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24 de ago. de 2012

Quando adoções dão errado - O relato de uma mãe


Aqui no blog sempre deixo claro a importância de adotar e doar animais de forma responsável. 
Castração, vacinação, socialização e alimentação adequadas é o minimo que um protetor sério oferece aos animais sob sua guarda. E também é um modo de conscientizar e incentivar mais adoções. 

Infelizmente não é todo mundo que assume esse compromisso e historias de pessoas que adotaram animais que mais tarde se tornaram doentes ou até mesmo chegaram a óbito por omissão dos doadores não são raras, especialmente quando estes bichinhos são provenientes de locais super lotados, onde é impossível dar atenção, vacinas e cuidados adequados para todos. 

A Fernanda Peixoto, aqui mesmo de São Luís, tem um triste exemplo que hoje compartilha conosco. Sua gatinha Minerva faleceu recentemente, apesar de todos os esforços da Fernanda para salvá-la. 

1- Por que você quis adotar um bichinho?

Sempre me incomodei muito com a quantidade de animais abandonados que vejo pela rua. Tenho a impressão que aqueles que estão à venda por aí sempre encontrarão um comprador. E aqueles que estão jogados e maltratados por aí na maioria das vezes são ainda mais rejeitados pelas pessoas, justamente pelo estado em que se encontram. Eu quis ajudar, mesmo que fosse apenas um gatinho que eu estivesse cuidando. 

2- Você tinha alguma noção do que esperar de um bichinho doado por um protetor? Sabia que eles deveriam ser doados castrados, vacinados e saudáveis?

Não, eu não tinha noção da função desses protetores. Achei que deveriam apenas encontrar um dono para os bichinhos, e enquanto isso não fosse feito, teriam apenas que oferecer abrigo, comida e alguns outros cuidados básicos. 



3- Como se deu o processo de escolha da sua gatinha? Como ela chegou até você?

Uma pessoa muito importante na minha vida, um grande amigo, ciente da minha opinião, dos meus ideais para criar um animal e da falta que eu sentia de ter um gatinho, resolveu adotar por mim. Foi o melhor presente que eu já ganhei de outra pessoa. Foi um gesto muito bonito. 

4- Como era o local em que ela estava? Ela veio castrada, com vacinas ou vermifugada?

Como a adoção foi indireta posso falar do que me foi descrito. Soube que o local era uma casa que estava lotada de gatos. Cheguei a ver uma foto do lugar, pequena e que não mostrava muito, tirada por celular. Havia muitos, muitos gatos. Ela não veio castrada, nem com vacinas. Parece que ela recebeu a primeira dose do vermifugo lá, na hora que foi escolhida, e caberia a mim providenciar a segunda dose alguns dias depois. 

5- Quais as instruções de cuidados que você recebeu da pessoa que a doou?

Apenas terminar de dar o vermifugo e levá-la no veterinário pra ver o que ela poderia ter.



6- Quais foram os primeiros sinais de problemas? Qual sua conduta quando eles apareceram?

Ela chegou super bem aqui em casa. Em momento algum suspeitei de uma doença grave. Apenas me preocupei inicialmente com um problema na pele, que cheguei a achar que fosse pulga. Ela tinha a barriguinha inchada de gases. Fora isso comia super bem, era ativa, brincava com tudo, vivia pulando em sacos plásticos, uma gracinha. A levei em um veterinário no segundo dia. Mas, desafortunadamente, foi uma péssima escolha. Eu não chamaria o que a primeira veterinária fez de consulta, não me receitou nada por escrito, e eu tinha que perguntar sobre os sintomas que eu mesma percebia na gata. Usei frontline e a Minerva teve uma reação alérgica. 

Na semana seguinte levei a outro veterinário. Este sim, foi recomendado, e fez um ótimo trabalho. Diagnosticou um fungo na pele, para o qual receitou um shampoo e um sabonete. Também passou remédio para verme, assim como vitaminas e cálcio. Ela ficou curada do fungo e estava aparentemente muito bem. Ela só não foi vacinada logo porque o doutor achou melhor esperar que ela estivesse recuperada. Algum tempo depois percebemos a Mine com um desequilíbrio ao andar, acompanhado de espirros frequentes, secreção nasal e ocular, além de falta de apetite . O último veterinário estava viajando, e precisei recorrer a outros profissionais. 

