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12 de jul. de 2013

8 coisas erradas que você pode estar fazendo com o seu gato


1- NÃO CASTRAR

Todos os anos milhares de gatos morrem devido à ausência de lares. É importante que todo dono, de machos e fêmeas, faça sua parte e castre seus animais para impedir a criação de mais gatinhos indesejados. Além de ser a coisa responsável a ser feita, é melhor para seu gato ser castrado. Uma fêmea não-castrada pode ter tumores de mama, piometra ( infecção fatal de utero ), tumores no utero e nos ovários. Os machos podem desenvolver cancer nos testiculos. Gatos não-castrados também podem adquirir AIDS e LEUCEMIA FELINAS, que são doenças sérias e incuráveis. 



2- OBTER UM GATO POR IMPULSO

Outro problema comum. As pessoas veem um filhotinho fofo e imediatamente pensam em adotá-lo. Em casa, se dão conta do erro que cometeram. Não estão preparados para a responsabilidade, nem todos os membros da familia queriam ter um gato, os animais residentes não se adaptam bem ao novo membro ou o animal apenas não tem espaço em seu estilo de vida. Adquirir um gato não é a mesma coisa de comprar um par de sapatos. Converse com sua familia e pesquise sobre tudo o que deve ser feito para trazer um gato para sua casa e sua vida. 

3- ADOTAR UM GATO E NÃO LEVÁ-LO PARA UM CHECK-UP VETERINÁRIO 

Quando uma familia decide adotar um gato, pode ser de um abrigo ou protetor ( ou adotá-lo direto das ruas ), pode ser de um criador. 



Certifique-se que há documentos veterinários, indicando vermifugos, vacinas e castração ( bons criadores somente vendem animais castrados para companhia ). Se você está comprando o animal, se assegure que ele vem com todos os documentos de garantia, genealogia, pedigree, registrado apropriadamente.

Bons abrigos e protetores também irão doar animais saúdaveis e vacinados e tem documentos emitidos pelo veterinário para atestar isso. Se adotou um gatinho direto da rua, leve-o ao veterinário para indicação sobre a idade, cuidados, vacinas, remedios contra parasitas internos e externos e castração. 

4- COMPRAR UM ANIMAL DE UM CRIADOR DE FUNDO DE QUINTAL / PETSHOP 

Criadores de fundo de quintal e lojas de animais são grandes responsáveis pela deteriorização e exploração destes animais e geralmente você acaba pagando muito mais caro por um animal sem garantia alguma. Não haverá registros ou historico dos pais de seu filhote e problemas geneticos são comuns em animais advindos destes locais e você pode acabar com um bichinho com doenças cronicas e que pode vir a obito subitamente. 

5- NÃO PROCURAR ATENDIMENTO VETERINÁRIO 

As vezes as pessoas não se dão conta da seriedade de um problema médico e falham ao levar o gato a um veterinário em tempo habil. 
As desculpas são as mais variadas: não tenho dinheiro no momento, não tenho tempo, talvez não seja tão sério. 
Quando você opta por ter um animal, é sua obrigação oferecer atendimento médico sempre que necessário. Criar uma poupança para essas situações emergencias é recomendado. Você pode ir depositando pequenas quantias para serem usadas apenas em casos de emergencia ou pode conseguir um plano de saúde para o animal. 



Donos de gatos devem estar atentos à saúde emocional e fisica de seus animais. Procure por sinais de doença, como perda ou aumento exagerado de apetite, condição do pêlo, aparência de um modo geral, mudanças nos habitos do banheiro, presença de ferimentos, etc. E em qualquer um desses casos, procure assistência veterinária. O atraso nos cuidados médicos pode resultar em sofrimento desnecessário e prolongado para seu animal, maiores custos por casos mais complexos e até mesmo morte. 

6- NÃO VACINAR 

Não vacinar traz consequências sérias a seu gato. Mesmo que ele viva somente dentro de casa, ainda precisa receber as vacinas recomendadas pelo veterinário. Vacinação ajuda a proteger seu gato de doenças sérias e fatais. 


7- NÃO OFERECER ALIMENTAÇÃO ADEQUADA 

Gatos possuem necessidades nutricionais muito especificas e precisam de uma dieta balanceada. Rações com alto nível de sodio e corantes devem ser evitadas e a comida umida ( patê em lata ) ajuda o animal a conseguir parte da agua necessária em sua alimentação. 

