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19 de nov. de 2011

Noticias do cão do terreno - Final

Essa semana foi extremamente atarefada, apesar do feriado.

Foram 4 castrações dos Felinos Urbanos, finalizando no número #21 que acabou de ser solto, além de minhas obrigações pessoais e no trabalho e inicio do esquema profilático de raiva, que me deixou com o braço dolorido por 2 dias inteiros.

Além dos gatos do projeto, também hoje foi o final da estória do Lobinho, felizmente, feliz :)

Hoje após a castração do #21 fui com a Dra.Alberluce morro acima para vaciná-lo. Seria impossível cuidar desse cão depois de uma próxima chuva, pois algumas partes do mato já batiam no meu quadril.

Um funcionário do prédio próximo havia dito que queria um cão e se solidarizou pela situação do Lobinho. E ele foi o único homem com quem ele fez amizade durante todo esse tempo. E essa semana o rapaz finalmente pôde dar a resposta positiva para adotá-lo, se comprometendo com os cuidados, ração e até fez uma casinha para ele em sua casa :)

Ele se comportou bem direitinho ao ser vacinado e colaborou para descer, apesar do medo. A parte mais complicada foi quando o taxista chegou para levá-lo a sua nova casa.

Se debateu, tentou morder, então acabou indo de mordaça, só por precaução. Foi muito bonitinho como ele sentou e ficou calmo, confiando na gente.

Acredito que em uma família, com uma pessoa que ele já conhece e a esposa do rapaz, ele perca o medo de ser abandonado, espancado, ou seja lá o que tenha acontecido no passado triste que o trouxe para o matagal.

Ele é um cão muito bonzinho e merece uma boa vida :)


Assim que possível vou tentar visitá-lo em sua casa nova e trazer noticias.

Gostaria de agradecer imensamente a todas as pessoas que mais uma vez me me deram a chance de ajudar um bichinho necessitado.

Mesmo tendo deixado os resgates e adoção, sei que existem coisas que não podem passar batido e este cãozinho, abandonado a própria sorte, com fome e sede, tinha o DIREITO de ser salvo.

É mais um animal castrado e que não será responsável por mais filhotes na rua.

Uma semana atarefada, mas com um excelente final :)

Prestação de contas e as fotos de hoje aqui - http://www.facebook.com/media/set/?set=a.2289637993898.2123562.1037416297&type=1&l=2fdb5fe487


10 de nov. de 2011

Noticias do cão do terreno VI


Os exames do Lobinho ( nome que o pessoal do prédio próximo colocou nele ) saíram hj.

Logo cedo liguei para o laboratório e pedi o protocolo para checar pelo site, o coração na mão.

Mas, o exame de leishimaniose deu NEGATIVO!! /o/

Fiquei extremamente feliz e saí dando noticias pra todo mundo que vêm acompanhando o caso do cãozinho :)

Fui até o petshop perto de casa falar com Dr.Jairo e levar o hemograma, tudo ok também, já deixei um banho e castração marcados pra ele no sabado :)

Mando noticias após a cirurgia e novas fotos também!

Muito obrigada a todo mundo que torceu por ele :)

exame de leishimaniose

hemograma

( eles erraram meu nome nos dois exames :P )


1 de nov. de 2011

Noticias do cachorro do terreno III

Na grande maioria das vezes eu consigo fazer as coisas sozinha.

Na verdade até prefiro, pois quando vc sabe que está só, não precisa contar com ninguem e nem deixa de fazer o que deve ser feito por falta de ajuda.

Só que há situações que não dá pra resolver assim. E há dias em que tudo dá errado.

Minha tia ficou doente e tive que ir sozinha subir o matagal, deixar agua fresca e ração para o cachorro e tentar pegá-lo para levar ao petshop. Na primeira tentativa ele desceu comigo, mas chegando lá embaixo havia um homem, ele se assustou, se debateu e acabou correndo de volta para o terreno :(


Depois de quase 1 hora tentando persuadi-lo ( não posso forçar ou puxá-lo já que ele pode ficar com medo de mim e não colaborar mais, ou pior, ficar agressivo ) fui até o petshop para comprar uma focinheira, mas quando voltei alguem havia jogado restos de frango.

Resultado: ele ficou defensivo por causa da comida e acabou rosnando pra mim.

Na quinta irei tentar novamente, espero realmente conseguir.

