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24 de ago. de 2012

Quando adoções dão errado - O relato de uma mãe


Aqui no blog sempre deixo claro a importância de adotar e doar animais de forma responsável. 
Castração, vacinação, socialização e alimentação adequadas é o minimo que um protetor sério oferece aos animais sob sua guarda. E também é um modo de conscientizar e incentivar mais adoções. 

Infelizmente não é todo mundo que assume esse compromisso e historias de pessoas que adotaram animais que mais tarde se tornaram doentes ou até mesmo chegaram a óbito por omissão dos doadores não são raras, especialmente quando estes bichinhos são provenientes de locais super lotados, onde é impossível dar atenção, vacinas e cuidados adequados para todos. 

A Fernanda Peixoto, aqui mesmo de São Luís, tem um triste exemplo que hoje compartilha conosco. Sua gatinha Minerva faleceu recentemente, apesar de todos os esforços da Fernanda para salvá-la. 

1- Por que você quis adotar um bichinho?

Sempre me incomodei muito com a quantidade de animais abandonados que vejo pela rua. Tenho a impressão que aqueles que estão à venda por aí sempre encontrarão um comprador. E aqueles que estão jogados e maltratados por aí na maioria das vezes são ainda mais rejeitados pelas pessoas, justamente pelo estado em que se encontram. Eu quis ajudar, mesmo que fosse apenas um gatinho que eu estivesse cuidando. 

2- Você tinha alguma noção do que esperar de um bichinho doado por um protetor? Sabia que eles deveriam ser doados castrados, vacinados e saudáveis?

Não, eu não tinha noção da função desses protetores. Achei que deveriam apenas encontrar um dono para os bichinhos, e enquanto isso não fosse feito, teriam apenas que oferecer abrigo, comida e alguns outros cuidados básicos. 



3- Como se deu o processo de escolha da sua gatinha? Como ela chegou até você?

Uma pessoa muito importante na minha vida, um grande amigo, ciente da minha opinião, dos meus ideais para criar um animal e da falta que eu sentia de ter um gatinho, resolveu adotar por mim. Foi o melhor presente que eu já ganhei de outra pessoa. Foi um gesto muito bonito. 

4- Como era o local em que ela estava? Ela veio castrada, com vacinas ou vermifugada?

Como a adoção foi indireta posso falar do que me foi descrito. Soube que o local era uma casa que estava lotada de gatos. Cheguei a ver uma foto do lugar, pequena e que não mostrava muito, tirada por celular. Havia muitos, muitos gatos. Ela não veio castrada, nem com vacinas. Parece que ela recebeu a primeira dose do vermifugo lá, na hora que foi escolhida, e caberia a mim providenciar a segunda dose alguns dias depois. 

5- Quais as instruções de cuidados que você recebeu da pessoa que a doou?

Apenas terminar de dar o vermifugo e levá-la no veterinário pra ver o que ela poderia ter.



6- Quais foram os primeiros sinais de problemas? Qual sua conduta quando eles apareceram?

Ela chegou super bem aqui em casa. Em momento algum suspeitei de uma doença grave. Apenas me preocupei inicialmente com um problema na pele, que cheguei a achar que fosse pulga. Ela tinha a barriguinha inchada de gases. Fora isso comia super bem, era ativa, brincava com tudo, vivia pulando em sacos plásticos, uma gracinha. A levei em um veterinário no segundo dia. Mas, desafortunadamente, foi uma péssima escolha. Eu não chamaria o que a primeira veterinária fez de consulta, não me receitou nada por escrito, e eu tinha que perguntar sobre os sintomas que eu mesma percebia na gata. Usei frontline e a Minerva teve uma reação alérgica. 

Na semana seguinte levei a outro veterinário. Este sim, foi recomendado, e fez um ótimo trabalho. Diagnosticou um fungo na pele, para o qual receitou um shampoo e um sabonete. Também passou remédio para verme, assim como vitaminas e cálcio. Ela ficou curada do fungo e estava aparentemente muito bem. Ela só não foi vacinada logo porque o doutor achou melhor esperar que ela estivesse recuperada. Algum tempo depois percebemos a Mine com um desequilíbrio ao andar, acompanhado de espirros frequentes, secreção nasal e ocular, além de falta de apetite . O último veterinário estava viajando, e precisei recorrer a outros profissionais. 

Desta vez ela foi diagnosticada com uma pneumonia, provavelmente decorrente de Rinotraqueíte. Ficou internada por uma semana, melhorou da pneumonia, mas continuava muito fraca e não estava andando direito. Foi quando começaram a desconfiar de Peritonite Infecciosa Felina, uma doença de difícil diagnostico, que não tinha cura e limitava a vida da Mine. Ela voltou pra casa e passou seu ultimo dia comigo, já quase sem reação.  Tive sorte de encontrar esta equipe, que cuidou da Mine até o dia em que ela precisou ser eutanasiada. Não tive outra escolha. Fiz o que pude. Amei e cuidei dela enquanto esteve comigo. 

7- Em algum momento a pessoa que lhe doou a gatinha lhe procurou para saber como ela estava? Ela ficou a par da situação? 

Apesar de o meu amigo ter assinado um documento com as minhas informações e contato, nunca fui procurada. 