Outra forma de dieta é a Alimentação Natural. Converse com seu veterinário para que encontrem a melhor nutrição para seu gatinho. 

comida de verdade também é uma opção :) 


7- DEIXAR O GATO TER ACESSO À RUA / NÃO TORNAR SUA CASA SEGURA PARA O GATO 

Há inumeros riscos para os gatos que tem acesso à rua e a vida deles, comparados a um gato criado indoor, é extremamente curta. Há risco de atropelamentos, atacados por outros gatos ( e adquirir doenças incuráveis ), outros animais, crueldade humana, envenenamento, etc. Gatos também são predadores de passaros e outras vidas silvestres e podem incomodar os vizinhos. 


Você amar o seu gato não significa que outras pessoas da vizinhança pensem o mesmo. A melhor maneira de evitar acidentes e crueldade é manter o gato dentro de casa e manter um enriquecimento ambiental seguro, como telas no quintal e muros altos. Dessa forma seu gato pode aproveitar o verde, as plantas e os passaros de uma forma segura. 

Impedir que o animal tenha acesso à rua, fuja, se machuque ( fios soltos, tomadas desencapadas, acesso à fogo, etc ) ou que animais de fora entrem em casa e tragam doenças é parte importante do cuidado com o gatinho. 

Apartamentos devem ser telados, não importa o andar, para evitar quedas e fraturas. 

8- USAR MEDICAÇÕES DE CÃES EM GATOS 

Gatos são animais muito sensiveis e precisam de acompanhamento veterinário para uso de medicamentos, pois vários produtos que funcionam para cães ou outros bichos são altamente prejudiciais, causando reações alergicas e até mesmo morte. 

Somente um veterinário está capacitado para prescrever o melhor para seu gatinho. 

2 de mai. de 2012

O pior cego é aquele que não quer castrar

Ontem a noite em uma rede social, vejo o compartilhamento de um lindo gatinho para doação. Logo nos comentários, uma pessoa pergunta - já está castrado? - e a "protetora" responde - não pode ser castrado pois ainda é muito jovem."

O gatinho em questão, com 3 meses de idade. Aproveitando que os comentários estavam livres, deixei minha opinião, explicando que os animais com três meses de idade podem SIM ser castrados e que era o melhor e mais seguro antes da doação. Várias pessoas começam a discordar, mostrando-se claramente ignorantes em relação a castração pediátrica e seus benefícios.




Como o gatinho era do RJ e estou a par das dificuldades que os cariocas tem para encontrar veterinários atualizados sobre o procedimento, ainda repassei o telefone de uma veterinária que castrava filhotes e com ótimas referencias. Novamente tudo o que eu disse foi ignorado e rebatido, mesmo com textos explicando os benefícios do procedimento e que castrar antes de doar é a base da doação responsável.

No final de toda a historia, a pessoa apagou as informações repassadas, dizendo que aquela não era a intenção do topico, que o adotante que deveria decidir a melhor hora para castrar o animal e que os outros animais que ela já havia doado, sempre havia dado certo dessa maneira.

Sabe o que é pior disso tudo? Não é a pessoa não ter a humildade de reconhecer seus erros - eu também errei muito no começo - mas de ignorar dados reais, repassar informações erroneas e ainda agir de maneira irresponsável com o animal que está sob sua responsabilidade.

E esse não foi o primeiro nem será o ultimo caso em que a pessoa se vale da idade do animal como desculpa para não castrá-lo.

Pessoas, não se enganem.
Quem nunca soube de um filhote doado sem castrar e o mesmo acabou sumindo nas ruas, atrás de machos ou fêmeas? Filhote doado sem castrar, doador ficou esperando o dono entrar em contato ou levá-lo para a cirurgia e ao invés disso, recebeu a gata ou cadela com mais 6-10 filhotes dentro de uma caixa? Ou no minimo, que já havia cruzado e teve que correr contra o tempo para encontrar um veterinário para interromper a possivel prenhez?