A pior parte foi o pessoal do prédio próximo ao terreno dando pitaco, dizendo para eu fazer assim e assado, mas ninguém veio me ajudar...


30 de out. de 2011

Noticias do cachorro do terreno II

Hoje não foi necessário ir até o cãozinho, uma moça que mora no prédio em frente ao terreno me ligou e disse que duas outras pessoas foram lá deixar água e comida pra ele :)

Acabei de receber mais duas doações, MUITO OBRIGADA!

O cofrinho dele conta com R$220, é mais do que o suficiente para o exame de Leishimaniose e a castração :)

Apesar de São Luís ser uma cidade foco dessa doença e o nosso bairro ser de alta incidência por causa dos matagais ao redor, estou rezando para que o exame dê negativo.

Amanhã de manhã estarei na clinica conversando com o veterinário. O cãozinho é assustado, mas vou ver a maneira menos traumatizante de levá-lo.

Não se preocupem, farei tudo o que for mais correto para esse cão, assim como faço para todos os animais que ajudei.

A dois anos atrás tive que, infelizmente, levar uma cadela para ser posta para dormir por essa maldita doença. Ela foi abandonada em uma faculdade, prenhe, todos os seus filhotinhos lhe foram tirados, exceto uma, que também resgatamos e hoje em dia é muito muito feliz.

Minha amiga e eu fizemos todo o manejo para adoção, mas de repente ela começou a demonstrar pequenos sinais. A levamos para o laboratório, o exame de medula deu positivo. Repetimos depois de 30 dias, ainda com esperança, mas os sinais no corpo dela já começavam a dar mostras do resultado do exame, novamente positivo.

Aqui em São Luís tudo é muito difícil para os animais, especialmente vira-latas. Apesar de toda sua doçura, ninguém a procurou por sua "falta" de raça. E apesar de nossos apelos, ninguem também se pronunciou para ao menos lhe dar um Lar Temporário. Nunca negaríamos a ela o nosso ultimo dever de deixá-la partir com dignidade e ela se foi, dormindo e em paz, rodeada por aqueles que a amaram e choramos por ela todas as lágrimas que merecia.

Não comento muito sobre esse episodio, pois além de extremamente doloroso, também fomos alvos de criticas. As mesmas pessoas que negaram ajuda para essa cadela foram as primeiras a ser contra sua eutanásia, mas também não nos dando nenhuma alternativa.

Logicamente se fosse um animal já adotado, com uma familia que a aceitasse, iriamos ajudar de todas as formas, iriamos dar suporte para que ela pudesse viver bem dentro de suas possibilidades.

Mas como fazer isso com um animal de rua, sem ninguém? Como fazer isso sem recursos e sem suporte, e, pior ainda, sob a ameaça constante de sermos denunciadas para o CCZ?

Sim, pois aqui, além de ser um local precário em saneamento, que intensifica a ação do mosquito-palha, as pessoas ainda ameaçam denunciar e "dar sumiço" ao animal que sequer apresenta sintomas semelhantes. E eu nunca permitiria que um animal sob meus cuidados fosse sacrificado lá, sozinho e assustado, por completos estranhos.

Eu sei que os cães não tem culpa. A culpa é da sociedade, que ainda precisa - e muito - conscientizar-se sobre guarda responsável e castração, que deve considerar os animais como iguais. A culpa é de quem não limpa seus quintais, que deixa vagar na rua, de quem abandona. A culpa é totalmente humana.

Essa cadela foi um dos inúmeros motivos de deixar os resgates e me focar no C.E.D.
Mas esse cão passando fome e sede chegou aos meus olhos e eu irei ajudá-lo.

Então, torçam comigo para que o cãozinho esteja bem e que ele possa, em breve, encontrar um bom lar para chamar de seu :)

Muito obrigada a todos pelo apoio e carinho!




29 de out. de 2011

Noticias do cachorro do terreno

Hoje fui visitar o cachorrinho

Como ele é muito assustado, além da falta de dinheiro, estou planejando como levá-lo para o petshop para fazer o exame de Leishimania.

Ontem à noite choveu novamente e ele ficou lá, ao relento :(

Minha tia e eu conseguimos um esqueleto de maquina de lavar, feito de fibra. Subimos mais uma vez o caminho e fomos deixar comida e colocar agua fresca para ele hoje no final da tarde.

A alegria dele ao ver que terá comida é de partir o coração :(

Espero que ele compreenda que deve se proteger ali do frio e da chuva, se cair novamente.