Desta vez ela foi diagnosticada com uma pneumonia, provavelmente decorrente de Rinotraqueíte. Ficou internada por uma semana, melhorou da pneumonia, mas continuava muito fraca e não estava andando direito. Foi quando começaram a desconfiar de Peritonite Infecciosa Felina, uma doença de difícil diagnostico, que não tinha cura e limitava a vida da Mine. Ela voltou pra casa e passou seu ultimo dia comigo, já quase sem reação.  Tive sorte de encontrar esta equipe, que cuidou da Mine até o dia em que ela precisou ser eutanasiada. Não tive outra escolha. Fiz o que pude. Amei e cuidei dela enquanto esteve comigo. 

7- Em algum momento a pessoa que lhe doou a gatinha lhe procurou para saber como ela estava? Ela ficou a par da situação? 

Apesar de o meu amigo ter assinado um documento com as minhas informações e contato, nunca fui procurada. 




8- Você se arrepende de ter adotado um animal nestas condições? 

É difícil falar de arrependimento. Claro que se imaginasse todo o desgaste que eu viria a ter, teria evitado. Mas não me arrependo por ter convivido com esta gatinha extremamente amorosa, mesmo com todos os cuidados extras, e gastos consideráveis, que precisou de mim. Ela era uma fofa, lindinha, carente que fazia manha assim que eu entrava em casa e me seguia aonde quer que eu fosse e não desgrudava um segundo sequer. 

9- Você adotaria um animal novamente? Que conselho você daria para alguém que irá adotar o seu primeiro bichinho? 

Eu adotaria sim, apesar da experiência triste continuo acreditando na beleza do ato. Mesmo depois de ter ouvido de pessoas próximas coisas do tipo “é nisso que dá adotar gato desses lugares, só te deu dor de cabeça”. Eu sei que existem outras organizações competentes por aí. Preocupo-me com os vários gatinhos que estavam junto da minha filhote naquela casa. Quem tiver interesse em adotar, por favor, vá em frente! Apenas fique atento a tudo, principalmente ao tratamento oferecido para o animal. 

Minerva foi muito amada, mesmo no pouco tempo de convivência 

Que fique o alerta. Ao adotar um bichinho direto da rua, leve-o imediatamente a um veterinário. 
Ao adotar de um protetor, se certifique que ele foi assistido, com vacinas, vermifugo e castrado, afinal, essa é a nossa função. 

Se não puder arcar com todos esses gastos, seja sincero e honesto com o adotante para que ele possa optar por assumir os custos do tratamento, ao invés de ser pego de surpresa e ainda ver o bichinho que ama sofrer. 

Algumas pessoas ficam traumatizadas com a experiência e nunca mais adotarão. 


6 de jun. de 2012

Os trolls da proteção animal

Durante esses anos ajudando animais, conheci pessoas maravilhosas. 
Pessoas responsáveis, integras e racionais.

Ao mesmo tempo, também tive o desprazer de conhecer alguns seres que, de tão absurdos, só poderiam ser fruto de algum pesadelo ou contos de horror infantis, um verdadeiro troll, ser de aparência e comportamentos repugnantes, que apenas trazem caos ao seu redor.



No meio das redes sociais é aquela pessoa que tumultua, que causa discordia pelo simples prazer de agir erroneamente. Diariamente testemunhamos os trolls da proteção animal, se intitulando salvadores, mas que nada apenas prejudicam os animais das formas mais variadas possiveis, envoltos na cegueira da ignorancia real ou a simples vontade de persistir no erro.

1- O COLECIONADOR 



Já falei de colecionismo previamente aqui pelo blog e a série COLECIONADORES DE ANIMAIS que agora é apresentada pelo Animal Planet deve ter aberto os olhos de muita gente quanto à essas pessoas problemáticas que, em sua doença, acham que estão ajudando os bichos.

