Depois de tantos gatos que passaram por minha vida, é facil distinguir aqueles que já experimentaram um lar, sem medo das pessoas, avídos por carinho , daqueles amendrontados e que não querem nada conosco.
Abel aparecia nesse terreno de noitinha para comer a ração que era colocada lá. Entre gatos ariscos, Abel se aproximava, roçava em nossas pernas, pedia atenção e fazia gracinhas. Era muito estranho um gato tão manso e, castrado, perambular daquele jeito por ali.
A secretária do meu pai, dona de Dara, se apaixonou por ele quando o conheceu por acaso e disse que queria adotá-lo. Era só uma questão de levarmos ele para o veterinário, dar banho, vermifugo e as vacinas para entregarmos.
Mas dias se passaram e Abel parecia ter desaparecido.
Quando me ligaram dizendo que ele estava novamente no terreno, tambem me deram a triste noticia que ele estava sangrando e com dor, vitima de uma doença urinária.
Felizmente foram precisos apenas alguns dias de antibiotico para que ele estivesse plenamente recuperado.
Abel foi entregue ao lar que tanto lhe aguardava e hoje é o marido pacificio de Dara, que aguenta os surtos temperamentais de mordidas e arranhões da amada e apenas a lambe e se esfrega diante de seu mal humor. Dorme de costela com sua dona e lhe dedica horas de ronronados apaixonados.
Sorte e amor andam juntos com Abel. Ele e Dara, para sempre felizes, é o meu desejo.