Ainda mantenho o apelo para ajudá-lo, por favor, qualquer quantia é bem-vinda.

No meu facebook comecei uma campanha, para que ao invés do CURTIR, doem R$2,00 para que eu possa ajudar esse cãozinho.

O Arthur já sofreu com fome, sede e frio e eu não desejo isso para nenhum ser :(


BANCO DO BRASIL
Conta POUPANÇA -- 26.820-8
Agência -- 29548
Variação 1
Otávia Mello


28 de out. de 2011

PEDIDO DE AJUDA! Cão abandonado em matagal

No começo do mês de outubro me informaram que um cão havia sido abandonado em um terreno de matagal em uma rua próxima a minha.

Fui lá olhá-lo, o pobrezinho estava pele e osso, todo encolhido em um cantinho, o rabo entre as pernas, morrendo de medo :(

Apesar do grande número de gatos errantes no meu bairro, é muito raro ver um cão por aqui e pela localização do lugar, improvável que ele tenha aparecido ali sozinho.

Com o passar dos dias moradores de um prédio próximo começaram a jogar restos de comida para ele e alguns até se aventuraram a subir um declive imenso para colocar água, mas por causa do acesso dificil ele fica as vezes dias sem beber ou comer de maneira adequada. Eu mesma já fui lá algumas vezes, mas o caminho além de alto é cheio de pedaços e tocos afiados de madeira, já saí de lá com as pernas arranhadas e feridas.

Hoje me disseram que ele passou o dia inteiro deitado sob o sol forte, com sede.

No final da tarde comprei uma bacia que cabe aproximadamente 3 litros de agua e subi o terreno também com um saco de Royal Canin. Ele só faltou falar quando me olhou com a agua e bebeu metade do conteudo da bacia de uma vez só. Depois começou a devorar a ração que eu havia levado.


a bacia d'agua e ele devorando um pouco da ração que caiu do pote

a parte "mais limpa" do matagal onde ele está, existem cobras, camaleões e mosquitos no local que mordem o cachorro o dia inteiro :(

a ladeira ingrime que precisa ser ultrapassada para colocar agua ou comida pra ele

eu fui embora e ele ficou lá, devorando a ração

comprovante de pagamento da ração


No Maranhão chove 6 meses durante o ano, que começa em dezembro, mas semana passada já houve uma chuva muito estranha que durou o dia inteiro. E ele, sem ter onde se abrigar, ficou debaixo da chuva, arriscando pegar uma gripe ou pneumonia :(

O manejo de cães é mais complicado do que o de gatos, como eu não sei nada do passado dele e os motivos que foi abandonado - ele é muito docil e brincalhão - preciso fazer um exame de Leishimaniose que custa R$50,00 e depois custear sua castração, no valor de R$80, no mesmo petshop que comprei a ração, pois é próximo a minha casa, para poder começar a tentar uma adoção.

No momento não posso tirar nenhum centavo das castrações dos Felinos Urbanos, já que tive que comprar um cambão para o projeto, o que já diminuiu um pouco a nossa cota mensal de novembro, mas também não quero ver esse cão definhar aos poucos, de braços cruzados :(

Quem puder ajudar, por favor, com R$2, R$5 que seja, qualquer quantia será MUITO bem-vinda!

Irei fazer prestações de conta de tudo o que for feito para esse cãozinho.

Por favor, ajudem :(

BANCO DO BRASIL
Conta POUPANÇA – 26.820-8
Agência – 29548
Variação 1
Otávia Mello

29 de set. de 2011

Veterinários x Abandono

Com os 5 anos do Arthur se aproximando, faço algumas reflexões desde que comecei, com a adoção dele, a cuidar de animais abandonados. Uma delas é que eu nada poderia ter feito sem a ajuda e competência dos veterinários que cruzaram o meu caminho e cuidaram desses bichos que resgatei.

Logicamente que em uma cidade como São Luís, não foi fácil encontrar esses profissionais.

Existiu aquela que jurava curar Leishimaniose, a que aplicava mensalmente anticoncepcional em um gato macho de uma família humilde e aquele que diz que castração é maldade. E, como esquecer daquele, que ao me ver com uma gatinha para adoção em uma clinica, pedir para dar a gata para ele pois o dele havia morrido atropelado por ter ido para as ruas?

Como em toda categoria, existem excelentes e péssimos profissionais.