O problema não é o número de animais que uma pessoa possui. Conheço homens e mulheres com dezenas de animais sob seus cuidados, que os tratam de forma digna, com ração de qualidade, vacinas, atendimento veterinário e tudo o mais necessário afinal, ninguém os obrigou a ter essa quantidade de cães e gatos.

Mas a partir do momento em que os bichos estão sob o risco de passarem fome, há uma epidemia no local, eles se reproduzem continuamente, ou seja, vivem como se estivessem nas ruas, só que dentro de uma casa, isso começa a ser um caso de saúde pública. 

O principal argumento dos colecionadores e dos amigos dos mesmos, quando questionados a razão de terem tantos animais passando necessidade é  - eles poderiam estar nas ruas! - mas, acreditem, as vezes, um animal comunitário ou de rua tem mais qualidade de vida do que um bicho refém de uma pessoa com essa doença. A pessoa não enxerga o mal que faz e mesmo quando consegue doações, não tem o discernimento para utilizar as mesmas de uma forma correta. E os prejudicados são apenas os bichos. 

Desconfie de quem nunca tem ração para o dia seguinte, quem tem animais não-castrados, sempre com surtos de doenças, sem vacinas e que sempre possui uma desculpa para todas as anteriores. Você pode estar ajudando a transformar a vida de um animal em um verdadeiro inferno em vida. 

2- A VITIMA 



Geralmente O COLECIONADOR e  A VITIMA são dois lados da mesma moeda. 
A VITIMA reclama o tempo inteiro dos animais que estão sob sua guarda. Que foram deixados em sua porta, ou em suas mãos. Que não recebe ajuda, que tudo é muito caro, que não pode castrar, oferecer alimentação de qualidade, levar ao veterinário, etc, porque não trabalha, não tem dinheiro, não tem tempo, não tem transporte. 

E mais uma vez, repito: não pode fazer direito? Não faça. Ninguém é obrigado a tirar um animal da rua, a aceitar bichos que outros encontraram pelo caminho. 



Quem tem tempo ou dinheiro sobrando? Mas vejo pessoas comuns realizando verdadeiros milagres com os poucos recursos que possuem, derrotando inúmeras dificuldades, com ações decentes em prol daquele bicho sob sua responsabilidade. 

3- O REPASSADOR DE ANIMAIS 





Acho que já deu pra perceber que tenho uma verdadeira historia de amor com a castração. 
Castrar elimina tristezas. Simples. E depois de testemunhar tantas desgraças, ninguém pode sequer tentar me dizer que castrar um bicho a ser doado não é importante. 

O repassador de animais é aquele que acha um animal em um dia, tira foto e já vai pedindo adoção. Animal sem castrar. Sem vacinas, sem ao menos um vermifugo, sequer foi na clinica veterinário ou tomou um banho. Entrega para o primeiro que levantar a mão. E o pior é que essas doações irresponsáveis ocorrem com uma velocidade impressionante, justamente pela falta de requisitos. 

A situação piora quando é um animal com algum resquício de raça, que será adotado por um criador de fundo de quintal apenas para ser explorado. E mais um enorme ciclo de abandonos começa por aí. 

4- A ESFINGE 



Reúne os 3 tipos anteriores. Você não pode questionar uma esfinge, a não ser que queira ser atacado. Perguntas sobre as razões de não ter castrado o animal, de não ter levado ao veterinário são respondidas com ataques de fúrias, vitimização da pessoa e do velho argumento que "só queria ajudar". 

Só que essa ajuda porca apenas atrapalha o trabalho correto de dezenas de pessoas que somente doam animais esterilizados, vacinados e saudáveis para lares seguros. E mesmo tendo conhecimento e exemplos do que funciona, A ESFINGE prefere se fazer de perseguida e ignorar os conselhos. E mais animais acabarão nas ruas, sofrendo. 