As chances de você encontrar um bom adotante que irá realmente tomar a iniciativa para castrar um animal doado são MINIMAS, se compararmos com TUDO o que pode e dará errado por essa cegueira e falta de responsabilidade em repassar a castração e os custos.



Não é que todos os adotantes sejam maus ou negligentes, mas se as pessoas tivessem a motivação natural de castrar seus animais, não teríamos tantos bichos abandonados em cada uma das cidades do mundo.

Protetores não precisariam existir, não seria imperativo gastar milhões para castrar os animais antes de doar.

As pessoas procrastinam, pensam que não vai acontecer nada tão cedo, que ainda é filhotinho, ficam com pena e quando vão ver, o pior acontece.

E o Termo de Adoção e compromisso para castrar na idade correta?
Não passa de um pedaço de papel que não possui validade ALGUMA para forçar alguem a esterilizar o animal ou entregá-lo na "idade ideal".

E a situação piora imensamente quando estamos falando de um bicho de raça, que provavelmente, devido à cegueira do falso protetor, tem uma grande chance de acabar em um criatório de fundo de quintal, explorado até o fim da vida.




Antigamente não tínhamos opção. Castração ainda é algo desconhecido para a maioria da população carente e ignorado por outras pessoas que possuem os recursos, mas optam por não agir de forma correta. Mas a castração pediatrica está aí, como uma grande aliada para que o abandono que atingiu este animal não mais se repita, para que mais filhotes sejam poupados de um nascimento irresponsável.

Hoje em dia a maioria das cidades oferece castração gratuita ou a baixo custo, os veterinários são mais solidários e também procuram ajudar a combater o abandono. Mesmo aqui em São Luís, onde posso contar nos dedos os veterinários que realizam castração pediátrica e que ao menos são a favor, mas nem por isso me deixei acomodar.

Não há um filhote que passe por minhas mãos que não seja imediatamente castrado.

Os protocolos de resgate e doação responsável mudaram hoje em dia.
Primeiro deve-se castrar e depois começar o esquema vacinal, principalmente para que o mesmo não seja interrompido por causa da cirurgia e para que, durante a espera das vacinas, não ocorra uma prenhez acidental ou fuga por parte de um macho.

Se você não puder fazer mais nada por um animal, castre. Apenas castre.
Acredite, essa será a maior prova de responsabilidade e amor que você pode dar a uma pequena vida. É o MINIMO a ser feito, quando você se veste com a camisa da proteção animal.




Porque, no final das contas, a unica vitima de sua cegueira consentida, será o cão ou gato que você se enganou estar ajudando.


"A unica coisa pior do que ser cego é enxergar,
mas não conseguir ver além."

Hellen Keller

31 de mar. de 2012

Lillybell e as mentes equivocadas


Ao decidir não devolver a Lillybell e Mãezinha ( que estava sob risco de perder o olho ) para o local de onde as peguei, sabia que dias de absurdos por parte de candidatos a adoção estavam por vir.

E alguns dos INÚMEROS motivos que me fizeram largar resgate e doação responsável estão ressurgindo, por meio de emails e palavras tão surreais quanto às mentes equivocadas das pessoas que as proferem.

Não basta cuidar do animal, castrá-lo, alimentá-lo com qualidade, fornecer os medicamentos que ele precisa e custear suas diárias em um Lar Temporário seguro e bom. 
Na verdade, apesar de ser a parte mais dispendiosa de todo o processo, é a mais fácil.


logo depois do resgate, pra quem não tinha nada, 
uma caixa de transporte é o melhor lugar do mundo :) 

O verdadeiramente difícil são as pessoas. Pessoas que te procuram para adotar um animal como se estivessem fazendo um favor. Como se um animal para adoção fosse um brinquedo que pudesse ir para a mão do primeiro que aparecer, como se não pudéssemos nos atrever a escolher o melhor lar para um bichinho que já sofreu nas ruas, que por ser vira-la qualquer local e qualquer um está bom o bastante.

Gente... até agora umas 9 pessoas já me mandaram email ou me procuraram no gtalk do Felinos Urbanos querendo adotar a Lillybell. E somente uma delas trocou mensagens com cortesia e gentileza, o que se espera quando estamos falando de uma vida.


uma fofa :) 


Pessoa querendo a Lillybell para substituir o gato que morreu, tendo acesso à rua e ao quintal com veneno do vizinho. Pessoa querendo presentear uma criança de quase 2 anos com a gatinha. Pessoa querendo um gato para "comer ratos". Pessoa que adotou uma gata não-castrada de protetor X , sem vacinas e a gata no cio, "sumiu".