Mas enquanto mãe do Arthur e protetora, valorizo imensamente os veterinários humanos, éticos, atualizados e acima de tudo, socialmente responsáveis.

Não irei entrar no mérito de valores de consultas e procedimentos. Infelizmente aqui em São Luís não existe nada gratuito ou a baixo custo de fácil acesso, como na maioria das capitais do Brasil onde castração e consultas em preços mais em conta e com qualidade são oferecidas à população, mas também não vejo nisso uma razão para tanta reclamação para com os profissionais e clinicas. É algo muito simples, bicho é luxo. Não quer gastar? Não tenha um animal.

Se eu não tivesse dinheiro para ajudar animais de rua, simplesmente não faria e nem sequer teria o meu próprio. Mas o que não dá é ficar reclamando para um profissional – principalmente os bons – que passou anos estudando, pagando transporte e livros caros na faculdade, que investiu em uma especialização e em materiais de qualidade para atender seu animal da melhor maneira possível.

Cada veterinário oferece seus serviços ao preço que acredita ser o mais adequado para sua realidade e os gastos que tem para exercer sua profissão. Cabe aos clientes fazer uma pesquisa de preço e escolher o que cabe em seu orçamento.

Minha principal preocupação com a veterinária ludovicense nos dias de hoje é como ainda existe um grande número de profissionais que ignora o seu papel social de promoção da guarda responsável e acaba, direta ou indiretamente, contribuindo para o aumento do abandono.

Uma coisa que me deixa abismada é a falta de iniciativa de uma grande parte dos veterinários para falar de castração. Conheço muita gente que sempre teve bichos e mesmo levando-os ao veterinário com regularidade, desconheciam totalmente o procedimento e seus benefícios. Acredito fortemente que a castração deveria vir na primeira conversa com um novo cliente ao adquirir um animal, assim como alimentação adequada, vacinas e outras particularidades de manejo. Felizmente nos dias de hoje, onde guarda responsável está cada vez mais disseminada, muitas vezes o proprietário se informa e compartilha a idéia com o veterinário.

Nesse primeiro contato, o bom médico responde as duvidas do proprietário, esclarecendo os prós e contras do procedimento de forma clara e realista. Realiza exames baseados nas características do animal a ser operado, para diminuir o máximo possível os poucos riscos existentes. Na grande maioria das vezes, o animal é castrado e o dono, satisfeito, espalha os benefícios para aqueles ao seu redor, criando um circulo do bem e de responsabilidade.

O veterinário antiquado e retrogrado coloca a castração como procedimento a ser feito somente depois do primeiro cio ou primeira cria, como desnecessário, até mesmo como maldade e aflige ainda mais o proprietário, já não muito bem informado, fazendo com que o mesmo, além de não castrar seu animal, ainda dissemine preconceitos errôneos quanto ao procedimento.

Mas qual a responsabilidade que esse veterinário assume, quando o cão ou gato foge por causa de fêmeas no cio, é atropelado, morre nas ruas ou se torna agressivo, marcando o território com urina o tempo inteiro? Qual a responsabilidade que esse veterinário terá com as fêmeas no cio, que sangram e gritam durante dias, que podem ter piometra e tumores de órgão sexuais, que também irão fugir, emprenhar e trazer filhotes para uma casa onde o dono não está disposto a doá-los com responsabilidade? E uma sucessão de abandonos começa aí.

E ao invés de pagar R$150 para castrar uma gata, o dono responsável – mas ingênuo – irá gastar R$1000 para resolver uma piometra. Irá gastar MUITO para remendar os ossos quebrados do animal que fugiu e foi pego por um carro, que foi envenenado pelo vizinho atrás de uma fêmea no cio e para cuidar e vacinar os filhotes nascidos pela negligência do proprietário e veterinário que não castrou o animal.

E quem irá receber para isso? O mesmo veterinário que foi contra a castração.

São fatos tão simples que chegam a ser tolos. Na cidade de SP, onde castração tornou-se obrigatória e existem centros cirúrgicos gratuitos espalhados pela cidade, os melhores veterinários são aqueles que fazem um grande número de cirurgia de castração durante o mês, pois estes profissionais, por lidarem com uma enorme demanda, devem fazê-lo de forma rápida e de qualidade, para que as pessoas confiem na castração. Quanto maior o número de procedimentos, maior a prática, menor a incisão e mais rápida, sem preocupações e falhas ( como um ovário remanescente ) é a recuperação do animal.