5- O FOTOGRAFO DO APOCALIPSE 



Quem nunca recebeu um compartilhamento de um animal, literalmente, morrendo nas ruas e a pessoa dando a localização e pedindo que OUTRA "alma iluminada" vá resgatá-lo? 

Eu já recebi. INÚMERAS. E deletei todas as pessoas que colocavam esse tipo de falta de humanidade escancarado em minhas vistas. Gente... quando eu vejo um animal necessitado eu vou lá e FAÇO ALGO! Sim, peço ajuda se não puder bancá-lo, mas se a ajuda não vier? Deixar o bicho à míngua? Sou professora, vocês devem ter uma ideia do meu salario, mas felizmente ele chega todo o mês e NUNCA faltei com meus compromissos financeiros ou fiquei devendo para qualquer pessoa que me cedeu seus serviços aos meus bichos.

Não repasso pedidos assim. Sabe por que? Porque geralmente quem vai lá ajudar o bicho vitima do apocalíptico é a pessoa que já tem dezenas em casa, que já está com dificuldades, mas que a chantagem emocional pega em cheio, que irá assumir a falta de noção de outro, que daqui a pouco estará postando mais fotos trágicas e dormirá tranquilo, com a cabecinha no travesseiro, erroneamente achando que salvou o mundo. 

6- O DIVULGADOR COMPULSIVO  



Parece que sua unica função é apertar o botão COMPARTILHAR. 
Não possuem filtros para seus compartilhamentos,  muita das vezes ajudando a prejudicar um animal.
Repassam pedidos de doação de bichos não-castrados, sem vacinas; pedidos de ajuda para colecionadores e fotos dos apocalípticos.  

Não há problema algum em querer divulgar, mas escolha o que e a quem. Se você se der ao trabalho de ler as informações antes, pode evitar o repasse de um bicho sendo doado de forma irresponsável ou ajudar a encher os bolsos de um falso protetor ou colecionador. 

7- O JUSTICEIRO 



Sempre estão denunciando algo. Mesmo que a denuncia seja falsa.  Pode ser o animal morto ou maltratado a 3 anos atrás. Pode ser o problema com as vacinas antirrábicas em 2010. Não checa as informações do post, não checa a veracidade do mesmo, mas clama fervorosamente por justiça. 

*******

As redes sociais tem um poder imenso. Facebook, twitter, etc, podem ajudar inúmeros animais a serem adotados, encontrados e salvos, todos os dias. Mas, como tudo na vida, devemos lembrar que nossas ações podem ter um impacto enorme se não forem cautelosas, justamente nos bichos que deveriam ser auxiliados.

Não compartilho pedidos de doação de bichos não-castrados, não ACEITO argumentos para não fazê-lo, principalmente de cidades onde eu SEI que a castração é de baixo custo e gratuita. 
Não ajudo colecionadores a fazerem mais vitimas e não caio em chantagem emocional. 

Ultimamente estou sendo acusada de ser radical, intransigente, critica e vários outros adjetivos graças à minha recusa de participar dos casos citados.

E como já disse, sim, estou longe de ser uma pessoa perfeita, mas eu já lutei muito para conseguir o nível de qualidade que ofereço para os meus bichos, mesmo com todas as minhas limitações, mesmo nessa cidade atrasada, então, eu acredito de quem quem realmente quer agir corretamente, consegue. Eu sou sim, uma eterna inconformada e sempre tenho em mente que as coisas podem ser ainda melhores.

E aí, você reconheceu entre seus contatos, algum dos tipos acima? ;) 

4 de mai. de 2012

True Colors


Redes sociais são locais onde tudo pode acontecer e nos deparamos com os mais variados tipos de gente. Tenho pouquissimas pessoas no meu facebook justamente para não me irritar, mas mesmo assim o crivo falha de vez em quando.

Como o meu face é basicamente composto por pessoas que estão na proteção animal, as vezes adiciono desconhecidos para falar sobre determinado topico. Alguns permanecem, outros são deletados assim que o assunto é resolvido, pois nunca almejei colecionar números.

