que atraiu pessoas futeis a eles, infelizmente.

Uma moça, irmã de uma ex-membro do grupo que participo ( de novo! ) quis adotá-la. Escabriada com o que havia acontecido com Alexandre, peguei o telefone e conversei durante horas, contei o que havia ocorrido com ele, perguntei diversas vezes se ela tinha condições para cuidar dela, se a casa era segura e ela, claro, respondeu tudo satisfatoriamente. Como a irmã dela era um membro e sabia o quanto a estoria com Alexandre havia me magoado, tambem reforçou as boas credenciais da irmã.
Eu não tenho carro e apesar de ter conseguido carona para entregar os gatinhos pessoalmente na maioria das vezes, infelizmente não pude fazer o mesmo por Alexis.
A moça veio aqui buscá-la. Ela estava com quase 1.5kg a mais do que quando chegou, os pontos da cirurgia já cicatrizados, vacinada, vermifugada e totalmente socializada. A ex-membro e sua sobrinha vieram buscá-la. Passei quase uma hora revisando todos os cuidados, afirmando que se algo desse errado, poderia me telefonar, pedi que mandasse noticias. Tudo concordado e acertado, parecia uma adoção certa.
Entregamos Alexis com o um misto de alegria e tristeza, como sempre, mas com a esperança de dever cumprido. Ela foi resgatada em 21/10/2009 e adotada em 30/10/2009. Durante dois meses telefonei e mandei emails, pedindo noticias e nada. A moça nunca estava em casa, a irmã sempre dizia que Alexis estava bem, mas nunca me mandava fotos. A gota d'agua foi quando liguei avisando que as vacinas dela deveriam ser reforçadas e ofereci o telefone da veterinária, mas ninguem me deu retorno, então comecei a ser ainda mais insistente.
Até que dia 24/12 a dona me telefonou, dizendo que não a queria mais, que era mal comportada e fazia as necessidades nas mobilias. Perguntei se ela estava bem, se algo havia mudado na rotina, se a saúde dela estava bem e por acaso toquei no assunto dos vermifugos e vacinas. Ela disse que não havia levado ela ao veterinario por não ter dinheiro. A dona nem ao menos foi capaz de levá-la para tomar a vacina anti-rabica em uma campanha gratuita semanas antes.
Tive que esperar longos quatro dias até conseguir uma carona para buscar minha menina. A casa da mulher, um casebre, dentro de um terreno de barro. Alexis estava deitada no chão, com o pêlo vermelho. Magra. As bochechas fofinhas haviam sumido. A moça ficou envergonhada e tentou arrumar justificativas idiotas para não ter me dado noticias e não ter cuidado dela como havia prometido. Diante da minha indignação, não falei nada, pois palavras indignadas iriam sair da minha boca. Tudo o que importava era tirar minha filha de lá. Nem ao menos a coleirinha havia sido ajustada ou lavada durante todo aquele tempo.
Quando cheguei em casa, demorei uma hora para tirar a sujeira do pêlo dela, com um bom banho e ofereci uma ração de qualidade. Parecia que ela não comia bem a dias, do mesmo jeito que a peguei meses atrás. Tirei fotos e enviei para o grupo de protetores e todos ficaram inconformados.

A irmã da mulher ficou com raiva e se sentiu ofendida com os relatos, dizendo que a gata era fresca e mimada e que não sabia porque eu insistia em acompanhamento veterinário, que a gata estava bem tratada e que a irmã, mesmo pobre, quis dar lar a um bichinho e que ela não queria fazer parte mais do grupo. A presidente ficou ao meu lado, pois acompanhou o resgate de Alexis e é uma pessoa muito sensata e justa e lamentou a conduta dela.
Alexis tomou as vacinas que faltavam e o vermifugo. Felizmente a negligencia não abalou a doçura de sua natureza. Mamãe Bebel ficou felicissima ao vê-la novamente.
De alguma forma, Alexis me parecia cansada. Ela suspirava fundo e me fitava com seus olhos de céu e sol, como se desejasse por algo. Como todos os animais que são rejeitados, ela não entendia o que havia acontecido e estava meio tristinha.
Minha amiga e eu demos a ela muito carinho e amor durante os poucos dias que ficou conosco para compensar o que havia passado.
Felizmente, o destino de Alexis fora traçado de uma maneira muito especial.
No começo de dezembro estava conversando com uma jovem que queria adotar uma gatinha. Na epoca, a irmã deles, que havia sido resgatada nesse meio tempo, já havia sido adotada e estavamos mantendo contato para outra adoção e ela iria viajar e só retornaria após o Natal.
Ela se apaixonou por Alexis.
E mais uma vez, eu e minha amiga a entregamos. A nova familia de Alexis parecia o lado bondoso do mundo bizarro que ela havia se livrado.
Uma pessoa não precisa ser milionária para cuidar de um animal. Quando há boa vontade e carinho, nem mesmo um orçamento mais apertado é desculpa para negligenciá-lo. Já vi pessoas que ganham um salário minimo que guardam dinheiro para castrar seus bichos, compram vermifugos e se interessam em procurar informações para cuidar deles.
Alexis não precisava de rações premium ou ir tomar banho no petshop mais caro da cidade. Ela só precisava de alguem que se importasse.
Hoje em dia ela está muito bem. Gordinha, feliz, bem cuidada e amada, por toda a familia, como sempre mereceu :) Nunca cometeu nenhum dos delitos que a ex-dona a acusou.
Alexis fez seu primeiro aniversário este ano, apertada pela mamãe.

Parabens para minha menina de olhos de esperança. Desejo muitos e muitos anos repletos de felicidade para você :)