Não confio e evito ao máximo indicar profissionais que não possuem animais castrados e que são ignorantes quanto aos benefícios da castração, tanto para a saúde do animal, como ferramenta contra o abandono. Um bom veterinário não necessita ganhar dinheiro em cima do sofrimento alheio.

Do mesmo jeito que um bom veterinário não se envolve em criação de fundo de quintal e/ou reprodução indiscriminada, que em curto, médio e longo prazo, resultam grande parte dos animais negligenciados e abandonados.

De acordo com uma pesquisa de 2010 da SPCA americana, 9 entre 10 filhotes nunca encontra um bom lar onde possam ser tratados com dignidade até o fim de suas vidas.

A destruição da maioria de raças de cães e gatos em São Luís não é segredo. Basta passar algumas horas nos petshops mais populares em um dia de sábado. Dificilmente você vê um animal puro e 100% conformado. Os animais de estimação de grande parte dos ludovicenses são resultado da reprodução irresponsável e criação de fundo de quintal, gente que tem uma fêmea ou macho e encontram um ser ganancioso, colocando os animais para cruzar e tirar os trocados.

Às vezes a pessoa é somente ignorante e não tem intenção de explorar economicamente os filhotes, querendo apenas um “netinho” , mas levando em consideração que não nascerá só um e o resto será dado ou vendido indiscriminadamente, a pessoa acaba sendo responsável por filhotes sem destino certo.

A maioria dos criadores de fundo de quintal é resultado de outro criador de fundo de quintal. É a pessoa que pagou caro por um mestiço, foi feita de besta e ainda se acha no direito de faturar em cima do seu animal. Reproduzem qualquer coisa que pareça um com o outro, sem fazer exames, sem checar problemas de saúde ou de comportamento, sem ao menos saber coisas básicas do bicho.

Também há aqueles que até tem um animal com pedigree, mas que vieram de canis ou gatis não tão socialmente responsáveis, vendidos sem castração. O ponto aqui não é se o animal é um bom reprodutor, mas o direito dele de não ser forçado a passar pelo stress do cio, cruza e gestação e ter seus filhotes vendidos e colocados em mãos alheias, com destinos incertos.

E onde criadores de fundo de quintal se conhecem? Justamente em clinicas veterinárias. E onde expõem a vontade de reproduzir seu mestiço e onde colocam cartazes para vender os filhotes, isso se não os coloca em um cercado imundo, sem água, comida e espaço para se movimentarem? Em clinicas veterinárias.

Algumas pessoas acham erroneamente que o animal tem que reproduzir pelo menos uma vez, mesmo nos dias de hoje desconhecem castração, então por que o veterinário não fala a respeito disso, quando a pessoa compartilha o desejo de reproduzir o pet, ao invés de ser cúmplice dessa prática? Como alguém que divulga guarda responsável, já mudei opinião de muita gente, apenas com conversas, exemplos e apresentando fatos. Veterinários contra a reprodução indiscriminada e exploração comercial tem um poder imenso, se bem utilizados.

E pior do que um veterinário contra castração é aquele que ainda é criador de fundo de quintal, explora economicamente os animais que ele JUROU cuidar e tratar com dignidade. Só digo uma coisa: QUE NOJO.

Nojo de profissional que precisa de filhotes para arrumar uma grana, sinal que competência e pacientes andam faltando. Logicamente existem veterinários sérios e que mantém criações idôneas, registradas, com controle de ninhadas, contratos de venda para assegurar o bem estar do animal, filhotes vendidos castrados, nascidos e comercializados de maneira correta, mas aqui em São Luís? Não conheço nenhum.

Visitei uma clinica veterinária em SP afiliada ao CCZ. Além da obrigatoriedade da castração, também é proibido a venda de filhotes que não sejam de gatis e canis registrados. Bem na entrada existia um cartaz: CRIAÇÃO DE FUNDO DE QUINTAL É CRIME! Para denunciar, ligue. Imagina que lindo seria isso aqui em São Luís? Mas enquanto as coisas boas não chegam, senhores veterinários, proíbam em suas clinicas e petshops cartazes anunciando ninhadas e não aceitem expor filhotes advindos dessa corja.

Tentem mudar a mentalidade dos donos e impedir que mais uma bola de neve de reprodução indiscriminada se torne ainda maior. Logicamente que bom senso não atinge a todos, se não colocarem no seu mural e se não castrarem o animal, irão reproduzi-lo de qualquer forma, irão vender os filhotes em outro lugar, mas será que não vale a consciência tranqüila de não ter sido cúmplice desse triste comércio de vidas?