Desde que comecei a participar de troca de opiniões sobre animais, começando pelo orkut, agora com o Amor e Miados e com o Felinos Urbanos - além das proprias páginas no face - venho sendo procurada por algumas pessoas bacanas em busca de opiniões e dicas pro melhor trato de seus bichos.

Tento sempre responder as perguntas da forma mais educada possivel, mesmo diante de pessoas com internet ainda se mantém ignorantes sobre coisas bem básicas, ou que não dão importância a coisas batidas, como me pedir para compartilhar pedidos de doação de animais não-castrados ( não faço, mesmo! ) ou que eu "entenda" que é normal o gato dar voltinhas na rua. Enfim...

Hoje compartilhei uma mensagem onde a pessoa gente boa adotou uma gata de rua prenhe que teve 2 filhotes, castrou a mãe e queria informações sobre os bebês que agora tem 30 dias. Uma das informações que pediu foi se eles usariam a caixa de areia, pois pessoas haviam dito a ela que gatos machos somente urinavam na parede.

Expliquei o que fazer com os bebês, passei links de pesquisa e no meu mural comentei o fato de alguem realmente acreditar que era natural que um bicho mirasse em uma parede, durante toda a vida, para se aliviar.

Alguns mal-entendidos iniciais, já que pensaram que eu estava achando graça da pessoa que havia feito as perguntas, uma pessoa insiste em algo que não havia feito. Explique 2, 3 vezes até que, educamente também, pedi para que a mesma se retirasse se o incomodo era tão grande.

Não contente a pessoa diz que eu deveria ser mais humilde, que não era por meu conhecimento que eu poderia humilhar as pessoas, que deveria ter cuidado com o meu ego e que DIARIAMENTE os meus posts a incomodavam, que meu perfil não era agradável, que eu era mal humorada e que possivelmente estava trilhando o caminho de uma infelicidade futura e que deveria deixar um rastro de positivismo.


"Vamos discutir fervorosamente sobre algo trivial."

De boa? Acredito que na nossa vida já temos que aturar tanta coisa chata e sem proposito, por que se forçar a ficar na rede social de alguém dessa forma?
Sequer me lembro como esse individuo chegou ao meu facebook - logico que eu adicionei, mas não lembro mesmo qual a circustancia - mas putz... por que permaneceu todo esse tempo se eu sou um poço de amargura? 
Deletar alguém é algo tão simples... e juro que não me incomodo :)

O mais peculiar foi o começo do argumento, a pessoa se sentindo decepcionada, por que eu, protetora dos animais e de causa tão nobre, pudesse fazer uma piada sobre algo que acho absurdo.

E aí remete a questão que já falei anteriormente, que os outros pensam que você é perfeito por fazer voluntariado, por ajudar aos outros. 
E para quem acha isso, só digo: Im sooooo sorry.

O fato de ajudar animais não me faz alguém sem defeitos e problemas.
Me faz apenas alguém que por acaso ajuda animais, sem pedestais e nenhuma pretensão a isso.

Não sou legal, gente. Nem simpática, não saio distribuindo sorrisos por aí, muito menos enfeitando o que preciso dizer. O fato de eu ser educada não significa que irei passar a mão na sua cabeça por alguma besteira estupida sendo feita. 

Reclamo pra CARAMBA, pois sou uma eterna inconformada.
No dia que disser "está tudo bem assim", podem mandar para o crematório esse casulo que seria meu corpo, pois minha mente e coração pararam de funcionar e desisti de tudo o que faço para tentar melhorar as coisas ao meu redor.

Respeito meus amigos. Suas escolhas sexuais, alimenticias, religiosas. 
Acredito que todos nós somos multifacetados e eu não tenho nada a ver com as suas demais faces. Se o seu vegetarianismo me incomodar, tenha certeza que irei me afastar, como você tem esse direito se eu ficar esfregando um bife ensaguentado na sua frente.

