do que enxugar gelo (que nós continuamos a enxugar com os resgates, tratamentos e doações de animais que promovemos), que vai impactar a vida de tantos animais que nem é possível quantificar.”

Já montamos nossas estratégias e vamos fazer o possível com o dinheiro e a única gatoeira que possuímos ( agradecemos de coração, sempre, sempre por essa doação tão preciosa! ), nem que seja para pegarmos apenas um gato por semana.

Além disso, pretendemos educar as pessoas sobre o projeto e, quem sabe, no futuro, arrumar simpatizantes, parceiros para as capturas e mais doações.

Para finalizar, traduzo aqui um trecho importantíssimo do Neighborhood Cats:

“O C.E.D não objetiva resgatar gatos. Seu objetivo é o controle populacional e permanente redução do número de gatos ferais de uma vizinhança. Não objetiva dar a somente um gato maravilhoso um ótimo lar. É diminuir o número de gatos abandonados recolhidos e os números das eutanásias, reduzir os custos do controle de animais e criar ambientes melhores e menos hostis para esses gatos.”

Para saber mais sobre os projetos desenvolvidos em SP, Santos e RJ, acessem:

http://blog.miadoselatidos.com.br/2011/03/27/ced-captura-esterilizacao-devolucao-o-que-e-isso/

http://gatosencantados.blogspot.com/

http://catsnecropolis.blogspot.com/

Para mais informações sobre o nosso projeto em São Luís , mande um email : amor_e_miados@yahoo.com.br


20 de jan. de 2011

não sou urubu


não gosto de saber de desgraça.

dois dias depois de fazer o vídeo, parecia uma piada de mau gosto do destino.

fiquei sabendo de inúmeros casos de maus-tratos e mortes de gatos que tinham/tem donos irresponsáveis que os deixavam/deixam sair nas ruas apesar de tanta informação que existe hoje em dia quanto à segurança deles.

em nenhum momento pensei que meu singelo vídeo iria mudar o mundo, mas é muito triste quando essas coisas acontecem e o pior, quando as pessoas fazem questão de te contar.

meu gato está dentro de casa, seguro, bem cuidado, castrado e feliz.

como alguém consegue conceber que eu - assim como tantos outros proprietários conscientes e protetores que fazem de tudo para trazer de volta a dignidade de uma vida tirada pelo humano - gostamos de saber de tragédias e contos de horror? :(

uma coisa é eu lhe dar a mão e sentir sua dor se seu animal faleceu depois de uma longa doença em que tudo foi tentado. outra é você me contar friamente que seu animal morreu por pura irresponsabilidade e ignorância.

eu fico me sentindo no chão por uma culpa que não é minha em absoluto :(

e o pior é que geralmente esses donos nada fazem, a consciência não doí, não compreendem que foram responsáveis pela morte de um animal indefeso que só tinha a eles para proteger e zelar.

eu ODEIO ficar sabendo de mortes estúpidas que podiam ser facilmente evitadas.

por favor, por favor, sejam educados e sensíveis e poupem a mim e a todos que realmente se importam com os animais de saberem dessas barbáries.