Sem a ajuda da sociedade, em todas as suas esferas, nunca será possível diminuir e/ou exterminar os índices alarmantes de animais vitimados no mundo inteiro. Protetores de animais e donos responsáveis podem fazer muito, mas na parte prática, veterinários conscientes são necessários.

Não espero que nenhum veterinário abrace o serviço voluntário com animais abandonados como protetores, pois isso para nós é, apesar não isento de custos, uma opção.

Veterinários possuem famílias, contas para pagar, cursos e livros a serem adquiridos, principalmente em um país como o nosso que nada é bem visto se não for agregado em valores. O Médico Veterinário tem todo o direito de ser remunerado justamente e ser valorizado pelos bons serviços que prestam a uma comunidade.

E é nas mãos deles que reside uma força ainda maior para a conscientização em relação a castração e guarda responsável.


O diploma, além do titulo e certificação do curso, deveria trazer a todos os veterinários o desejo de garantir um futuro seguro e mais digno para os animais que passam por seus cuidados.

( texto dedicado a todos os meus queridos amigos veterinários, de perto ou de longe, que exercem seu papel com competência e humanidade contribuindo para um amanhã melhor )


14 de ago. de 2011

O que é o C.E.D?

Gostaria de OFICIALMENTE apresentar o nosso mais novo projeto que objetiva um maior bem-estar para os gatos de rua da minha cidade, seu conceito e razões para seu desenvolvimento, de acordo com o seminário que participei na Humane Society de Toronto – o C.E.D.

Mas o que é C.E.D?

É uma técnica utilizada em vários países desenvolvidos, como os E.U.A, Inglaterra, Canadá e já é realidade em algumas cidades brasileiras, através de projetos pioneiros como os GATOS ENCANTADOS ( RJ ), a CONFRARIA DE MIADOS E LATIDOS (São Paulo) e o CATS OF NECROPOLIS ( Santos ).

O principal objetivo é o controle da população de gatos abandonados ou nascidos nas ruas, através da captura, castração e devolução dos mesmos aos locais de origem.

Algumas pessoas podem achar natural avistarem gatos pelas ruas. Mas infelizmente isso é resultado de uma política inexistente ou ineficaz de controle populacional de animais domésticos, somado à ignorância e descaso humano.

Mesmo em países onde existe um controle de animais abandonados, verificavam-se várias falhas em sua execução, que se limitava ao recolhimento e eutanásia desses animais.

Somente em New Jersey 25% dos impostos era utilizado para a eutanásia dos gatos após sua captura.

Gatos são excelentes caçadores. E forçados pelo abandono a retornar a um estado feral se tornam predadores da vida selvagem, competindo com os predadores nativos.

Gatos ferais, apesar do medo de humanos, sempre rodam ou invadem propriedades em busca de abrigo e comida e incomodam os moradores do local. E mesmo quando recolhidos por algum agente de controle de pragas e levados para um local distante eles retornam ao local de origem, isso se não forem eutanasiados. E a grande maioria dos gatos ferais recolhidos são mortos com a justificativa de controle de zoonoses.

Existem pessoas que se compadecem com a situação dos gatos ferais e os alimentam, mas somente alimentá-los faz com que permaneçam no local, atrai novos animais para o local e eles se reproduzam com mais sucesso, trazendo malefícios a curto, médio e longo prazo. As colônias onde os gatos são alimentados por humanos apresentam um número dobrado e até triplicado em relação a áreas onde eles são forçados a encontrar seu próprio alimento.

Em seu primeiro ano de vida uma gata pode ter até 30 filhotes. Com 30 dias após o parto ela fica prenhe novamente. Esses filhotes se tornam sexualmente maduros aos 6 meses de idade.

Atualmente somente na área urbana de Toronto existem cerca de 100 mil gatos ferais.

E mesmo que se tornem capazes de sobreviver em situação de abandono os gatos ainda são animais domésticos e não deveriam precisar viver em situações precárias.

Por que o C.E.D funciona?

Os projetos de C.E.D dos E.U.A, Canadá e Inglaterra se tornaram bem sucedidos a partir do momento que a sociedade como um todo se deu conta de seu dever para com aqueles animais.