Mas ao mesmo tempo não sou refém de ninguem.
Amizades acabam, pessoas mudam e a vida segue em frente, você sozinho ou não.
E mesmo passando a vida inteira vestindo uma mascara para agradar aos outros, quando mais precisar, justamente as pessoas por quem distribuiu seus melhores sorrisos te deixarão para trás. E aí você vai decidir se aguenta conviver consigo mesmo ou não.
E fiz as pazes com este meu eu defeituoso a muitos anos atrás.

Não há nada além de mim aqui, com minhas falhas e algumas coisas que ainda funcionam.




E para meus amigos que continuam no meu facebook, mesmo com o suposto veneno escorrendo em minhas presas afiadas e que, por algum motivo maluco, ainda permanecem ao meu lado, muito obrigada :)


2 de mai. de 2012

O pior cego é aquele que não quer castrar

Ontem a noite em uma rede social, vejo o compartilhamento de um lindo gatinho para doação. Logo nos comentários, uma pessoa pergunta - já está castrado? - e a "protetora" responde - não pode ser castrado pois ainda é muito jovem."

O gatinho em questão, com 3 meses de idade. Aproveitando que os comentários estavam livres, deixei minha opinião, explicando que os animais com três meses de idade podem SIM ser castrados e que era o melhor e mais seguro antes da doação. Várias pessoas começam a discordar, mostrando-se claramente ignorantes em relação a castração pediátrica e seus benefícios.




Como o gatinho era do RJ e estou a par das dificuldades que os cariocas tem para encontrar veterinários atualizados sobre o procedimento, ainda repassei o telefone de uma veterinária que castrava filhotes e com ótimas referencias. Novamente tudo o que eu disse foi ignorado e rebatido, mesmo com textos explicando os benefícios do procedimento e que castrar antes de doar é a base da doação responsável.

No final de toda a historia, a pessoa apagou as informações repassadas, dizendo que aquela não era a intenção do topico, que o adotante que deveria decidir a melhor hora para castrar o animal e que os outros animais que ela já havia doado, sempre havia dado certo dessa maneira.

Sabe o que é pior disso tudo? Não é a pessoa não ter a humildade de reconhecer seus erros - eu também errei muito no começo - mas de ignorar dados reais, repassar informações erroneas e ainda agir de maneira irresponsável com o animal que está sob sua responsabilidade.

E esse não foi o primeiro nem será o ultimo caso em que a pessoa se vale da idade do animal como desculpa para não castrá-lo.

Pessoas, não se enganem.
Quem nunca soube de um filhote doado sem castrar e o mesmo acabou sumindo nas ruas, atrás de machos ou fêmeas? Filhote doado sem castrar, doador ficou esperando o dono entrar em contato ou levá-lo para a cirurgia e ao invés disso, recebeu a gata ou cadela com mais 6-10 filhotes dentro de uma caixa? Ou no minimo, que já havia cruzado e teve que correr contra o tempo para encontrar um veterinário para interromper a possivel prenhez?

As chances de você encontrar um bom adotante que irá realmente tomar a iniciativa para castrar um animal doado são MINIMAS, se compararmos com TUDO o que pode e dará errado por essa cegueira e falta de responsabilidade em repassar a castração e os custos.



Não é que todos os adotantes sejam maus ou negligentes, mas se as pessoas tivessem a motivação natural de castrar seus animais, não teríamos tantos bichos abandonados em cada uma das cidades do mundo.

Protetores não precisariam existir, não seria imperativo gastar milhões para castrar os animais antes de doar.

As pessoas procrastinam, pensam que não vai acontecer nada tão cedo, que ainda é filhotinho, ficam com pena e quando vão ver, o pior acontece.

E o Termo de Adoção e compromisso para castrar na idade correta?
Não passa de um pedaço de papel que não possui validade ALGUMA para forçar alguem a esterilizar o animal ou entregá-lo na "idade ideal".

E a situação piora imensamente quando estamos falando de um bicho de raça, que provavelmente, devido à cegueira do falso protetor, tem uma grande chance de acabar em um criatório de fundo de quintal, explorado até o fim da vida.




