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21 de mar. de 2011

Alanis. Eternamente.



me roubem o sangue das minhas veias

me roubem os olhos

me roubem todas as riquezas mundanas

arranquem de mim a pele e os músculos que me revestem

mas por favor

por favor

não tirem de mim minhas alegrias

não tirem de mim meus amores


não tirem o sopro de vida de uma criança que ainda merecia muitos anos de sol

não neguem a uma alma pura o ciclo da felicidade completa e nem deixem vazio os braços que a acolheram

não permitam que esse peito se torne devastadoramente frio

nos devolvam o nosso mais belo e doce verde olhar

não é possivel viver como um todo sem os pedaços do coração.





14 de mai. de 2010

Apollo ~ o amor anjinho

No dia 31 de dezembro de 2008, um siamês lindo, gordo e carinhoso apareceu andando, ou melhor, mancando na rua da minha casa. Estava muito sujo. Aproveitando as ultimas horas de serviço daquele dia, o levei para o petshop e dei um banho nele. Apesar de não gostar da agua, para um gato completamente estranho, ele nem sequer tentou me arranhar.

Hoje ficou pensando de onde veio a coragem de simplesmente pegar um gato adulto na rua e levá-lo no colo.

Depois do banho tomado e barriga cheia, percebi que na verdade, ele estava com um problema sério nas pernas e o rabo dele não se mexia. E que toda a sujeira e o mal cheiro que eu havia sentido era de uma incontinencia urinária.

Pedi para a dona do pet autorizar a estadia de Apollo ( os olhos dele eram da cor de um céu ensolarado ) até o dia 2. Logicamente, eu pagaria hospedagem, mas somente ter a certeza de que ele não estaria a merce de bebados, carros desgovernados e não sentiria medo pelos fogos de artificio era o suficiente. A cada minuto que passei com ele era OBVIO que Apollo não pertencia às ruas, que até momentos atrás era um gato de casa, muito bem tratado e que havia recebido carinho.


Talvez tenha sofrido algum trauma e os donos não quiseram as despesas, talvez tenha fugido para cruzar e foi atropelado ou chutado... talvez, talvez....

Imediatamente minha campanha para a adoção de Apollo começou, mas o que eu iria fazer com um gato macho incontinente? A medida que os dias iam passando e os remedios, ração urinary e tratamentos não surtiam efeito eu ia ficando mais desesperada com a impossibilidade de sua adoção.

Então, um dia, pelo orkut, uma senhora aparece interessada no Apollo. Nas suas palavras, o queria muito, pois ele era lindo!

Mas ele não era só bonito, ele tinha um problema, provavelmente irreversivel e iria precisar de paciência e cuidados.

E mais uma vez eu joguei palavras aos ventos. Depois de uma semana conversando com a senhora, enquanto dava as vacinas nele, vermifugo, etc, ela apareceu no pet e o levou.

Parecia ter sido a adoção dos sonhos. O filho dela era totalmente apaixonado por ele.

No entanto, o sonho não durou muito.









Eu ainda estava enclausurada em casa quando a dona de Apollo começou a encher meu orkut de reclamações. Que ele fazia xixi por todos os lugares, que ele era mal educado, que ele pulava ( um gato que nem se segurava nas patas traseiras por muito tempo!!!! ) na mesa e roubava comida. Liguei para diversos veterinários sobre o que fazer e soube de um caso em que um gato foi atropelado e também ficou com incontinencia, mas que a dona o criava no jardim, devidamente protegido contra chuva, sol, etc e ele vivia bem.

Perguntei se ela não poderia fazer o mesmo, que eu até mesmo podia dar uma casinha de cachorro para ela por na area de sua casa, mas ela não o queria mais. Definitivamente.

E, infelizmente, tive que considerar o sacrificio dele, pois um mês havia se passado e ele ainda estava na casa da senhora, sem mais ser amado e sem nenhuma outra possibilidade de adoção.

Então, me foi apresentada uma pessoa que o queria. Uma pessoa humilde, morando em uma casa humilde. E que mesmo diante de todos os problemas que Apollo possuia, ela também o quis.

E ele foi muito bem cuidado e querido, morando em uma area de piso frio, como eu havia pedido para evitar acidentes, mas sem estar afastado do convivio de humanos, recebendo muito carinho.

Infelizmente, alguns meses depois de ter sido adotado, Apollo faleceu.