Em parceria com protetores independentes e abrigos como as SPCA’s e Humane Society, as autoridades criaram conselhos públicos sobre os gatos ferais ( em New York há o Neighborhood Cats http://www.neighborhoodcats.org/ ) e liberaram verbas para que os gatos recolhidos fossem tratados em hospitais bem equipados, com profissionais capacitados para a técnica de castração de gancho ( que reduz para 24hrs o tempo de recuperação para soltura das fêmeas ) e castração pediátrica a partir dos 2 meses de idade, além de promover a conscientização da população em relação à castração, ao abandono, maus-tratos, e crueldade contra animais domésticos e os gatos ferais das áreas.

Também recrutam e oferecerem treinamento para fiscais das colônias a serem incluídas ou que já estão no programa, ampliando ainda mais o senso de responsabilidade das pessoas em relação aos gatos da vizinhança.

A dedicação é tão grande que mesmo nas temperaturas baixíssimas do inverno existe um trabalho de proteção para os gatos ferais das colônias, feito com a instalação de abrigos.

No Brasil infelizmente os governantes ainda não se deram conta do real impacto das ações do C.E.D para o país e os projetos desenvolvidos – assim como o nosso – se mantém apenas com doações de seus voluntários e pessoas que se sensibilizam com a causa.

Além disso, somente a castração desses animais de nada adianta sem a conscientização da população em relação ao abandono, bem estar de seus animais e penas severas contra maus-tratos e negligência, aspectos infelizmente esquecidos nos discursos políticos e de maneira efetiva nas leis brasileiras.

O impacto positivo das ações de castração é claramente visível em uma área urbana apenas 6 meses após o inicio das atividades. Somente em Toronto no ano passado mais de 400 gatos foram auxiliados com o C.E.D.

Em San Diego houve uma redução de 50 a 73% no número de animais recolhidos e eutanasiados nos abrigos.

Somente em Santos o Cats of Necropolis já esterilzou mais de 116 gatos, os Gatos Encantados 67 e a Confraria de Miados e Latidos conta com 46 animais atendidos desde 2008.

Esses números resultam em menos de MILHARES de gatos sofrendo nas ruas brasileiras.

O que acontece com os gatos no C.E.D ?

Primeiramente eles são capturados. Por causa do comportamento feral da grande maioria deles é necessário saber como não os estressar em demasia. As capturas ocorrem no final da noite ou começo do dia, quando os gatos estão mais ativos. Após serem capturados nas gatoeiras são encaminhados para os veterinários e anestesiados para o manejo.

Em Toronto além de um exame físico completo, os gatos também recebem vacinas e vermífugos contra parasitas internos e externos.

Após a cirurgia eles recebem um pequeno corte na orelha, que é a sinalização universal para animais castrados e logo que estão recuperados da anestesia são soltos em seus locais de origem.

O C.E.D não somente é eficaz no controle dos animais, mas também na redução de gastos que protetores têm com eles, se compararmos com todo o processo de resgate até adoção.

Em cidades como SP e RJ que o CCZ já oferece castração gratuita os custos se tornam menores, mas ainda altos para pessoas que ajudam dezenas de animais durante todo o ano. O C.E.D é fazer o bem, de forma rápida, prática, com baixos custos e enorme impacto positivo.

No meu caso, cada gatinho custa uma média de 250 reais até ser adotado ( quando não é necessário nenhum tratamento veterinário ) E, sinceramente, prefiro ajudar dezenas com o C.E.D em poucos meses, do que poucos em um ano.

Faço das minhas as palavras da Tatiana da Confraria: “A esterilização é a única saída efetiva. A única ação que vai fazer mais do que enxugar gelo (que nós continuamos a enxugar com os resgates, tratamentos e doações de animais que promovemos), que vai impactar a vida de tantos animais que nem é possível quantificar.”

Já montamos nossas estratégias e vamos fazer o possível com o dinheiro e a única gatoeira que possuímos ( agradecemos de coração, sempre, sempre por essa doação tão preciosa! ), nem que seja para pegarmos apenas um gato por semana.

Além disso, pretendemos educar as pessoas sobre o projeto e, quem sabe, no futuro, arrumar simpatizantes, parceiros para as capturas e mais doações.

Para finalizar, traduzo aqui um trecho importantíssimo do Neighborhood Cats:

“O C.E.D não objetiva resgatar gatos. Seu objetivo é o controle populacional e permanente redução do número de gatos ferais de uma vizinhança. Não objetiva dar a somente um gato maravilhoso um ótimo lar. É diminuir o número de gatos abandonados recolhidos e os números das eutanásias, reduzir os custos do controle de animais e criar ambientes melhores e menos hostis para esses gatos.”