Antigamente não tínhamos opção. Castração ainda é algo desconhecido para a maioria da população carente e ignorado por outras pessoas que possuem os recursos, mas optam por não agir de forma correta. Mas a castração pediatrica está aí, como uma grande aliada para que o abandono que atingiu este animal não mais se repita, para que mais filhotes sejam poupados de um nascimento irresponsável.

Hoje em dia a maioria das cidades oferece castração gratuita ou a baixo custo, os veterinários são mais solidários e também procuram ajudar a combater o abandono. Mesmo aqui em São Luís, onde posso contar nos dedos os veterinários que realizam castração pediátrica e que ao menos são a favor, mas nem por isso me deixei acomodar.

Não há um filhote que passe por minhas mãos que não seja imediatamente castrado.

Os protocolos de resgate e doação responsável mudaram hoje em dia.
Primeiro deve-se castrar e depois começar o esquema vacinal, principalmente para que o mesmo não seja interrompido por causa da cirurgia e para que, durante a espera das vacinas, não ocorra uma prenhez acidental ou fuga por parte de um macho.

Se você não puder fazer mais nada por um animal, castre. Apenas castre.
Acredite, essa será a maior prova de responsabilidade e amor que você pode dar a uma pequena vida. É o MINIMO a ser feito, quando você se veste com a camisa da proteção animal.




Porque, no final das contas, a unica vitima de sua cegueira consentida, será o cão ou gato que você se enganou estar ajudando.


"A unica coisa pior do que ser cego é enxergar,
mas não conseguir ver além."

Hellen Keller

14 de jan. de 2012

Como identificar um protetor sério

Essa semana, o Brasil inteiro ficou horrorizado com a falsa protetora em SP que assassinava os animais que deveria cuidar.

Todo mundo que lida com proteção animal sabe o quanto é IMPOSSÍVEL receber a quantidade de animais que essa pessoa recebia e doá-los com qualidade e na mesma velocidade que ela afirmava.

Quem me conhece e acompanhou meus resgates aqui pelo blog sabe que doação responsável leva tempo, dinheiro e dedicação.
Castrar, vacinar, vermifugar, alimentação de qualidade, consultas veterinárias e em alguns casos, reabilitação emocional, não é coisa de um dia para o outro.

Entregar o bicho para o primeiro que aparecer é a coisa mais fácil do mundo e quanto mais casos desses vejo - aqui mesmo na minha cidade - fico me perguntando como as pessoas dormem à noite.

O pior é que, além dos irresponsáveis que abandonaram esses animais com essa mulher apenas por comodidade, infelizmente um grande número de pessoas também deve ter sido enganada e colaborado para essa situação horrível.

Existem pessoas que querem ajudar bichos abandonados e acabam financiando verdadeiros campos de concentração, sem saber. Este e alguns casos até podem vir à tona, mas um grande número de animais são vitimados todos os dias por colecionadores ou gente louca mesmo, financiado pelo dinheiro de terceiros.

Então aqui vai algumas dicas para você, que quer ajudar animais, saber o que esperar de um cuidador sério e não ser enganado por colecionadores ou pessoas inescrupulosas


1- PESQUISE


Pedidos de ajuda são compartilhados milhares de centenas de vezes todos os dias pela internet, advindos de Ongs ( apenas o registro nos orgãos competentes pode legitimar uma Organização Não-Governamental ), grupos de resgate ou protetores independentes, que recolheram um cão, uma ninhada abandonada, etc.

Pesquise sobre o grupo, sobre a pessoa, peça referências. Se o trabalho for honesto, não será difícil encontrar informações. No caso de protetores independentes, apenas ajude se tiver referencias reais ou conhecer pessoalmente, para aumentar a segurança.

Vale sempre lembrar que protetores sérios priorizam a castração e NUNCA doam um animal inteiro. Isso, na minha opinião, é o motivo de desconfiança número 1.




Desconfie de excessos! Ninguém em sua sã consciencia se oferece para aceitar e cuidar de animais abandonados em sua casa. É aí que se escondem colecionadores, pessoas que vendem ou sacrificam animais para rituais e outros terríveis fins.