Sem falar aqueles que sequer responderam o questionário para adoção, mas estes ainda foram mais dignos do que aqueles que reclamaram das exigências, que disseram que eu não queria doar a gata e que iriam adotar com fulano, sicrano, etc.

Para essas pessoas eu digo: adotem. Adotem mesmo, com quem quiser. 
Ou, melhor, tirem da rua, cuidem como ela está sendo cuidada, para que vocês tenham um pouco de senso da responsabilidade que carrego nos ombros pela vida da Lillybell. E se forem adotar com algum protetor ou grupo, exijam um animal ao menos castrado e saudável, como ela está no momento.

Durante todo esse tempo que lido com animais abandonados, posso contar nos dedos quando errei, mas esses erros custaram muito caro para os bichos envolvidos.

Tive 2 adotantes que SUMIRAM com os animais doados, pois logo no começo castração pediatrica na minha cidade era algo desconhecido e tínhamos que esperar MALDITOS 6 meses para castrá-los. E foi nessa que uma gata foi roubada da casa de outro adotante também.

E o Rafael, meu motivo MAIOR para ser tão exigente, que foi deixado para morrer por sua adotante.




Eu carrego essas falhas em minhas costas, não nego meus erros nunca, mas aprendo com meus erros, faço sempre melhor e mais para não repetir essas historias e tristezas.

Aprendi e aprendo todos os dias com grandes nomes da proteção animal do Brasil, não tenho menor problema em pedir ajuda e direcionamento. Não me acomodo, não acredito no "assim já tá bom", me recordo muito bem de todas as situações que já testemunhei com ditos "protetores" e as coisas realmente bizarras que já fizeram com os bichos sob sua responsabilidade. 

Mas Lillybell não tem culpa de nada disso. Ela não escolheu nascer nas ruas.
Ela não sabe que ainda não apareceu alguém que realmente entenda todo o investimento que está sendo feito para o bem estar dela.

Ela somente precisa de uma boa familia, um lar de verdade onde será bem tratada e feliz pelo resto da vida.


tá crescendo saudavel e bem :)  


E é isso que ela terá. Pode não ser hoje, pode não ser amanhã. Talvez precise de muitos, muitos reais de ração e diárias. Mas ela terá o melhor que eu puder oferecer :)






A Mãezinha está finalizando o tratamento no olho, mas na segunda-feira iremos fazer um ultrassom para descobrir a causa do volume largo e incomum em seu abdomen, desde que foi resgatada. 


Espero sinceramente que não seja nada demais, pois uma gata tão doce, que foi abandonada, ainda ter alguma doença além do olho que quase perdeu, vai ser uma baita injustiça :/


Para quem perguntou como poderia ajudar essas duas lindinhas, qualquer quantia MESMO pode ser depositada nas contas do projeto:








25 de ago. de 2011

O que deu errado na adoção da Milla


Bom, gente, a Milla foi devolvida para nós hoje e depois de mensagens de celular e emails longos e estupidos, vou relatar as coisas que deram errado na adoção dela.

Primeiro, gostaria de frisar que a Milla não é um cão perfeito. Ela não gosta de ficar sozinha, roí as coisas se estiver entediada e até pouco tempo atrás, não sabia um comando sequer, como "FICA" e "NÃO". Ela nem ao menos sabia andar na coleira logo que nos conhecemos, puxando que nem uma desesperada.

A Milla também foge. Se ela olhar um portão aberto ela irá correr sem se importar quem está chamando. No Lar Temporário ela deu vários sustos na moça que cuida dela, mas logo ela retornava para a frente da casa, sentadinha, com o rabicó balançando, esperando que alguém abrisse a porta.

A moça que a adotou sabia disso. Sabia que ela havia sido adotada e devolvida por alguém que havia prometido dar atenção que ela precisava e acabou deixando-a sozinha no quintal por todo o dia, fazendo-a chorar desesperadamente, roer objetos e fugir. Além de varios emails trocados falando de como a Milla era, assim como faço com todos os meus animais, no dia da entrega conversarmos sobre o que ela poderia fazer para melhorar o comportamento dela e que estariamos a disposição para qualquer ajuda.