8- Você se arrepende de ter adotado um animal nestas condições? 

É difícil falar de arrependimento. Claro que se imaginasse todo o desgaste que eu viria a ter, teria evitado. Mas não me arrependo por ter convivido com esta gatinha extremamente amorosa, mesmo com todos os cuidados extras, e gastos consideráveis, que precisou de mim. Ela era uma fofa, lindinha, carente que fazia manha assim que eu entrava em casa e me seguia aonde quer que eu fosse e não desgrudava um segundo sequer. 

9- Você adotaria um animal novamente? Que conselho você daria para alguém que irá adotar o seu primeiro bichinho? 

Eu adotaria sim, apesar da experiência triste continuo acreditando na beleza do ato. Mesmo depois de ter ouvido de pessoas próximas coisas do tipo “é nisso que dá adotar gato desses lugares, só te deu dor de cabeça”. Eu sei que existem outras organizações competentes por aí. Preocupo-me com os vários gatinhos que estavam junto da minha filhote naquela casa. Quem tiver interesse em adotar, por favor, vá em frente! Apenas fique atento a tudo, principalmente ao tratamento oferecido para o animal. 

Minerva foi muito amada, mesmo no pouco tempo de convivência 

Que fique o alerta. Ao adotar um bichinho direto da rua, leve-o imediatamente a um veterinário. 
Ao adotar de um protetor, se certifique que ele foi assistido, com vacinas, vermifugo e castrado, afinal, essa é a nossa função. 

Se não puder arcar com todos esses gastos, seja sincero e honesto com o adotante para que ele possa optar por assumir os custos do tratamento, ao invés de ser pego de surpresa e ainda ver o bichinho que ama sofrer. 

Algumas pessoas ficam traumatizadas com a experiência e nunca mais adotarão. 


22 de ago. de 2012

Castração é maldade? Conheçam o Torto

Castração, para mim, é a unica forma realmente efetiva, rápida e humana para evitar as tristezas que acometem um bichinho. Um animal castrado será mais feliz, saudável ( sem tumores ou infecções em seus órgãos reprodutores ) terá pelo menos 5 anos a mais em estimativa de vida. 

Não irá fugir, brigar nas ruas ou morrer atropelado ao procurar um parceiro na época do cio e, o mais importante, um cão ou gato castrado não será um perpetuador de filhotes sofrendo nas ruas sem destino certo. 

Nas ultimas 2 semanas, após termos esterilizado 98% dos gatos da colônia inicial, partimos as atividades do Felinos Urbanos para um ponto turístico bem conhecido em São Luís, o Reviver. Lá existem várias lojas de artesanato nos casarões históricos e entre essas ruas dezenas de gatos abandonados. Alguns são ariscos ( nasceram na região ) outros mais mansos, indicando que foram abandonados no local, infelizmente, uma pratica bem comum. 

Neste final de semana completamos nossos 16 gatos beneficiados no Reviver, sendo que um deles, o Torto, personifica TUDO de ruim que pode acontecer a um gato não-castrado e quem tem acesso à rua. 

O Torto é conhecido assim no Reviver pelo pessoal que trabalha e frequenta a área. Ele se movimentava de maneira super estranha, quase retorcida, tanto o corpo quanto a cabeça. Quando o vi pela primeira vez, tive certeza que ele estava com alguma infecção no ouvido que lhe tirou o equilíbrio e ele também mancava da pata traseira, mas nunca imaginei a real extensão de seus ferimentos até conseguir capturá-lo e levá-lo para a clinica. 

Tortinho no dia da captura 
analise dental, ele possui uns 7 anos de idade 
patinha destroçada, a unha deste dedo está segura apenas pela parte superior da pele 
na hora do banho descobrimos este abcesso imenso e profundo, causado por mordida.
Torto após o banho, já castrado 

O abcesso nas costas do Torto é quase da profundidade e largura de um dedo. Somente em meia hora de manejo, a infecção que expurgava precisou ser limpa 3 vezes seguidas. Ontem ele passou por outras 3 sessões de curativos. Não estamos poupando esforços para cuidar do Torto, mesmo diante da agressividade dele. 

Todos os gatos do Reviver necessitaram de atendimento veterinário além da castração. A maioria está com sarna, as fêmeas com problemas uterinos ( algumas receberam aplicação de anticoncepcional pelos comerciantes ) , os machos estão com ferimentos infeccionados. Eles necessitam de internação antes da soltura, o que tira MUITO dos recursos do projeto, que já são tão poucos. 

O mais triste é saber que todos esses problemas infligidos a estes animais poderiam ser evitados se aqui houvesse uma campanha de castração para os cães e gatos da cidade ou se as pessoas ao menos tivessem em si esse tipo de responsabilidade. 

O Tortinho não tem previsão de alta ainda, mas está sendo cuidado por veterinários super atenciosos e competentes e temos certeza de que ele voltará ao Reviver são e salvo. 

Espero sinceramente que todo o sofrimento do Torto não seja em vão e que sua história faça com que as pessoas compreendam que lugar de bicho é em casa, castrado e seguro e que somente nós, com esse cérebro pensante, podemos evitar essas tristezas. 


"A grandeza de uma nação e seu progresso moral 
podem ser julgados pelo modo como seus animais são tratados."

Mahatma Gandhi