Para saber mais sobre os projetos desenvolvidos em SP, Santos e RJ, acessem:

http://blog.miadoselatidos.com.br/2011/03/27/ced-captura-esterilizacao-devolucao-o-que-e-isso/

http://gatosencantados.blogspot.com/

http://catsnecropolis.blogspot.com/

Para mais informações sobre o nosso projeto em São Luís , mande um email : amor_e_miados@yahoo.com.br


10 de ago. de 2011

Melissa - a "gata de raça"


O carro para. A mulher pergunta pro porteiro do meu prédio, quando ele vinha pro trabalho: Moço, conhece alguém que queira um gato de raça? Ele diz que não. Ela abre a porta do carro e joga fora uma gatinha de 5 meses de idade e vai embora. Ela ficou sem comer o dia inteiro, apanhando de outros gatos da rua.

Foi assim que conhecemos a Melissa hoje à noite.

Ganhei uma gatoeira - para o C.E.D - e eu e minha amiga resolvemos testá-la hoje com uns gatos em uma construção próxima a nossa residência.

A primeira gata que entrou estava lactante, então não poderíamos separá-la dos filhotes. Tentamos uma segunda que também não entrou na gaiola.

Já estávamos de volta à nossa rua quando vimos uma das gatas residentes de um terreno baldio e logo escutamos o barulho de briga. Ela estava toda arrepiada e atacando algo debaixo do carro.

E foi aí que vimos a Melissa, toda encolhidinha e miando, apavorada.

Colocamos a gatoeira e em poucos segundos ela entrou, faminta.

Amanhã iremos levá-la ao veterinário, dar um banho terapêutico e já começar com o tratamento para a sarna. Apesar de estar feio, não se espalhou pelo resto do corpo e provavelmente em 15 dias, com alimentação adequada e cuidados ela ficará bem melhor.

Nem precisamos dizer que estamos revoltadas. Só soubemos dessa estória quando voltamos para a rua e o porteiro nos viu com a gatoeira.

A Melissa é um amor de gatinha, ronrona super alto e pede carinho. Pelo seu estado dá para perceber que ela foi negligenciada até seu abandono. Sarna é uma doença oportunista, que aparece em animais que estão mal nutridos e tem acesso às ruas ou a outros animais vadios e demora para chegar a esse aspecto endurecido.

Ela tem pontos de sarna em suas orelhas, rosto, patinhas e a ponta do rabo está pelada.

O pior é que tudo isso poderia ter sido evitado se a pessoa ao menos se importasse. Tratamento de sarna é baseado em uma alimentação de qualidade, banhos para promover a higiene e terapeutica veterinária. Quando tratada no inicio é muito facil a cura completa e em poucos dias.

Além de negligenciá-la ainda a colocou nas ruas, onde ela poderia ter morrido, ou ter uma sobrevida, doente e, daqui a um mês, sendo mais uma gata parindo a cada 60 dias.


Melissa após a captura, na gatoeira
As orelhinhas de pedra


Morta de fome, atacou o pratinho de papinha


Complementamos com um pouco de Nan Soy para que ela não vomitasse depois de tanto tempo sem comer. Ela está extremamente magra e com um barrigão de vermes.


Que isso sirva de exemplo pra gente preconceituosa, que só dá valor a raça, mas mesmo os "animais de raça" - a Melissa é uma MESTIÇA, com muito orgulho - não estão salvos da crueldade e abandono. Nem mesmo os seus olhos azuis impediram que ela sofresse.

A RAÇA dela está no espirito, que não se deixou abater mesmo diante de tanta maldade.

E pra quem ainda é contra a castração, fica a realidade! A unica coisa que impede essas desgraças é a CASTRAÇÃO! Se a pessoa tivesse castrado a mãe dela e não a tivesse dado para esse MONSTRO nada disso teria acontecido.

Mas agora ela está conosco, a salvo. E mesmo sem saber como vamos pagar as contas dela, da Milla e da outra gatinha que minha amiga está cuidando, vamos dar um jeito! Todos os resgatos merecem um final feliz, mas a estória da Melissa foi desumana.


Se alguém quiser apadrinhá-la, agradecemos de coração.

Otávia Mello
BANCO DO BRASIL
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