Essa mesma moça, em emails anteriores, demostrou sua total ignorancia em relação a castração e seus beneficios e disse, mesmo com explicações, que a mãe estava preocupada por causa do cio. Repeti diversas vezes que a castração havia removido o utero e ovários da Milla, que ela não teria cio, não atrairia cachorros ou teria filhotes, coisa que, sinceramente, até hoje ela não deve ter entendido/acreditado.

No dia que a Milla conheceu essa moça, pagamos o transporte de taxi de R$60 de ida e volta do Lar Temporário. Foi tudo otimo, o veterinário que a acompanhou até hoje estava lá, para qualquer esclarecimento. A moça falou que estava com alguns cupins em seu quintal, mas que provavelmente não teria nenhum problema pois era uma area que podia ser isolada. Marcamos a visita na casa dele na tarde anterior, para conhecer o local e a familia, mas ela já havia nos dado certeza de que TODOS queriam a cadela, que adoravam cães, já tinham tido muitos, etc

Alguns minutos depois voltei para a casa e já havia a primeira desmarcação. Os motivos eram a aplicação de um remedio de cupim - para que ela se certifica-se com a empresa que era seguro ter um animal em casa - e "o problema do cio". Expliquei que não havia problema em esperarmos, não tinhamos nenhum interesse em arriscar uma intoxicação e expliquei sobre a castração.

No dia seguinte ela me manda um email falando que vão ser necessárias mais duas aplicações do produto e que a mãe estava preocupada quanto ao "sangramento" da Milla. Novamente disse que nosso unico intuito era que ela fosse para uma boa casa e que não importava se houvesse que esperar e que a cadela NÃO IRIA TER SANGRAMENTO OU CIO. Vou copiar aqui o que falei para ela sobre a questão CASTRAÇÃO = SEM UTERO, SEM OVÁRIOS, SEM CIO, SEM FILHOTES.

Por algum motivo nesse email ela respondeu como se eu não quisesse doar a cadela para ela e estivesse duvidando de sua capacidade de cuidar bem da Milla. Respondi que ela havia se enganado, apenas estava zelando pelo bem estar da cachorra e não iria levá-la para lá, com o problema dos cupins, apenas para pegá-la novamente, pois isso custava dinheiro e tempo.

Finalmente ela marcou um dia e horário disponíveis e, aproveitando que também estávamos próximos do Lar Temporário, resolvemos levar a Milla para conhecer a casa e a família, já com a documentação e se estivesse tudo bem, ela seria adotada. Chegamos lá, a Milla rodou pela casa, conheceu a irmã dela que gostou da cachorra, foi até o quintal gigantesco, enquanto eu e minha amiga conversávamos com a adotante sobre a estória dela e os cuidados. O pai da moça apareceu e nos tratou de uma maneira fria, mas ela havia dito que ele estava adoentado. Tudo parecia bem.

Deixamos a Milla com sua carteirinha de vacinação, brinquedos e um saco de Royal Canin e fomos para casa.

O final de semana passou, a adotante recebia os elogios e votos de felicidade dos meus amigos no facebook e agradecia, prometendo que a Milla seria muito amada lá.

Depois de 3 dias ela me manda um email dizendo que a Milla não fazia festa para todos na casa e que estava preocupada com os problemas que a castração poderia trazer para ela. Explicamos que cada animal tem seu ritmo para se apegar, que mesmo animais criados desde filhotes tinham seus favoritos em uma família e NOVAMENTE explicamos sobre a castração,até mesmo mandei um vídeo a respeito.

Logo depois uma msg pelo celular - Vou ter que devolver a Milla.

A essa altura do campeonato tudo o que eu respondi foi - Ok, vc pode trazê-la amanhã?

Ela disse que não, mas que poderia hoje então combinamos o horário. Depois por um email mandado a minha amiga, ela discorreu longamente o quanto a Milla foi bem tratada na casa dela, mas que as pessoas deixavam a porta aberta e ela fugia ( que atrevimento, não? um cão que era deixado vagando nas ruas, recém-chegado fugir de uma casa que ele não conhece, só pq a porta estava aberta! ) e que na verdade o pai dela NUNCA QUIS adotar a Milla.