A pessoa que intermediou a adoção disse que ele não acordou um dia.

Eu não pedi por mais detalhes. Por alguma razão meu coração ficou tranquilo ao saber que ele havia partido dentro de uma casa, com uma familia que chorou por ele. Pelo menos ele pôde esquecer de quem virou as costas para ele por uma deficiencia fisica que não era culpa dele.







Um gigante gentil, com olhos de paz. Apollo, no céu, e em meu coração.

23 de mar. de 2010

Sortuda - o amor tricolor

Sortuda foi nossa segunda menina.

Não cresceu muito devido à desnutrição que sofreu nas ruas. Nunca soubemos ao certo qual era a sua idade.

Chegou em nossa casa extremamente magra, com infecção nos olhos, infestada de verminoses, pulgas, machucada e faminta.

Não tinha os olhos grandes e bonitos como os de Zazá. Ou o rosto redondo. Tudo nela era pequeno e sofrido.

O rostinho triangular e os olhos meio asiaticos, amarelos. As patinhas, o corpo e a cauda curtas. Somente dias depois, quando a banhei, descobri que a pelagem acizentada era na verdade extremamente branca, fazendo um bonito contraste com as manchas douradas e pretas em seu dorso, orelhas e cauda.

Sortuda sempre foi humilde, até em seus pedidos. Seu miado era rouco, quase inaudivel. Mas ela sabia demonstrar afeição e gratidão. E assim ficou em nossa casa, mesmo minha mãe pedindo que o caseiro a soltasse na rua novamente e ela, aos gritos, voltasse, escalando o muro e mais uma vez ferindo suas patinhas.

Ela nos escolheu. Ela queria nos amar.
Mesmo que demorasse um tempo para entender, acabamos nos apaixonando também.

Sortuda dormia do lado de fora da casa, nas cadeiras do jardim. Zazá não permitia que ela sequer se aproximasse da porta. Era como se dissesse - ja tá deixei ficar, mas o sofá é meu!!

E ela permanecia lá fora, contente. Tinha um prato só seu, comida, carinho e um gramado para descansar.

Com ela aprendi a procurar informações sobre cuidados com gatos. Comprei um livro, que já na epoca, era considerado ultrapassado. Aprendi a dar vermifugo, aplicar colirio e remedio de ouvido. A dar banho corretamente, com calma e sem estressá-la. A fazer uma alimentação balanceada, entre ração umida e seca ( na epoca, a unica ração para gatos facilmente encontrada era a Whiskas ).

Sortuda ficou linda, gordinha. Cresceu um pouco mais, mas ainda era bem menor que Zazá.

Logo depois que Zazá morreu, ela se tornou mãe. 3 gatinhos lindos. Dois brancos como ela ( Faruk e Julia ) e uma escama de tartaruga negra ( Zazá II )

Foi uma otima mãe. Quase os teve no sofá, só de medo de ficar sozinha.
O parto foi tranquilo, graças ao livro, pude ajudá-la a limpá-los e fazê-los respirar corretamente.

Ficava horas no quarto olhando eles dormirem, enquanto mamavam. Continuo com esse habito até hoje.

Além deles, havia 2, um que me fora dado pelo vizinho, por causa da morte de minha gata e outro que meu pai pegou do mercado central, totalmente coberto de pulgas. E ela os adotou também.

Logo depois, mais uma filhotinha de rua se juntou à turma. E Sortuda a adotou também.

De segundo posto, Sortuda se tornou a matriarca de nossa familia, que ao final, possuia 7 gatos.

Quando nos mudamos para um apartamento, tive que me desfazer de todos eles. É uma das coisas que nunca conseguiu se curar em meu coração, mesmo depois de tantos anos.

E ela foi para uma casa onde viveu feliz por aproximadamente 8 anos, até que desapareceu, sem vestigios.

Hoje em dia, a primeira coisa que iria fazer por ela, seria castrá-la. Só Deus sabe quantos filhotes ela trouxe ao mundo.

Mas tenho certeza de que fiz o melhor para que ela tivesse uma vida feliz dentro de minhas possibilidades de adolescente.

Por causa dela, aprendi a amar as gatas tricolores, por tantas vezes rejeitadas por causa de sua pelagem. São gatas doces, tranquilas e amorosas.

Suas manchas eram como ela. Dignas e de uma beleza unica.