Protetores sérios não fazem de resgates e doações uma profissão.

2- FOTOS



As fotos e/ou videos sobre o caso devem ser recentes e bem tiradas e devem ser frequentes durante o cuidado com o animal, não somente como prova de que as doações estão sendo devidamente usadas, mas também como um registro da evolução do bichinho, em caso de maus-tratos ou doenças e as condições do local onde ele está morando.

Sou totalmente contra pessoas que põem fotos de animais estrupiados, sangrando ou apelam para este nível de comoção. Isso de nada adianta, apenas afasta e entristece aqueles que realmente se importam.

Foto após procedimentos cirúrgicos também são bem-vindas, para provar, por exemplo, que o bichinho foi castrado. ( Lembram da Milla, que uma adotante maluca não acreditava que ela tinha sido esterilizada? :P )

3- PRESTAÇÃO DE CONTAS


Acredito que este é o ponto mais importante para confiar em alguém que está cuidando de um animal com doações. TUDO que envolva o dinheiro alheio deve ser comprovado, detalhadamente, para todos os fins, durante todo o período que o cão ou gato for custeado por terceiros.

Pergunte sobre o tipo de ração que o animal está recebendo, existem pessoas que pedem ajuda de custo para ração Premium e na verdade oferece um alimento de baixa qualidade a animais já debilitados. O protetor sério também irá mostrar a carteira de vacinação do bichinho, comprovando as vacinas que ele recebeu.

Se for possível, ao invés de doações monetárias, dê diretamente à pessoa o saquinho de ração ou de areia, deixe já pago na clinica a castração ou vacinas.

E, uma dica, nunca doe sem antes o animal estiver nas mãos da pessoa que pede ajuda. Já vi casos de pessoas que pediram doações para castrar e vacinar um animal - que foi doado totalmente fora dos padrões da doação responsável - e o adotante simplesmente deu sumiço nele. Isso pega MUITO mal, não somente para os envolvidos - que não devolveram o dinheiro - mas também é um péssimo exemplo para próximos pedidos de ajuda por parte de protetores sérios, que ficam marcados pela irresponsabilidade de amadores.

4- CUIDADOS VETERINÁRIOS




A pessoa que pede ajuda deve deixar claro onde e por quem o animal será atendido, com telefone, endereço e CRMV do veterinário responsável. Se possível telefone ou vá até a clinica e até mesmo conheça o animalzinho que estiver internado.

Já soube de casos em que a pessoa recebeu o valor de serviços veterinários e fizeram tratamentos caseiros, ou pior, sequer levaram o animal para ser devidamente atendido.

5- VISITAS

Estando o animal em sua cidade, não há motivos para que a pessoa responsável negue uma visita para conhecê-lo. Ao visitar o local, preste atenção nas condições de higiene, nas condições de outros animais na casa e se houver algum bichinho doente, se estão devidamente isolados.

Também procure pelos potes de ração e se há agua fresca disponível.

*****

Compreendo que muitas pessoas não podem ou preferem não meter a mão na massa, mesmo apoiando a proteção animal.

Infelizmente nos dias de hoje não é somente doar, mas doar com responsabilidade, para organizações e pessoas idôneas, para que sua confiança e sua doação possam realmente beneficiar aquele bichinho que você escolheu ajudar.

Gostaria também de agradecer por cada moedinha que já foi enviada aos meus animais, não somente pelo valor, mas pelo privilegio de ser digna da confiança de vocês.

Sou muitíssimo grata a cada um que já ajudou meus resgatos e agora ajuda os Felinos Urbanos.

Ficam aqui minha profunda tristeza e revolta, como mãe e protetora, por todas as vidas que foram roubadas estupidamente, não somente pelo monstro, mas por todos os cúmplices que abandonaram estes animais em suas mãos.



"Confie apenas em ações.
A vida acontece em eventos, não em palavras.
Confie nas ações."

Alfred Adler