A questão das fugas poderia ter sido resolvida colocando um portãozinho sequer e liberando a Milla apenas quando o entra-e-sai terminasse pelo dia. Com alguns dias, do mesmo jeito que ela aprendeu a não ir embora do Lar Temporário, ela iria aprender a permanecer na casa.

A questão do cio.... meu Deus, não consigo até hoje entender como uma pessoa NÃO COMPREENDE isso e ainda fica batendo na mesma tecla. Talvez eu devesse guardar dentro de um pote de maionese com formol os testículos, útero e ovários dos próximos animais que forem castrados como prova?

Acho que o pior foi a questão do pai. Como se adota um animal sem a família inteira estar de acordo?! Ela mentiu na minha cara, na cara de minha amiga, tenho a mentira dela por escrito no Termo de Responsabilidade que ela preencheu! O que ela imaginou? Que a Milla ia "conquistar" o pai na marra depois de estar ali? Será que ela nem sequer pensou o que poderia acontecer se o brilhante plano não desse certo?! Que foi o NOSSO TEMPO, NOSSO DINHEIRO e principalmente, a NOSSA esperança, minha, da Milla e de todos os envolvidos, nessa imbecilidade?!

Faltaram muitas coisas para que essa segunda adoção da Milla desse certo. Faltou responsabilidade, inteligencia e amor. A Milla não é um monstro. Perto de tantos outros cães que eu conheço, extremamente problemáticos, que odeiam e mordem outros cães e pessoas, que matam gatos, que são neuróticos, latindo o tempo inteiro, fazendo as necessidades nas camas dos donos, a Milla, que apenas não quer ser deixada sozinha, nunca teve alguém que realmente zelasse por ela.

Até hoje os donos originais nunca foram procurá-la.

A Milla já custa mais do que QUALQUER ANIMAL que eu já tenha cuidado em toda a minha vida.

Apesar dela ter me seguido para o petshop, ninguém me obrigou a resgatá-la. Em uma visão bem racional, colocar a Milla na rua hoje em dia seria tocar fogo em todo o dinheiro investido nela até hoje e ignorar a preocupação de todas as pessoas, daqui e de longe, que se envolveram com o caso dela. Só que a Milla não é o unico animal que eu ajudo. Melissa ainda está em tratamento e hoje, em vez de eu estar no C.E.D, estou aqui. Não há dinheiro para castrar nenhum gato essa semana e o único que eu tinha em casa paguei o transporte da Milla de volta para o Lar Temporário hoje, já que não pude ir ao banco debaixo do sol quente por causa de um inicio de gripe.

Mesmo se eu a colocasse de volta na rua, minha consciência estaria LIMPISSIMA. Fiz por essa cadela - com a ajuda de várias pessoas que se sensibilizaram, mandando doações e carinho - mais do que muita gente faz por seus parentes, imagine por seus animais. Passei duas semanas brigando com o BB para que meu acesso e transações online funcionassem adequadamente para que nada faltasse a ela enquanto eu estava em Toronto, divulgo os cartazes dela em todo os locais possíveis, estou sempre sondando um novo e bom lar onde ela poderia ir.

Então, acho que dá pra entender o motivo da minha indignação quando alguém se coloca no meu caminho e no caminho da Milla, já tão longo, apenas para nos fazer de idiotas e trazer mais uma derrota em uma estória que parece estar tão longe de ter um final feliz.

Engana-se quem acha que protetor é uma pessoa boníssima, iluminada e com outras qualidades excepcionais e super-poderes, inclusive tempo e dinheiro à disposição.

Sou uma professora, com salário de professora, com inúmeros problemas e defeitos, com dividas e sem carro, que ainda mora com os pais, tentando fazer a diferença em uma cidade atrasada em mentalidade e recursos.

Não quero louros, não quero adjetivos e nem a admiração de ninguém.


Quero apenas que a Milla arrume uma casa de verdade, com pessoas decentes, onde ela possa ser feliz pelo resto de seus dias, para que eu possa seguir em frente tentando ajudar os animais que eu puder, dentro de minhas possibilidades.